Condições da frota da PM geram reclamações em Florianópolis e Joinville - Segurança - A Notícia

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Segurança19/01/2018 | 05h05Atualizada em 19/01/2018 | 05h05

Condições da frota da PM geram reclamações em Florianópolis e Joinville

Cidades têm casos de veículos com alta rodagem parados e à espera de manutenção

Condições da frota da PM geram reclamações em Florianópolis e Joinville Cleber Gomes/Especial
Foto: Cleber Gomes / Especial

Com alta quilometragem, pneus gastos e elevação da necessidade de manutenção, as viaturas da Polícia Militar compradas nos últimos grandes lotes, em 2014 e 2013, começam a gerar reclamações de policiais e queixas da Associação de Praças (Aprasc) em Santa Catarina. Há situações pontuais em Joinville e Florianópolis, onde alguns veículos estariam parados em batalhões, sem rodar, à espera de conserto e outros, seguidamente indo parar em oficinas. O Estado não tem um levantamento sobre a quantidade de veículos da corporação nesta situação.

Na Capital, servidores relataram à reportagem que há carros da PM beirando 300 mil quilômetros rodados no norte da Ilha, área do 21º Batalhão. A preocupação é ficar sem veículo para atender chamadas de ocorrências na região, considerada extensa.

– Volta e meia dá problema, tem policial ficando no quartel sem trabalhar porque não tem viatura – diz um PM da Capital.

Em Joinville, o estado dos veículos seria crítico, em especial, no 8º Batalhão. O estacionamento do quartel, diariamente cheio de viaturas paradas, revela demora para manutenção, observa a Aprasc. Na Rua Tenente Antônio João, no bairro Bom Retiro, a reportagem encontrou ao menos cinco viaturas no lado de fora de uma oficina.

Nas duas cidades, a defasagem seria maior nos carros do policiamento ostensivo, os que atendem ocorrências do dia a dia. Indagado durante a semana, o comando-geral da PM informou que não iria se manifestar sobre o assunto.

– Temos uma situação pontual em algumas cidades em que a última frota foi adquirida pelo Estado em 2014 e 2013. Há um desgaste natural, as viaturas rodam 24 horas. É importante manter em boas condições para o atendimento ser ágil e permanente, além de garantir a condição de trabalho do policial – alerta Elisandro Lotin, presidente da Associação Nacional dos Praças (Anaspra) e diretor da Aprasc.

O presidente da Associação de Oficiais Militares da PM (Acors), Sérgio Luís Sell, sugere que a frota precisa ser permanentemente renovada, mas não vê nada de excepcional no momento.

Entre outubro e novembro do ano passado, o governo do Estado entregou 40 novas viaturas à PM em investimentos de R$ 4,7 milhões. Os veículos foram distribuídos apenas às unidades especializadas como Bope, Choque e Tático (PPT). Também foram compradas motocicletas para as equipes de rondas ostensivas (Rocam), iniciativa que tem trazido agilidade nos atendimentos.

Convênios municipais garantem veículos

Há cidades em que a PM circula com viaturas novas graças a convênios municipais com recursos vindos de multas e taxas de trânsito. Em Palhoça, na Grande Florianópolis, desde 2016 foram entregues 24 veículos às polícias Civil e Militar e a agentes de trânsito. Jaraguá do Sul e Blumenau, no Vale do Itajaí, são outros exemplos. Já em relação às verbas estaduais haveria dificuldade até para a troca de óleo, lamentaram alguns policiais ouvidos pela reportagem.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse, por meio da assessoria, que não há previsão de aquisição de viaturas com o Fundo da Segurança Pública, mas que houve compras recentes de motocicletas para a Polícia Militar. Sobre a manutenção da frota, a SSP destacou ser questão de gestão e que a PM, além de convênio, se vale de serviços em várias regiões com oficinas.

"É necessário fazer a conta custo x benefício", diz Eugênio Moretzsohn, coronel da reserva

Qual a sua percepção da frota da PM em comparação a outros Estados?
No quesito apresentação geral das viaturas, durante o policiamento nas ruas, percebo que  estão sempre limpas e com as luzes funcionando, o que indica preocupação com a manutenção de primeiro escalão, fundamental para a operacionalidade da frota.

Qual o tempo de uso ideal ou indicado para uma viatura policial?
Há instituições que tentam renovar suas frotas de forma que a viatura não ultrapasse a marca de cinco anos, pois, após isso o valor dela nos leilões públicos é depreciado (exceção para viaturas raras e muito antigas, bastante disputadas por colecionadores). O fator determinante não é a idade dela, nem sua quilometragem, mas, sim, seu estado de manutenção e a disponibilidade de peças de substituição no mercado.

Vale a pena o Estado mantê-las rodando e arcando com as manutenções?
Os motores atuais das viaturas nacionais, se adequadamente manutenidos, podem durar 500 mil quilômetros ou mais, o que também ocorre com a frota de táxis. Os problemas maiores são o conjunto da suspensão destruída por buracos, quebra-molas e obstáculos diversos.  É necessário fazer uma conta: se a diagonal custo x benefício indicar que a manutenção da viatura está acima da média, ela deve ser retirada do patrimônio.

Qual viatura é a mais operacional para o policiamento?
A motocicleta pela agilidade insuperável, flexibilidade de emprego, relativo baixo custo de aquisição, pouca exigência de manutenção, baixa assinatura visual (silhueta pouco visível, o que favorece a aproximação e  a abordagem). Na Colômbia, durante os embates com as FARC, a polícia local utilizava motocicletas com o segundo homem na garupa, armado de fuzil ou escopeta.  A motocicleta é tão eficiente no combate ao crime que é o veículo mais utilizado pelos próprios criminosos. 

 
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