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Segurança10/10/2018 | 13h10Atualizada em 10/10/2018 | 16h33

Polícia prende 14 em operação nacional contra o crime organizado em Joinville

Outras quatro pessoas foram presos no Estado. Ação busca coibir crimes de tráfico de drogas e furto e roubo de cargas

Polícia prende 14 em operação nacional contra o crime organizado em Joinville Policia Civil/Divulgação
Foto: Policia Civil / Divulgação

A Polícia Civil prendeu 14 pessoas, em Joinville, suspeitas de integrar uma quadrilha interestadual que praticava tráfico de drogas e roubos de cargas. A operação Torre de Babel foi deflagrada em seis Estados do país e no Distrito Federal, na manhã desta quarta-feira (10), para desmantelar o grupo criminoso. Em SC, ainda houve mais quatro prisões em Araquari, São Francisco do Sul e Itapoá, no Norte de SC, e ainda em Navegantes, no Vale do Itajaí.

As investigações começaram em janeiro deste ano, com a identificação de um dos integrantes, que seria o líder do grupo criminoso, pela Coordenação Especial de Repressão à Corrupção, ao Crime Organizado e aos Crimes contra a Administração Pública e contra a Ordem Tributária da Polícia Civil do Distrito Federal (Cecor/PCDF) para coibir crimes de tráfico de drogas e roubos a bancos em Brasília. 

VÍDEO: imagens aéreas mostram operação nacional contra o crime organizado em Joinville

O homem começou a ser investigado por tráfico de drogas no Distrito Federal. No decorrer das apurações, a Civil identificou que a organização criminosa atuava em sete Estados do país no tráfico de entorpecentes e ainda em crimes de roubos, furtos e desvios de cargas, além de receptação. 

— Durante as investigações, nós nos deparamos com uma estrutura empresarial, em que o desvio, furto e roubo de cargas estavam sendo utilizados para alimentar o tráfico de drogas — explica Fernando César Costa, delegado-chefe da Cecor.   

Os carregamentos roubados em Santa Catarina eram revendidos em cidades de seis Estados brasileiros, além do Distrito Federal. Partes das cargas roubadas eram desviadas do Distrito Federal para a tríplice fronteira – entre Brasil, Argentina e Paraguai – e para o Nordeste brasileiro. Conforme Costa, o carregamento era utilizado para saldar os valores das drogas que eram comercializadas pelos estados do país.  

Empresa de fachada funcionava na cidade

 Polícia realiza operação nacional contra o crime organizado em JoinvilleIntitulada Torre de Babel, a ação aconteceu em sete Estados do país e no Distrito Federal.
Foto: Policia Civil / Divulgação

Em Joinville, um casal foi preso na zona Sul como responsável de uma empresa que era utilizada de fachada para lavar o dinheiro da organização. As mercadorias da loja – calçados e peças de vestuário - eram fruto de cargas roubadas já que, conforme o delegado, os donos não possuíam notas fiscais de entrada e saída dos produtos, representando também crimes de ordem tributária. Além disso, foram localizados em Joinville carros de luxo, caminhões e outros bens que seriam provenientes do crime organizado.  

A Polícia Civil não informou os bairros joinvilenses onde ocorreram a operação. Conforme o delegado, todas as regiões da cidade tiveram alvos da ação. Durante as apurações, a Polícia Civil ainda identificou um esquema de lavagem de dinheiro por parte de um braço do grupo criminoso que atua na Bahia, na região do Monte São Paulo, onde a quadrilha possui uma pousada usada para lavagem de dinheiro. 

Os presos nesta manhã poderão responder pelos crimes de associação criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, além de crimes tributários.  

— As pessoas presas em SC nesta manhã irão responder por crimes de acordo com a atuação deles dentro do grupo, porque cada pessoa possuía um papel diferente dentro da organização — esclarece o delegado Anselmo Cruz, diretor da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic). 

Na ação desta manhã, cerca de 130 policiais civis participaram da operação Torre de Babel em SC. Já em todo o país, a ação reuniu aproximadamente 300 policiais que cumpriram 42 mandados de prisão preventiva, seis de prisão temporária e 72 de busca e apreensão. A força-tarefa policial aconteceu em Santa Catarina, Distrito Federal, Pernambuco, Bahia, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul. A Polícia Civil contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, da Força Aérea Brasileira, Forças Armadas, Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) e da Receita Federal. 

 Polícia realiza operação nacional contra o crime organizado em JoinvilleIntitulada Torre de Babel, a ação aconteceu em sete Estados do país e no Distrito Federal.
Foto: Policia Civil / Divulgação

Como funcionava o esquema

As investigações apontaram que o líder da organização criminosa, suspeito de comandar o tráfico de drogas, contava com o apoio principal de duas pessoas. A dupla seria um “braço” do grupo criminoso responsável por furtar, roubar ou desviar cargas de mercadorias e revende-las depois no mercado ilícito. 

De acordo com o apurado pela polícia, os dois também recrutavam motoristas dos veículos de transportes, falsificavam notas fiscais para as mercadorias produto dos crimes e até registro de ocorrências em delegacias dos supostos furtos. As notificações dos crimes às autoridades policiais eram falsas, já que os carregamentos eram, na verdade, desviados pelos motoristas envolvidos no esquema. 

— O principal foco destes furtos, roubos e desvios de cargas aconteciam aqui em Santa Catarina, sendo negociadas envolvendo receptadores para posterior pagamento de tráfico de drogas em outros Estados do país — explica o diretor da Deic.  

Ainda de acordo com o Cruz, a Deic mapeou um aumento de registro de ocorrências em delegacias do Estado de falsas comunicação de roubo de cargas. Os casos, na verdade, eram acertos entre motoristas ou empresas de logísticas e o grupo criminoso para que fosse feita a falsas comunicações dos crimes. Ainda que a investigação tenha iniciado neste ano, a polícia conseguiu identificar roubos de carregamentos dentro do esquema da quadrilha ocorridos em 2015. 

A outra parte da organização, que tinha uma pessoa na liderança, mantinha atuação na prática do tráfico de drogas. Na região de Cristalina, em Goiás, a polícia chegou a encontrar um imóvel de propriedade do grupo que era usada para armazenar grande quantidade de drogas. As cargas roubadas eram utilizadas para pagamento das cargas de drogas que chegavam ao Distrito Federal e distribuídas para outros Estados brasileiros. 

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