Joinville bate recorde no número de mortes violentas - Segurança - A Notícia

Versão mobile

Segurança04/12/2017 | 07h31Atualizada em 04/12/2017 | 07h31

Joinville bate recorde no número de mortes violentas

Cidade registrou 129 assassinatos em 2017, dois a mais do que em todo o ano passado

Joinville bate recorde no número de mortes violentas Salmo Duarte/Agencia RBS
Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Pouco menos de um mês para finalizar o ano, Joinville superou o registro de mortes violentas ocorridas em 2016.  Conforme levantamento feito por 'AN', a marca de 129 assassinatos representa um crescimento de 11,2% em relação ao ano passado e é o número mais alto já registrado na história da cidade. O índice leva em consideração homicídios, latrocínios, lesão corporal seguida de morte e vítimas de confronto policial.

A marca foi alcançada no último sábado (2) após Jacson Luiz Ribeiro, 29 anos, ser morto a tiros dentro de um carro, no Jardim Paraíso, na zona Norte da cidade. A quantidade de assassinatos registrados neste ano representa, em média, uma morte violenta a cada três dias na cidade. No período de 1º de janeiro a 2 de dezembro de 2016, o município computava 115 crimes desta natureza, já no ano de 2015, a estatística apontava 110. Em 2017, o número pulou para 129 mesmo que tenha ocorrido um intervalo de quase um mês - entre julho e agosto - sem o registro de homicídios em Joinville

Com o crime deste final de semana, o bairro Jardim Paraíso lidera o ranking das ocorrências (15 mortes), seguido pelo Paranaguamirim (11) e Comasa (10). No mesmo período de 2016, o bairro da zona Leste contabilizava apenas quatro homicídios. O Ulysses Guimarães aparecia no intervalo do ano passado com dez casos – neste ano, somente três do total de mortes ocorreram no bairro. Geograficamente, as regiões Sul e Leste abarcam a maior parte dos homicídios, com 51 e 33 casos, respectivamente. 

Ainda segundo o levantamento, até dezembro de 2017 a idade mais frequente das vítimas era de 24 anos (8), seguidas de pessoas com 28 (7). As faixas etárias com o maior índice de mortos são dos 26 aos 35 anos (43 casos) e dos 19 aos 35 (34). Os homens ainda são maioria entre as vítimas. Do total, 122 pessoas eram do sexo masculino e sete do sexo feminino.

Joinville ultrapassa a marca de 100 mortes violentas em 2017

As mortes registradas neste ano também trouxeram à tona as ondas de atentados executados por facções criminosas que atuam em Santa Catarina. Em agosto deste ano, quatro agentes de segurança foram mortos durante o ataque no Estado – dois deles ocorreram em Joinville, quando um policial militar e um agente penitenciário foram executados.

Homem é morto durante assalto em Joinville
Casa onde ocorreu um dos cinco latrocínios registrados neste anoFoto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Além disso, sete vítimas foram mortas durante operação policial em 2017, contra quatro crimes desta natureza em todo o ano passado. Das 129 mortes, cinco foram por latrocínios – roubo seguido de morte. Um dos casos ocorreu em junho quando Augustinho Martins, 40 anos, foi morto a tiros dentro de casa em uma tentativa de assalto. À época, ele se preparava para sair para o trabalho, quando um assaltante entrou no imóvel pela porta da sala. 

Circunstâncias dos homicídios ajudam a mapear probabilidade de futuras ocorrências

De acordo com o comandante Amarildo de Assis Alves, da 5ª Região de Polícia Militar (RPM), se comparar o crescimento no número de mortes violentas em Joinville a outras grandes cidades do Estado – como Itajaí e Florianópolis –, Joinville conseguiu atingir um índice de aumento mais reduzido.

— Considerando que Joinville é a maior cidade do Estado e que nós estamos com uma deficiência de efetivo, mesmo assim conseguimos segurar e manter em controle o número de homicídios e de mortes violentas — afirma.

