Tiroteio deixa uma pessoa morta no norte da Ilha, em Florianópolis - Segurança - A Notícia

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Segurança26/06/2017 | 19h24Atualizada em 29/06/2017 | 11h03

Tiroteio deixa uma pessoa morta no norte da Ilha, em Florianópolis

Com essa ocorrência, Capital registra 99 mortes violentas em 2017


Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Florianópolisregistrou no começo da noite desta segunda-feira mais uma morte violenta. Um jovem de 21 anos, identificado como Deyvid dos Santos Maranhão, foi morto em confronto com a Polícia Militar (PM) na Vila União, no Norte da Ilha, por volta de 18h. A vítima já havia sido detida pela polícia após uma operação policial em abril deste, quando um arsenal foi apreendido na Vila União, comunidade localizada no bairro Vargem do Bom Jesus. Na época, após uma decisão judicial, Deyvid foi solto. 

Segundo a PM, o fato começou com um assalto a comércio na Cachoeira do Bom Jesus. Os suspeitos fugiram para a região da Vila União, quando se encontraram com uma viatura do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT). Ainda há duas pessoas foragidas. A partir disso teria começado o tiroteio. O clima na região é bastante tenso. A troca de tiros começou em meio ao horário de saída de uma creche, por volta das 17h, por isso houve correria. Nenhum policial ficou ferido e três pistolas 9mm foram apreendidas.

A PM instalou uma barreira na Rua Anarolina Silveira Santos e deve permanecer no local por tempo indeterminados. Os moradores da comunidade estavam bem revoltados na noite desta segunda-feira. Segundo Tânia Aparecida da Rosa, integrante da associação de moradores da Vila União, a população continuará fechando as ruas em protesto:

— Continuaremos fazendo (protestos) contra os excessos da polícia.

Ela contou que durante uma das manifestações desta segunda-feira, a polícia efetuou disparos de balas de borracha, bombas de efeito moral e gás de pimenta. Em outras abordagens, diz a líder comunitária, os policiais agem desproporcionalmente. Durante a operação da polícia, um ônibus acabou sendo incendiado. 

O coletivo 1399 fazia a linha 294 - Interpraias e, conforme nota enviada pela assessoria do Consórcio Fênix, "depois de parado pelos bandidos no início da noite desta segunda-feira, o ônibus foi esvaziado antes de atearem fogo". Os ônibus só voltarão a circular pelo bairro após autorização da PM, informou a assessoria. Nenhum passageiro, motorista ou cobrador se feriu. Todos embarcaram em outro coletivo após caminharem até o bairro Cachoeira do Bom Jesus. 

Barricadas, revolta e medo refletem as horas de tensão na Vila União

Durante quase três horas na noite desta segunda-feira, muitos moradores da Vila União ficaram sem poder acessar suas casas. Homens e mulheres que precisaram "dar um tempo" em casas de familiares ou amigos em outros bairros do Norte da Ilha porque o acesso às suas residências estava bloqueado pela PM. Um deles era Davi, que prefere não revelar seu sobrenome, e ao ouvir os primeiros disparos de arma de fogo na principal artéria do bairro logo se preocupou com a segurança de seu filho de sete anos, que àquela altura saia da creche localizada nas redondezas.

— Subiu as viaturas, o tiroteio tava pegando e bem nessa hora as crianças começaram a sair da creche. Eu estava fazendo meu telhado e quando ouvi fiquei apavorado, porque meu guri estava na rua. Eu sai para procurar ele, o deixei na casa da vó, mas agora não posso voltar para casa porque a polícia bloqueou.

Entre outro grupo de moradores o clima era de revolta. Homens e mulheres, ao perceber a reportagem, juntavam balas de borracha e pinos de bombas de efeito moral para dizerem que a polícia havia se excedido e "esculachado" moradores da Vila União. Laurete Pereira, 32 anos, afirmou que os moradores deram início as barricadas porque se preparavam para fazer uma "manifestação pacífica" e foram repelidos por tiros e bombas vindos dos policiais. Às 20h30min, pedaços de madeira ainda queimavam em uma via transversal da Rua Anarolina Silveira Santos.

— Não é a primeira vez que eles fazem isso, se acham superiores só porque usam farda. Não respeitam criança, trabalhador e pensam que todo mundo é bandido. Entram na Vila União e tratam todos como vagabundos. Se querem fazer o serviço deles que façam, mas que não venham agredir e esculachar moradores — reclamou Laurete.

Os moradores da Vila União prometem fechar a rua Anarolina Silveira Santos na manhã desta terça-feira, às 8h, como forma de protesto pelo que consideram excessos em ações policiais na região. Apesar de acompanhar as reclamações, a PM não se manifestou sobre as denúncias dos moradores.

Mortes violentas em Florianópolis

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