Operação na Zona Sul de Joinville resulta em 38 prisões por furto de energia - Segurança - A Notícia

Versão mobile

 

Polícia19/09/2018 | 13h14Atualizada em 19/09/2018 | 17h12

Operação na Zona Sul de Joinville resulta em 38 prisões por furto de energia

Ação conjunta das forças de segurança ocorreu na manhã desta quarta-feira e identificou ainda a existência de aluguéis para o crime

Operação na Zona Sul de Joinville resulta em 38 prisões por furto de energia Kleber Pizzamiglio / NSC TV/NSC TV
Ação aconteceu na manhã desta quarta-feira no Residencial Trentino Foto: Kleber Pizzamiglio / NSC TV / NSC TV

Uma ação realizada em conjunto por agentes das polícias Civil e Militar e do Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Joinville prendeu  38 pessoas em flagrante na manhã desta quarta-feira (19) no Condomínio Residencial Trentino 1, localizado na Zona Sul da cidade. A Operação ‘Promêthéus II’ tem o objetivo de deter autores de furto de energia elétrica, mas durante a ação também foram evidenciados crimes de tráfico de drogas, posse de armas e identificados suspeitos de participação em organizações criminosas.

Por volta das 6h, um grupo de 150 policiais militares, 62 agentes da polícia civil e 12 peritos criminais do Instituto Geral de Perícias (IGP) entraram no condomínio onde haviam constatado haver apartamentos com ligações clandestinas de luz,ato conhecido popularmente como gato. Em 20 dos 31 blocos havia residências em situação irregular, conforme levantamento solicitado pela polícia a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), em conjunto com informações cruzadas dos setores de inteligência dos órgãos de segurança.

operação , polícia civil , joinville , furto de energia
Operação reuniu mais de 200 servidores da segurança pública da Polícia Militar e Civil, do IGP e GaecoFoto: Salmo Duarte / A Notícia

De acordo com o perito criminal do IGP, Douglas de Oliveira Balen, pelo menos 57 apartamentos tinham ligações clandestinas. Para cometer o delito, os suspeitos retiraram os relógios medidores e faziam ligação direta do fio de luz da residência aos cabos de energia da Celesc.

— O furto de energia ocorria de forma bastante rudimentar, sem nenhum cuidado, sem nenhum isolamento, acarretando riscos tanto de choques elétricos quanto de incêndios — explica Balen.

Segundo o tenente-coronel da PM, Luiz André Pena Viana de Oliveira, além de constatar o flagrante furto de energia, em alguns dos locais vistoriados também foram encontrados itens como arma de fogo e droga, bem como crimes ambientais. As pessoas que estavam nesses imóveis foram conduzidas à Central de Polícia de Joinville e os procedimentos serão remetidos ao 8º Batalhão da Polícia Militar.

Combate ao ‘Estado Paralelo’

operação , polícia civil , joinville , tania harada
Delegada Tânia Harada fala sobre as ações de combate ao crime organizado em condomínios popularesFoto: Salmo Duarte / A Notícia

As forças de segurança de Joinville destacam que existem atividades criminosas e membros de facções morando em determinados condomínios residenciais populares de Joinville. Essa situação relatada pela Polícia Civil foi determinante para que a ação fosse realizada, uma vez que conforme a entidade “nada do que foi encontrado durante a operação foi surpresa”.

— Esse é um problema que esses condomínios apresentam, como por exemplo, o Trentino e o Rubia Kaiser. Mas não é um problema isolado de Joinville, também tem acontecido em outras cidades do Estado, pois trata-se de um modelo que não deu certo. Nosso objetivo principal com a operação foi demonstrar a presença do Estado nesses lugares. Esses condomínios não são um estado paralelo ou um ‘bunker’ de criminalidade e a gente quer mostrar que a polícia vai continuar marcando presença nesses locais — diz Tânia Harada, delegada regional de Joinville.

Ainda na avaliação de Harada, essas abordagens (essa é a segunda em menos de um ano) devem continuar a ser realizadas. O intuito é melhorar a sensação de segurança para os moradores desses condomínios e também para a sociedade.

— Queremos que não se deixe pairar sobre esses condôminos a ideia de que é um lugar onde tudo se pode, onde se pode andar armado, onde se pode expulsar moradores de casa — afirma a delegada.

Aluguel para o crime

operação , polícia civil , joinville , fabio estuqui , furto de energia
Delegado Fabio Estuqui fala sobre geração de renda de organizações criminosas por meio do pagamento de aluguéisFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Também no Trentino, no bairro Boehmerwald, uma investigação em paralelo segue em curso pela Polícia Civil para identificar a locação de imóveis vazios ao crime organizado. De acordo com o delegado Fabio Estuqui, em parte das residências identificadas nesta situação vivem famílias de presos de fora de Joinville, que pagam a moradia a grupos criminosos.

— Há conhecimento de que os apartamentos abandonados pelos moradores em razão da violência neste condomínio (Trentino)  estavam sendo usados para aluguéis como uma fonte de renda para organização criminosa — afirma ele.


 
A Notícia
Busca