"Eu nunca vi algo assim em Joinville", afirma delegado que investiga chacina - Segurança - A Notícia

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Tragédia07/11/2016 | 21h18Atualizada em 07/11/2016 | 21h19

"Eu nunca vi algo assim em Joinville", afirma delegado que investiga chacina

Dirceu Silveira Junior diz que evidências apontam Roberto Pasquali como único autor

"Eu nunca vi algo assim em Joinville", afirma delegado que investiga chacina Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
"Já surgiram diferentes versões, mas a única que é confirmada pela perícia preliminar e pelas evidências no local é a que aponta Roberto como culpado", diz o delegado Dirceu Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

O delegado responsável pelo caso da chacina de uma família ocorrida no domingo em Joinville, Dirceu Silveira Junior, garante que a linha de investigação aponta para Roberto Pasquali, 24 anos, como autor dos assassinatos. Para Dirceu, os fatos apresentados até o momento são claros: uma testemunha viu Roberto matar o pai e a mãe (antes, matou a mulher e o filho) e todas as evidências na cena do crime confirmam essa versão. Ainda nesta semana, a polícia vai ouvir testemunhas e começar a apurar os fatores que levaram Roberto a cometer os crimes contra a família e a se suicidar.

– Já surgiram diferentes versões, mas a única que é confirmada pela perícia preliminar e pelas evidências no local é a que aponta Roberto como culpado – reforça Dirceu.

Segundo o delegado, não há evidência que leve a polícia a acreditar que o pai teria matado a família, até porque uma testemunha o viu ser assassinado por Roberto. O inquérito policial, informa o delegado, vai tentar apontar as motivações do crime, o que teria levado Roberto a ter esse surto de violência.

– De concreto, o que se tem hoje, e acredito que isso não deva mudar, é que ele foi acometido de um surto de violência, matou os familiares e depois se matou.

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A brutalidade dos crimes chama a atenção até do delegado, que tem mais de 30 anos de atuação na polícia.

Eu nunca vi algo assim em Joinville. Uma tragédia dessa proporção, em ambiente familiar, é sem precedentes. É chocante – afirma Dirceu.

A família foi velada no centro social da igreja matriz de Santa Izabel do Oeste (PR). A polícia deve concluir o inquérito em 30 dias.

Roberto é descrito como pessoa reservada e tranquila

Até a triste manhã do domingo que passou, Roberto Pasquali, 24 anos, nunca havia demonstrado ser uma pessoa violenta, segundo amigos e familiares. Ao contrário: o que se ouvia era a descrição de uma pessoa reservada e tranquila. No domingo, a família estava reunida na casa em que morava, no bairro Aventureiro, em Joinville, preparando um churrasco para o almoço. Foi quando os gritos chamaram a atenção dos vizinhos. Roberto matou, com golpes de faca e com tiros, o filho, Júlio César Pasquali, de três anos; a mulher, Aline Grasiela Dilkin, 25; o pai, Nereu César Pasquali, de 53; e feriu a mãe, Cleci Aparecida Melle Pasquali, de 50, que morreu ontem de madrugada. Depois, tirou a própria vida.

Cleci chegou a ser socorrida e levada para o Hospital São José. Passou por cirurgia ainda na noite de domingo, mas morreu na madrugada desta segunda-feira. Ela apresentava um corte grande no rosto e ferimento feito por arma de fogo na cabeça. O vizinho Jailton Rocha, de 32 anos, foi testemunha da tragédia. Ele roçava a grama de casa quando começou a ouvir os tiros e a gritaria. Os pais de Roberto estavam na garagem da casa, assando a carne para o almoço. O filho, a mulher e o neto estavam dento de casa. Jailton viu Roberto sair da cozinha, esfaquear e atirar no pai e na mãe, antes de se matar.

Surpresa para todos

Para a família, a versão que aponta a Roberto a culpa pelas mortes é dolorosa, difícil de acreditar. Parentes e amigos dizem que Nereu, pai de Roberto, é que seria doente e, algumas vezes, violento.

– Conheço o Nereu há mais de 30 anos. Vi o Roberto nascer e sei que ele não era violento. Para a gente, é difícil acreditar que ele tenha feito uma coisa dessas. Se fosse o pai, teria uma explicação. Por causa da doença, o Nereu às vezes ficava violento, tinha surtos. Mas o Roberto, nunca – conta Leonel da Silva, 53 anos, primo do pai de Nereu.

– O Roberto era calmo, sossegado. Nunca demonstrou que poderia cometer um crime desses – conta Jackson Moura, de 21 anos, primo e sócio de Roberto em uma vidraçaria.

Vizinhos também confirmaram à reportagem que a rotina na casa era tranquila.

O que diz a polícia

  • Todas as evidências no local apontam que Roberto cometeu os crimes e se matou.
  • Ele usou arma branca (faca) e de fogo (revólver .38).
  • As primeiras mortes ocorreram na cozinha da casa: lá, ele teria matado o filho e a mulher. Acredita-se que Roberto matou primeiro o filho, que faria quatro anos no dia 5 de dezembro, na cozinha da casa. Segundo o Instituto Médico legal (IML), a criança apresentava um corte profundo no pescoço e levou um tiro na cabeça. A mulher também foi morta na cozinha, esfaqueada no pescoço e baleada.
  • Roberto saiu em direção à garagem. Segundo a polícia, havia vestígios, marcas de pegadas que evidenciam que somente ele saiu de dentro da casa em direção à garagem. Foi até o pai, que estava no local com a esposa preparando o churrasco. Roberto o colocou de joelhos e o matou com facadas e tiros. De acordo com o delegado, além de essa morte ter sido vista por testemunha, marcas nos joelhos da vítima confirmam a versão.
  • A última vítima de Roberto teria sido a mãe, segundo a testemunha. Ele também a acertou com tiro e facada.
  • Depois, Roberto se matou com um corte profundo no pescoço. Ele também teria marcas de faca no peito.
  • Roberto não tinha antecedentes criminais.

Os próximos passos da polícia

  • Vai ouvir testemunhas e pessoas próximas da família para entender a motivação do crime e descobrir o que poderia ter causado o surto de violência de Roberto Pasquali.
  • Durante o inquérito, o delegado Dirceu Silveira Junior vai tentar traçar o perfil de saúde do pai de Roberto, Nereu Pasquali, para saber se tinha de fato algum transtorno psiquiátrico e, se tivesse, se seria hereditário.
  • Descobrir se as armas que tinham em casa teriam registro e se alguém teria porte de arma.
  • Comparação balística: confirmar se as armas encontradas na cena do crime foram as usadas para matar as vítimas.
  • Aguardar laudos toxicológicos e exames laboratoriais feitos pelo Instituto Médico Legal (IML) que vão comprovar se Roberto teria, por exemplo, ingerido alguma substância que pudesse ter desencadeado o surto.

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