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Desaparecimento12/11/2013 | 07h03

Polícia Federal de Joinville retomará as investigações do caso Taíza Thomsen

Com o inquérito reaberto, ela poderá explicar os detalhes de sua viagem e levar adiante a denúncia formal contra as pessoas que a convenceram a ir para a Europa

Polícia Federal de Joinville retomará as investigações do caso Taíza Thomsen Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

A Polícia Federal de Joinville vai reabrir a investigação de 2007 que apurava o desaparecimento da ex-miss Brasil Taíza Thomsen.

O inquérito número 44/2007 foi aberto a pedido de familiares pelo então chefe da PF na cidade, delegado Marcos David Salem, e arquivado, sem conclusão, no começo de março, logo depois que Salem e Taíza conversaram por telefone e ela disse, da Europa, que não queria ser encontrada.

Segundo o delegado que está à frente da delegacia em Joinville, Júnior Aparecido Taglialenha, um ofício foi enviado à Vara Criminal da Justiça Federal para reabrir o caso. 

— Temos que olhar o inquérito primeiro, mas é provável que a Taíza seja chamada para depor — disse o delegado, sem adiantar detalhes.

Na época, o delegado Salem, que hoje faz parte da equipe da Embaixada Brasileira na França, chegou a manifestar em reportagens de "A Notícia" que desconfiava da participação de outras pessoas no desaparecimento da joinvilense, mas foi levado a encerrar o caso depois de conversar com ela por telefone.

Com o inquérito reaberto, Taíza poderia explicar oficialmente os detalhes de sua viagem para Londres e levar adiante uma denúncia formal contra as pessoas que a convenceram a ir para a Europa, em 2006. Em entrevista a jornalistas do Grupo RBS, ela sugeriu ter sido vítima, aos 23 anos, de um esquema de aliciamento e tráfico de mulheres. O Ministério Público Federal também deve ser chamado para acompanhar a investigação.

A mulher que pagou as passagens da ex-miss e indicou uma pessoa da Bélgica para recepcioná-la já estaria sendo investigada pela Polícia Federal de São Paulo. A PF não informa o nome dela, nem a fase em que está a investigação.

O advogado de Taíza, Carlos Adauto Virmond Vieira, está viajando e não se manifestou nesta segunda sobre a decisão da Polícia Federal de reabrir o inquérito. Na semana passada, durante a entrevista de Taíza a quatro jornalistas do Estado, Vieira disse que ela é vítima, que teve sua vida destruída e tem todo interesse em esclarecer todos os fatos que envolvem sua saída do País.

O pai de Taíza, Antônio Severina, disse nesta segunda que é importante que essas pessoas sejam identificadas e punidas. Segundo ele, Taíza tem ficado em casa, recebendo o carinho da família.

Para o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil de Joinville não há motivos para interferir nas investigações que foram abertas pela Polícia Federal em 2007, já que trata-se de fatos e suspeitas de crime internacional, portanto, de responsabilidade de órgãos federais.  

Defesa quer aumentar valor da indenização

O advogado Flávio Fernandes Tavares, que defende Taíza Thomsen no processo movido em 2004 contra os organizadores do concurso Miss Brasil, vai pedir uma revisão dos valores de indenização a que a ex-miss ganhou em primeira instância, na Justiça de Minas Gerais.

O valor determinado é de R$ 100 mil, mas a empresa Gaeta Promoções e Eventos entrou com um recurso e o processo está parado no Tribunal de Justiça mineiro desde fevereiro de 2010. 

— Estamos recorrendo para aumentar o valor da indenização que acreditamos que Taíza tem direito. Acreditamos que o valor pode ser muito superior. Tudo depende de se apurar os valores que ela perdeu com diversos contratos que deixou de celebrar, dentre eles, para participar do BBB, para representar o Brasil no Miss Universo, diversos contratos de publicidade, prêmios em jóias, o automóvel que nunca foi entregue, além do valor arbitrado pelos danos morais. Tudo isso, é claro, deve ser corrigido — disse o advogado.
 
Nesta segunda, um dos advogados da Gaeta, Henrique da Costa Pereira, disse que o processo é público e que não deve se pronunciar sobre ele.  Segundo o advogado, a volta da Taíza não influencia em nada no andamento da causa. Nenhum diretor da Gaeta foi encontrado para conversar sobre o caso. Taíza ficou com o título de 2002 depois que a gaúcha Joseane Oliveira foi desclassificada porque era casada.

Além do pedido de indenização por conta da troca do resultado do concurso Miss Brasil 2002, Taíza tem outro processo, movido no ano passado, contra a Editora Três. Uma audiência está marcada, em Joinville, para o dia 26.



Os processos

1) Indenização pelos prejuízos causados com a confusão do concurso Miss Brasil 2002.
O processo foi ajuizado em 2004 contra a empresa Gaeta Promoções e Eventos Ltda, que promoveu o concurso na época. O valor corrigido pode passar os R$ 200 mil. A ação foi ajuizada em 2004, em Minas Gerais, e chegou às mãos do desembargador Maurílio Gabriel em fevereiro de 2010. Desde então, não foi mais movimentado no Tribunal de Justiça mineiro. Segundo o advogado de Taíza, Flavio Fernandes Tavares, o processo deve ser julgado em breve.

2) Em outubro de 2012, Taíza ajuizou uma ação de indenização por danos morais contra a Editora Três, que edita a revista Isto É. Em dezembro do ano passado, o juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Cível, concedeu uma liminar determinando que a editora retirasse da internet uma reportagem envolvendo o nome de Taíza. O mérito do processo ainda não foi julgado. O advogado é Carlos Adauto Virmond Vieira, de Joinville. O processo tem uma audiência marcada para a tarde do próximo dia 26.


Vídeo: Taíza conta como foi reencontrar o pai:



Vídeo disponível também no YouTube

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