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Segurança05/11/2018 | 13h36Atualizada em 05/11/2018 | 14h18

Juiz pede sindicância para apurar morte de detento por meningite em Joinville

Preso neste domingo (5), após ser internado no Hospital São José

Juiz pede sindicância para apurar morte de detento por meningite em Joinville Salmo Duarte/A Notícia
Dassaev cumpria pena em regime semiaberto Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Um detento da Penitenciária Industrial de Joinville morreu de meningite neste domingo (5), após ser internado no Hospital São José. Uma sindicância será aberta para apurar as circunstâncias do óbito morte de Dassaev Mario Tarnowski, 30 anos. 

A situação do atendimento à saúde nas unidades prisionais de Joinville é ponto de preocupação para o juiz João Marcos Buch, titular da Vara de Execução Penal e corregedor do sistema prisional da cidade. Durante a última semana, Buch realizou uma inspeção no setor em que Dassaev cumpria pena. O detento relatou que estava doente e solicitou atendimento médico. O juiz recomendou à direção prisional que providenciasse o atendimento e também verificasse se outros presos necessitavam. 

Para o magistrado, faltam recursos humanos dentro do sistema prisional, principalmente em atenção à saúde dos presos. Uma sindicância administrativa foi instaurada na penitenciária para apurar a situação envolvendo a morte de Dassaev, com prazo de conclusão de 30 dias. No documento, o juiz ainda solicitou informações à direção sobre os procedimentos adotados após a morte por meningite – já que outros detentos poderiam estar infectados. 

O magistrado não soube informar desde quando Dassaev estava doente, mas para ele a situação de presos doentes dentro das unidades carcerárias é "regra e não exceção", esbarrando no atendimento precário à saúde do detentos. Segundo o juiz, a penitenciária conta com ambulatório médico e o Presídio Regional, com uma unidade básica de saúde. O atendimento não é suficiente para a população de 1.600 presos, segundo Buch.

–  As pessoas ficam muito doentes dentro do sistema prisional, com a imunidade reduzida. Ao mesmo tempo, o Estado acaba não fornecendo tudo o que é necessário. Isto é uma situação bem grave – defende.

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Problemas também nas escoltas

Preso da Penitenciária de Joinville morre por meningite
Dassaev cumpria pena em regime semiaberto no localFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

O magistrado ainda menciona que todo preso que precisa ser internado por problemas de saúde precisa ser encaminhado aos hospitais da cidade. Nesta situação, surge outra condição necessária: a de escolta para os presos. Conforme Buch, faltam recursos humanos para acompanhar o preso até os hospitais, e muitos apenados perdem exames ou consultas especializadas por este motivo.

No caso de Dassaev, a juíza plantonista responsável assinou decisão para transferir o preso até o São José sem a escolta, devido à urgência do caso.

— Eu me preocupo muito com essa situação, o tempo todo eu encontro pessoas doentes dentro do sistema e que não têm o amparo necessário — conclui.

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O que diz o Estado

Em nota, a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (SJC) e o Departamento de Administração (DEAP) informam que o preso Dassaev, foi internado no dia 03/11/18 no Hospital Municipal São José, vindo a óbito no dia 04/11/18 devido a uma meningite bacteriana, de acordo com a declaração de óbito emitida pela unidade hospitalar.

Os servidores e internos que tiveram contato com o preso estão recebendo medicamento para prevenção da doença, a cela foi isolada e recebeu a devida desinfecção. Todas as medidas legais e periciais foram adotadas. 

Em entrevista a NSC TV, o diretor da penitenciária, João Renato Schiite, informou que soube no domingo que o apenado havia morrido no hospital por meningite bacteriana. Os detentos foram retirados das celas para a realização de uma higienização no local. 

A Vigilância Epidemiológica do Estado também foi acionada e monitora o caso, assim como é feito o monitoramento do estado de saúde dos demais apenados que estavam junto com Dassaev.

 
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