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Morte de delegados federais24/10/2017 | 19h40Atualizada em 24/10/2017 | 19h40

Justiça determina que empregado de vendedor de cachorro-quente seja ouvido novamente

Ele é testemunha da morte dos delegados da Polícia Federal Elias Escobar e Adriano Antônio Soares em 31 de maio, em Florianópolis  

Justiça determina que empregado de vendedor de cachorro-quente seja ouvido novamente Gabriela Wolff/RBS TV
Foto: Gabriela Wolff / RBS TV

O promotor Afonso Ghizzo Neto, da 36ª Promotoria de Justiça de Florianópolis, pediu e a Justiça aceitou que as até agora testemunhas Thiago Giongo e Petrúcio Daniel Barros de Andrade sejam conduzidos coercitivamente para prestarem novo depoimento à Polícia Civil no processo que apura as mortes de Elias Escobar e Adriano Antônio Soares, delegados da Polícia Federal (PF) mortos após tiroteio na casa de prostituição conhecida como "Portinha Azul", no bairro Estreito, na madrugada de 31 de maio deste ano. O pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MP/SC) foi feito no sábado, dia 21, e aceito pelo juiz Marcelo Volpato de Souza nesta terça-feira. Thiago e Petrúcio devem ser ouvidos em até 15 dias, a contar desta terça.

O pedido de Ghizzo Neto está embasado nos sete pontos de divergência entre as versões apresentadas em depoimentos e as evidências materiais colhidas por peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP/SC) em laudo de reprodução simulada dos fatos, juntado ao processo em 13 de outubro. 

Para o MP/SC, as informações do laudo de que o disparo no olho que matou o policial federal Elias Escobar, 60 anos, não poderia ter saído da arma do comerciante Nilton Cesar Souza Júnior, 36, somado ao indicativo pericial de não existirem indícios de que a vítima Elias Escobar poderia ter disparado acidentalmente contra a própria face (até porque o tiro foi efetuado a distância), trazem novas dúvidas ao complexo processo que investiga o ocorrido naquela madrugada na região continental da Capital. O promotor, ainda, pede que o Instituto Geral de Perícias (IGP/SC) responda duas perguntas:

"Seria possível que o disparo de arma de fogo que atingiu o rosto da vítima Elias Escobar tivesse como autor Nilton César de Souza? Dito de outra forma, se Nilton poderia ter efetuado um novo disparo num segundo momento utilizando a arma da vítima Elias Escobar ou, se esta hipótese pode ser descartada (eliminada); e seria possível que o disparo de arma de fogo que atingiu o rosto da vítima Elias Escobar tivesse como autor Thiago Giongo? Ou seja, ainda que não seja possível afirmar categoricamente se Thiago foi o autor do referido disparo, se é possível eliminar esta possibilidade diante das condições levantadas durante a investigação pericial, bem como a partir das versões apresentadas na respectiva reconstituição", indaga Ghizzo Neto. 

Ao deferir o pedido ministerial, o juiz Volpato, da Vara do Tribunal do Júri, ainda autoriza a autoridade policial, no caso o delegado Ênio Mattos, titular da Delegacia de Homicídios da Capital, a utilizarem algemas para conduzirem o ex-funcionário de Nilton no cachorro-quente e um dos taxistas que estava no local no momento do tiroteio "caso não queiram os agentes se submeter voluntariamente à determinação de condução". O prazo da condução coercitiva não pode ultrapassar 24 horas. 

"Acerca do pedido de condução coercitiva em relação a Thiago Giongo e Petrúcio Daniel Barros, tenho que deve ser deferido, uma vez que referidas declarações são reputadas relevantes para o esclarecimento do fato penal em apreço... Acrescente-se que a autoridade policial não obteve êxito no que tange à colheita dos novos depoimentos de Thiago e Petrúcio, e, considerando que se afiguram essenciais os esclarecimentos solicitados sobre as condutas aqui investigadas, entendo suficiente para esta finalidade a determinação para suas conduções coercitiva", conclui o magistrado. 

Contraponto

Thiago Giongo, que estava com Nilton Júnior naquela madrugada na casa de prostituição Portinha Azul, sempre foi ouvido no processo como testemunha. A partir da divulgação das provas técnicas, no entanto, novos elementos trouxeram mais mistério sobre a dinâmica dos fatos no pequeno corredor onde ocorreu o tiroteio. 

Como Thiago e Petrúcio, taxista que levou um dos delegados feridos ao hospital, não são, até o momento, investigados formalmente no processo, a reportagem ainda não descobriu a identidade de seus advogados. 

Quando prestou depoimento ao delegado Ênio Mattos, Thiago estava acompanhado do advogado Marcos Paulo Silva dos Santos, mesmo defensor de Nilton Júnior. Santos, porém, afirmou à reportagem "que só acompanhou Thiago" no outro depoimento. 

A reportagem está à disposição de eventuais defensores de Thiago e Petrúcio, para assim que conversar com eles acrescentar suas versões nesta matéria. 




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