Crime no Mercado Público: um deboche às autoridades - Segurança - A Notícia

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OPINIÃO04/03/2017 | 07h04Atualizada em 04/03/2017 | 07h04

Crime no Mercado Público: um deboche às autoridades

Não se pode encarar o fato sem demonstrar preocupação com o risco de balas perdidas ou de ser confundido como alvo em alguma execução

Crime no Mercado Público: um deboche às autoridades Cristiano Estrela/Agencia RBS
Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

A execução de um homem em plena sexta-feira no Mercado Público e na luz do dia simboliza o tamanho da gravidade que a onda de assassinatos explode sem controle na Capital catarinense em 2017. Não se pode encarar o fato sem demonstrar preocupação com o risco de balas perdidas ou de ser confundido como alvo em alguma execução.

No meio da semana, duas pessoas inocentes foram atingidas por tiros. Uma delas estava dentro de um carro na Via Expressa, caminho para entrar na Ilha. Já são 39 pessoas assassinadas este ano em Florianópolis. A violência é considerada por policiais dentro das instituições como motivo gerador de uma crise na segurança pública local. Muitos deles justificam que o pano de fundo seria a guerra entre grupos rivais do tráfico de drogas, que não tem cara que irá frear a curto espaço de tempo.

Para agravar, agora chegou ao coração da cidade, talvez o maior ponto de encontro de manezinhos e turistas. O próprio secretário da Segurança Pública, César Grubba, é um dos frequentadores com colegas promotores. Por que mataram ali? Sem dúvida para afrontar, mostrar força e poder.

O cenário relembra outro momento sangrento vivido entre os anos 2000 e 2002, quando cerca de 100 jovens entre 16 anos e 25 anos foram assassinados em comunidades da Grande Florianópolis. A maioria foi morta a tiros em morros da região central. Era cena comum ver viaturas e carros do IML na Avenida Mauro Ramos.

Houve grande mobilização na época. Foi criada a Delegacia de Homicídios, a primeira do Estado. Ao longo dos anos seguintes, a especializada se tornou referência no esclarecimento dos crimes, com altos índices de resolubilidade.

Hoje, há relatos dos próprios policiais de esvaziamento da estrutura. Promotores afirmam que os números de autoria das mortes já não são os mesmos, num quadro que alimenta a impunidade nas ruas e os bandidos continuam a matar.

O problema é que os crimes estão acontecendo em várias regiões e não são casos isolados. Vão do norte da Ilha de SC ao Continente. O movimento de resposta ainda é tímido das forças estaduais em planos macros para amenizar e resolver a situação. Sem falar no aspecto social e de políticas públicas em comunidades que são dominadas por facções criminosas. O crime do Mercado Público foi um deboche às autoridades e ao Estado.

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