Superar o medo e a sensação de vulnerabilidade são os desafios de pessoas que sofreram com assaltos - Segurança - A Notícia

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Criminalidade09/05/2017 | 09h27Atualizada em 09/05/2017 | 14h53

Superar o medo e a sensação de vulnerabilidade são os desafios de pessoas que sofreram com assaltos

Traumas da violência podem levar a doenças, segundo especialista

Superar o medo e a sensação de vulnerabilidade são os desafios de pessoas que sofreram com assaltos Lucas Correia/Agencia RBS
Foto: Lucas Correia / Agencia RBS

A violência deixa marcas em cada vítima que já teve o dia, a semana ou a vida arrasada por um ataque rápido, intenso e que altera definitivamente o andamento das coisas. Os assaltos são capazes de gerar este tipo de dano. De um susto resolvido com o resto do dia de folga a um trauma que precisa ser tratado com terapia e, por vezes, medicação, cada pessoa reage de um jeito a uma experiência de estresse intenso, explica a doutora em Psicologia e professora da Furb Catarina Gewehr, e essa reação depende de uma série de fatores: das condições de saúde da vítima ao seu relacionamento social.

— Precisamos considerar que as pessoas possuem histórias que são muito diferentes. Para um mesmo tipo de situação, um assalto a uma empresa, como estes que ocorrem nas farmácias por exemplo, um local onde trabalha mais de uma pessoa, as respostas são muito diferentes por parte das vítimas. Cada um responde de modo diferente, apesar do evento ser o mesmo. E a duração do efeito da situação traumática também será diferente — explica.

A reação ao ato de violência e a recuperação dos possíveis traumas e medos também depende das condições da vítima. Há quem desenvolva mais garra e siga trabalhando e tem quem precise mudar a rotina da vida. A recuperação também considera o tempo e a estrutura de apoio que a vítima encontra à sua disposição. Para Gewehr, quanto mais tempo se passa do ato de violência, e quanto mais suporte profissional a pessoa recebe, com psicólogos, médicos e até fisioterapia, em alguns casos, mais simples e rápida é a solução.

Traumas podem levar a doenças

Nos casos em que a violência é extrema, como quando a vítima é agredida mesmo atendendo aos pedidos dos bandidos, o choque pode desencadear sintomas e doenças que necessitam de tratamento específico, que podem se agravar se os recursos de apoio à vítima forem precários. Entre eles estão desde a alteração do estado emocional, iniciando com sinais de ansiedade e passando por sintomas depressivos. 

Além das manifestações psicológicas, há também o comprometimento físico, resultante do estresse intenso, como ânsia de vômito, dores no estômago, quadros diarreicos, alterações no apetite, queda de cabelo, aparecimento de feridas, instabilidade no sono, alterações cardio vasculares etc.

A solução nestes casos, segundo a doutora, é o tratamento especializado e focado no trauma. Já quando a ação envolve mais de uma pessoa — comum nos assaltos em estabelecimentos comerciais — Gewehr aponta que tratamentos que reúnam as vítimas envolvidas, como sessões de psicoterapia breve de grupo, podem ser úteis para permitir "experimentar a vida sem o medo". A psicóloga destaca ainda o papel do Estado, primeiro na prevenção, no desenvolvimento da segurança pública e mesmo com a presença ostensiva da força policial nas rus, mas destaca que a maneira mais eficaz de combater e coibir a violência está no enriquecimento cultural e social da população:

— A melhor prevenção se faz por meio do compartilhamento de valores humanos de cuidado com a vida. E isso engloba políticas públicas de urbanização, educação, cultura, desenvolvimento de renda e trabalho. As empresas devem oferecer condições de segurança aos funcionários, a cidade deve oferecer estas condições aos cidadãos e que cada qual de nós deve estar atento. Algo equivalente a ideia de que o melhor remédio é não precisar de remédio nenhum. 

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