Prisão de PMs reacende crise entre as polícias no Litoral catarinense - Segurança - A Notícia

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Segurança26/05/2017 | 15h38Atualizada em 26/05/2017 | 19h44

Prisão de PMs reacende crise entre as polícias no Litoral catarinense

Seis homens do PPT foram detidos na manhã desta quinta-feira durante ação da Polícia Civil, que acusa o grupo de tortura contra um suspeito

Prisão de PMs reacende crise entre as polícias no Litoral catarinense Polícia Militar / Facebook/Facebook
Mandados de prisão contra PMs foram cumpridos também dentro do 12º Batalhão, em Balneário Camboriú Foto: Polícia Militar / Facebook / Facebook

As polícias Civil e Militar enfrentam uma nova crise no Litoral de Santa Catarina. Protagonistas de uma série de conflitos em ocorrências, as duas corporações agora debatem a prisão de seis policiais militares na manhã de quinta-feira durante ação da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Balneário Camboriú. A alegação da Polícia Civil é de que os homens detidos teriam torturado física e psicologicamente um suspeito de assassinato em 10 de abril deste ano. Uma reunião na tarde desta sexta-feira em Florianópolis entre os comandos das duas polícias e o secretário de Segurança Pública (SSP), César Grubba, vai debater o caso.

O grupo de militares presos, integrantes do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT), é investigado pela prática de violência para obter a confissão de um suspeito de homicídio. Segundo a Polícia Civil, os policiais militares abordaram o homem e o levaram até um local ermo, em uma estrada secundária que dá acesso à praia do Estaleiro. Lá, conforme a Polícia Civil, os PMs agrediram o suspeito para que ele confessasse a participação em um homicídio no último dia 10 de abril e informasse a localização da arma usada no crime. Leia mais detalhes da acusação da DIC aqui.

Horas após a prisão do grupo e do cumprimento de mandados de busca e apreensão nas residências deles e na sede do 12º Batalhão da PM, começaram as reações dos comandos das duas polícias. Através do perfil no Facebook, a delegacia regional de Balneário Camboriú, comandada pelo delegado David Tarcísio Queiroz de Souza, divulgou um texto em que chama a ação dos policiais militares de "criminosa e desastrosa". Os agentes alegam que já tinham informação sobre o suspeito do crime e a ação dos PMs teria dificultado o trabalho de investigação.

Entre os policiais militares, repercutiu negativamente a foto divulgada no Facebook em que dois policiais civis participantes da operação desta quinta fazem uma selfie em frente ao 12º Batalhão da PM durante o cumprimentos dos mandados. Nesta sexta-feira, o mesmo policial que postou a foto divulgou um texto em que refuta as alegações do militares de que estaria sendo mal intencionado. Segundo ele, a imagem foi postada porque ele e o colega se encontraram depois de algum tempo.

Policiais do PTT, colegas dos servidores que continuam presos, estão arrecadando recursos que serão usados na defesa dos homens detidos. Segundo o texto repassado pelo WhatsApp, os policiais alvos da operação possuem mais de 40 páginas em elogios por serviços prestados à corporação.

Por meio de nota, a Associação de Delegados da Polícia Civil de Santa Catarina (Adepol) defendeu o trabalho dos policiais. A entidade defendeu a ação do delegado Osnei de Oliveira, responsável pela DIC: "Agiu amparado pela Constituição Federal e cumprindo a legislação penal vigente, face os robustos indícios da prática de crime equiparado a hediondo, bem como para garantia a conveniência da instrução criminal, representou pela prisão preventiva dos seis policiais militares, bem como por mandado de busca e apreensão na residência destes e nos armários que utilizavam no quartel, sendo de pronto analisados e deferidos pelo Poder Judiciário, a quem compete aplicar a Lei".

O comandante da 3ª Região da PM, coronel Claudio Roberto Koglin, disse em entrevista à RBS TV que a ação "foi espetaculosa, macula a imagem dos policiais e foi totalmente desnecessária". Para o delegado Osnei, houve tortura por parte dos militares "visando a confissão de práticas criminosas".

 Ainda nesta sexta-feira, o comandante do 4º Batalhão da PM em Florianópolis, tenente-coronel Marcelo Pontes, também se manifestou em defesa dos policiais militares na página dele no Facebook: "Os Policiais Militares vêm a público se manifestar com repúdio às ações realizadas pela Delegacia de Investigação Criminal no 12º Batalhão. Não vamos discutir o mérito das investigações, pois isto será discutido judicialmente, mas sim a forma midiática, espetaculosa, difamatória e visando apenas atacar a imagem da Polícia Militar", escreveu.

A mesma mensagem publicada por Pontes foi compartilhadas por outros militares nas redes sociais.

Segunda crise em três meses

Em fevereiro deste ano as duas polícias tiveram outra crise na mesma região. Desta vez o caso aconteceu em São João Batista. Um tenente da PM foi preso momentos antes de uma coletiva da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) sobre uma operação contra caixeiros.

O oficial foi até a reunião para contestar o trabalho dos policiais civis por entender que eles haviam colocado em risco a vida dos PMs que não teriam sido avisados da operação. Naquele episódio, a SSP também se reuniu com os comandos para acalmar os ânimos.

Em Balneário Camboriú, onde fica a unidade da PM que atende São João Batista, havia a preocupação de que o caso prejudicasse ainda mais a delicada relação entre policiais civis e militares na região do 12º Batalhão. O clima, apesar de aparentemente tranquilo, nem sempre foi pacífico.

A situação ficou mais tensa a partir de 2013, quando a PM invadiu uma festa de confraternização entre agentes da Polícia Civil e um policial militar atirou contra um investigador. Na época, a PM alegou ter recebido uma denúncia de que havia pessoas armadas na festa. As versões foram conflituosas e causaram mal estar nas duas corporações.

Uma nova saia-justa ocorreu em abril do ano passado, quando a Polícia Militar montou uma operação de busca pelo menino Ícaro Alexandre Pereira, desaparecido desde fevereiro de 2016, e não comunicou a Divisão de Investigações Criminais da Polícia Civil (DIC), responsável por apurar o caso.

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