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A Segunda Chance03/09/2015 | 10h24

Especialistas defendem a discussão sobre violência em Joinville

Reportagem de 'AN' que acompanhou um adolescente apreendido durante um ano reforça a reflexão sobre o sistema socioeducativo e se é possível recuperar um infrator

Especialistas defendem a discussão sobre violência em Joinville  Diorgenes Pandini/Agencia RBS
CONFLITO COM A LEI: Adolescente apreendido é personagem de reportagem especial de AN Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

A reportagem especial A Segunda Chance trouxe à tona a discussão sobre o processo de recuperação de adolescentes infratores, o funcionamento e as falhas do sistema socioeducativo, como são aplicadas as medidas por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e mostrou o perfil dos jovens em conflito com a lei. Especialistas reforçam a importância de se discutir a questão da violência na adolescência.

Para o promotor de justiça da área da infância e juventude, Sérgio Ricardo Joesting, o acesso à informação sobre o sistema traz esclarecimentos importantes.

— A falta de informação sobre as medidas socioeducativas leva a população a acreditar que com o adolescente não acontece nada, mas é justamente o contrário, pelo menos aqui em Joinville.

O promotor enfatiza a importância de se discutir o tema nas escolas.

— É importante para eles (adolescentes) começarem a pensar no que fazem e a entenderem que existe consequência dos atos.

Um dos magistrados que procuram levar o trabalho para além do gabinete é o juiz João Marcos Buch, da Vara de Execução Penal, por meio de palestras, publicação de artigos e pelas redes sociais.

— É essencial os agentes públicos de todas as esferas irem até os centros comunitários e organizações não governamentais que trabalham com a questão de jovens adolescentes – diz Buch.

O secretário executivo do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Robson Richard Duvoisin, acrescenta dois pontos de atenção ao sistema. O primeiro deles é a proposta pedagógica oferecida nos centros de atendimento socioeducativos. De acordo com Duvoisin, a metodologia precisa ser reforçada.

— Há a falta de proposta pedagógica, de proposta metodológica para que, após cumprida a medida, o adolescente não volte à prática de crime.

Outro tópico levantado pelo conselheiro é a falta de encaminhamento dos adolescentes dependentes químicos para tratamentos de saúde, independentemente de serem infratores ou não.

— Se não existe encaminhamento para adolescentes em internação é porque não existe para qualquer adolescente.

Para o juiz da Vara da Infância e Juventude, Márcio Rene Rocha, divulgar informações sobre o sistema tem um efeito pedagógico e preventivo. Dessa forma, é possível acreditar que a recuperação é possível.

Clique na imagem para ter acesso ao especial:


A Segunda Chance

A história

Durante mais de um ano, o jornal "A Notícia" acompanhou a história de Perdiz, um adolescente apreendido por assalto à mão armada e internado no sistema socioeducativo de Joinville aos 17 anos, em maio de 2014. Dentro do sistema, ele foi agressivo, participou de uma tentativa de fuga, ficou de castigo e tentou tirar a própria vida.

Mas também foi lá dentro que retomou os estudos e recebeu acompanhamento psicológico e social. No meio do caminho, descobriu que seria pai: um divisor de águas em seu comportamento. Em junho de 2015, aos 18 anos, voltou para casa e ao convívio social.

Agora, Perdiz ganhou o que muitos jovens brasileiros como ele não têm: uma oportunidade para recomeçar. A trajetória dele até aqui indica três possibilidades de final para a história: 1) reintegrar-se à sociedade; 2) reincidir no crime e acabar no presídio; ou 3) virar mais um número na estatística de jovens mortos por envolvimento com a criminalidade. Cabe a ele escolher o caminho do futuro.

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