'Difícil acreditar que tenha perdido a vida desta maneira', diz amigo da vítima de latrocínio em Joinville - Segurança - A Notícia

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Violência18/04/2017 | 11h58Atualizada em 18/04/2017 | 14h23

'Difícil acreditar que tenha perdido a vida desta maneira', diz amigo da vítima de latrocínio em Joinville

Julio Cezar Vieira trabalhava em uma panificadora no Comasa quando foi atingido por assaltantes

'Difícil acreditar que tenha perdido a vida desta maneira', diz amigo da vítima de latrocínio em Joinville Salmo Duarte/Agencia RBS
Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS
Gabriela Florêncio
Gabriela Florêncio

gabriela.florencio@an.com.br

O laço preto pendurado na panificadora da rua Praia Grande esquina com a Jaboticabal, no Comasa, simboliza a dor que familiares e amigos de Julio Cezar Vieira enfrentam na manhã desta terça-feira em Joinville. O jovem, de 22 anos, foi assassinado durante uma tentativa de assalto. Por volta das 21 horas de segunda-feira, dois homens entraram no comércio onde ele era proprietário e anunciaram o roubo. 

Segundo a aposentada Marlene Eccel, vizinha do estabelecimento, o local já tinha sido alvo de assaltantes diversas vezes. Mas, desta vez, Julinho — como era conhecido – reagiu à ação e foi alvejado dentro da padaria. A aposentada conta que a sua filha estava na sacada de casa e viu quando a confusão começou dentro do estabelecimento.

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— Foi tudo muito rápido. Ela (a filha) ouviu dois disparos e observou que alguns rapazes fugiram, cada um para um lado. Como estava escura, ela não tem certeza se eram dois ou três homens. Chamamos a polícia, mas já era tarde demais – lamenta.

Latrocínio aconteceu por volta das 21 horas de segunda-feira Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Quando a Polícia Militar chegou ao local encontrou Julio caído no chão. Equipes do SAMU tentaram reanimar a vítima, mas ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Ainda de acordo com a PM, os suspeitos retiraram 16 reais do caixa da panificadora. A guarnição efetuou buscas na zona Leste durante a noite à procura dos assaltantes.

Um jovem de 16 anos foi apreendido dentro de uma residência na rua Ataulfo Alves, no Comasa, suspeito de participar do latrocínio. Com ele, foi localizada uma arma que pode ter sido usada no crime. O menor confessou que atirou em Julio. Ainda segundo a PM, outros dois homens podem ter participação no crime — um jovem de 17 anos e outro de 23. Ambos estão foragidos.

:: Joinville registra um assassinato a cada dois dias em 2017 ::  

A polícia encontrou a casa de um dos suspeitos, mas ele não estava no local. O pai do foragido autorizou as buscas e dentro do lugar a PM localizou outra arma. O caso foi encaminhado para investigação da Policia Civil.

Amigos lamentam a morte
Marlene mora em frente ao comércio há muitos anos e guarda boas recordações de Julio. A família tem o comércio há pelo menos 20 anos no lugar. A vizinha conta que se lembra de Julio bem pequeno. Com mais ou menos sete anos de idade, ele já acompanhando o pai na panificadora. Ela acredita que o perfil batalhador do rapaz foi herdado de berço.

Ele sempre fazia questão de ajudar a todos, principalmente a família. Desde que o pai faleceu, há aproximadamente quatro anos, ele tocava o negócio com a ajuda da mãe e da irmã.

— Um rapaz tão dedicado. Enfrentou a morte do pai dando força e apoiando a mãe, é muito triste que isso tenha acontecido — conta.




Julio era o caçula de mais de três irmãos – uma moça e dois homens. A família planejava expandir o negócio para um local que não fosse alugado. Eles já estavam construindo um novo empreendimento, também na zona Leste da cidade.

Gilmar Severino trabalhava na padaria com o jovem há quatro anos. Para ele, o rapaz era mais que um chefe, era amigo e companheiro de longas conversas. Ainda muito abalado com os acontecimentos, ele mal conseguia falar sobre o assalto da noite anterior.

— É difícil acreditar que um rapaz tão jovem e trabalhador tenha perdido a vida por defender o patrimônio que a família construiu — comenta.

O padeiro conta que o jovem também era conhecido na vizinhança por tratar os clientes com respeito e afeto. O aposentado Francisco Cunha, 73 anos, corrobora desta opinião. Ele é cliente da padaria há 20 anos e conta que Julio tratava a todos com muito respeito.

— Ele era um meninão cheio de vida e me tratava com muita gentileza. Na verdade, ele tratava todos os fregueses muito bem... — afirma.

Gilmar defende que o caso foi uma fatalidade e expõe que a reação ao assalto deve ter acontecido por Julio estar cansado de sofrer com este tipo de ação. A personalidade trabalhadora e o sorriso contagiante do rapaz ficará para sempre na memória do padeiro.

— O Julio vai ficar aqui (apontando para o coração) para sempre, jamais será esquecido — completa.

O jovem será velado na capela Nossa Senhora de Lourdes, na zona Leste de Joinville. Ele não deixa filhos.

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