Conforme ele, a maioria das vítimas de homicídios tem algum envolvimento com o crime, envolvendo a disputa territorial de facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas. O comandante defende que, para impedir o aumento, é preciso uma reformulação na legislação vigente, porque que os criminosos são presos pela polícia, porém, no outro dia, eles retornam às ruas e comentem novos delitos.

— Nós temos que remodelar essa legislação e próprio sistema penal. Temos que refazê-lo para que as pessoas que comentam um delito paguem por isso. Enquanto essas pessoas tiverem a sensação de que não serão punidas, nos vamos continuar nesse ciclo de prender e soltar — argumenta.

Já a Polícia Civil de Joinville solicitou ao NINT (Núcleo de Inteligência ligado à Delegacia Regional) um mapeamento detalhado sobre esses crimes violentos. O estudo está em construção e deve ajudar a mapear futuras ocorrências e, além disso, contribuir com a resolução mais precisa dos casos.

— O conhecimento do perfil dos envolvidos – a circunstância de os homicídios estarem vinculados em boa parte a disputa entre facções criminosas, em sua maioria – nos ajuda a mapear a probabilidade de futuras ocorrências. Bem como de esclarecer com mais precisão as circunstâncias destes crimes. O que pode ser considerado, por exemplo, na aplicação da pena pelo Juiz — afirma Tânia Harada, delegada regional de Joinville.

Para ajudar a frear a escalada, a Civil investe na investigação dos casos e prisão de suspeitos, entre outras ações. Ainda conforme a delegada, o índice de resolubilidade dos crimes ocorridos neste ano está em 65%. 

Antes da criação da Delegacia de Homicídios (DH), em fevereiro de 2016, o indicador era estimado em 20%. Além deste fator, também houve um aumento em 30% no número de prisões por este tipo de crime, em comparação ao ano passado.

Homicídio no Jardim Paraíso
Marca de 129 mortes violentas foi alcançada no último sábado (2), quando um homem foi morto no Jardim ParaísoFoto: Divulgação / Divulgação

Reforço na Polícia Civil deve contribuir para coibir mortes violentas

A Polícia Civil de Joinville receberá reforço de seis delegados e dez agentes de polícia. Os profissionais devem começar a atuar ainda em dezembro. Com o incremento, a 2ª Delegacia Regional de Polícia (DRP) ficará em torno de 230 policiais civis, além de outros profissionais contratados. A unidade atende Joinville e mais seis cidades.

— Já há um planejamento baseado no contingente populacional atendido pelas delegacias e suas produtividades. Inicialmente, os profissionais trabalharão em regime de força-tarefa, auxiliando as delegacias sobrecarregadas de serviço — diz Tânia.

O incremento deve contribuir na coibição das mortes violentas no município, com o reforço investigativo voltado ao tráfico de drogas e a integrantes de organizações criminosas, já que existe ligação entre os crimes e a grande maioria dos homicídios deste ano. Além disso, as ações específicas de fiscalização a bares e estabelecimentos similares e de verificação do cumprimento das condições impostas para a prisão domiciliar a condenados por crimes graves, também devem contribuir.

O acréscimo de efetivo ainda irá permitir correções na rotina de trabalho da Civil, como o excessivo número de plantões realizados pelos delegados. Com o incremento, será possível a redução da carga de trabalho para 2018, de maneira a se esperar uma melhora na produtividade tanto na Central de Polícia quanto nas demais delegacias.

— A utilização de delegados para a realização de plantões na Central de Polícia prejudica o desenvolvimento das atividades em suas delegacias, sobrecarregando-os — conclui Tânia.


Siga A Notícia no Twitter

  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaLoetz: Joinvilenses gastarão menos no Natal pelo segundo ano consecutivo https://t.co/KGt8V4KnO2 #LeianoANhá 2 horas Retweet
  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaLoetz: Joinvilenses gastarão menos no Natal pelo segundo ano consecutivo https://t.co/8ozJevj7bo #LeianoANhá 2 horas Retweet
A Notícia
Busca