Pais de bebê indígena assassinado em Imbituba acompanharão julgamento nesta terça-feira - Segurança - A Notícia

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Justiça13/03/2017 | 22h21Atualizada em 13/03/2017 | 22h23

Pais de bebê indígena assassinado em Imbituba acompanharão julgamento nesta terça-feira

Funai alega falta de recursos para levar lideranças e índios do Oeste do Estado até o litoral

Pais de bebê indígena assassinado em Imbituba acompanharão julgamento nesta terça-feira Darci Debona/RBS
Vitor Pinto, morto em Imbituba, foi enterrado no dia 1º de janeiro de 2016 no cemitério da Aldeia Condá, em Chapecó  Foto: Darci Debona / RBS
Ângela Bastos

Até o fim da tarde desta segunda-feira, apenas Arcelino e Sônia Pinto, pais do bebê indígena assassinado no dia 30 de dezembro de 2015 em Imbituba, tinham deixado a Aldeia Condá, no município de Chapecó, para acompanhar o julgamento do assassino confesso, Matheus de Ávila da Silveira, que ocorre nesta terça-feira na Câmara de Vereadores de Imbituba. Apesar da mobilização na região para que lideranças e índios do Oeste do Estado estejam presentes no julgamento, a Funai alega falta de recursos para as despesas com combustível e alimentação, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

O casal, de religião evangélica, carrega o clamor por justiça e as lembranças da última vez que veio junto para a região. Foi em 18 de dezembro de 2015, quando, acompanhados de Vitor e outros dois irmãos, deslocaram-se para vender artesanato. Haviam feito a mesma coisa nos anos anteriores, aproveitando a intensa presença de turistas que compram cestarias e também as férias escolares das crianças. Nunca havia convivido com tamanha violência, mas reconheceram que em outras ocasiões passaram por situações de preconceito. Alguns comerciantes consideram inoportuna a presença dos índios. 

Na manhã do crime, uma quarta-feira às vésperas do Ano Novo, o pai e os outros filhos tinham se afastado para oferecer os cestos de vime. Como estava muito quente, Sônia ficou com o filho menor descansando, e decidiu alimentá-lo. A escolha pela área da rodoviária da cidade de Imbituba não tinha sido por acaso: como sempre tem muita gente andando, os Kaingang acreditavam estarem em um lugar mais seguro. Os índios costumam usar os espaços também para dormir à noite.

No momento do crime, por volta do meio-dia, a mãe pensou que Matheus de Ávila da Silveira tocaria no rosto do filho para brincar com o menino. Mas foi quando ele degolou a criança. A roupa de Sônia ficou encharcada de sangue. O enterro ocorreu dois dias depois, no 1º dia do ano, nas terras da aldeia Condá. O autor correu e se escondeu em casa. Mas imagens do sistema de vigilância do terminal rodoviário  mostraram detalhes, o que também facilitou a identificação dele.

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