"Sir" Victor Fontana - Política - A Notícia

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Moacir Pereira06/12/2017 | 03h00Atualizada em 06/12/2017 | 03h00

"Sir" Victor Fontana

Ex-vice-governador foi sempre um ser especial no trato com todas as gerações, raças e classes sociais. 

"Sir" Victor Fontana Moacir Pereira/Moacir Pereira
Foto: Moacir Pereira / Moacir Pereira

Quando o editor Nelson Rolim de Moura aprovou o projeto sobre livro biográfico do ex-vice-governador Victor Fontana, para homenageá-lo quando completasse 90 anos, a pauta se concentrava nos feitos pioneiros da verdadeira revolução que promoveu na agricultura catarinense. Já se conheciam os avanços na criação de aves e suínos e nas tecnologias inovadoras que introduziu no Oeste, a partir da Sadia, de Concórdia, para promover uma histórica expansão no agronegócio, hoje um dos mais poderosos dínamos da economia catarinense.

Durante semanas e meses, todos os dias, a partir das 9h, Fontana compareceu em minha residência para gravar as entrevistas que resultariam na publicação do livro. Foram pelo menos 50 horas de gravação e uma sucessão de revelações sobre a Sadia, a agricultura, Santa Catarina, a situação dos colonos, as políticas de incentivo à agricultura familiar. Mais do que isso, as conversas ilustrativas de uma memória notável sobre história, economia e literatura. Incrível: aos 89 anos, Victor Fontana declamava, em espanhol, parágrafos inteiros de Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Repetia trechos de rara beleza deste clássico mundial quando o solitário cavaleiro se referia à sua Dulcinéia.

Familiares e amigos que tiveram o privilégio de cumprimentá-lo nas merecidas homenagens pelos 101 anos, há apenas quatro meses, testemunharam algumas singularidades. Fino e como um nobre da corte, circulava entre as diversas mesas de convidados. Fazia questão de, com invejável humor e lucidez, render tributos personalizados aos convidados. E, para espanto geral, recitava as partes de Dom Quixote que mais admirava. Um fenômeno.

Criador do sistema de integrados, que preservou e fortaleceu o modelo de criação e produção agrícola catarinense, costumava enfatizar que o colono precisa de renda. "Sem renda, ele e sua família vão para a cidade",  repetia à exaustão como vice ao governador Esperidião Amin.

Nosso último contato foi casual, mas reveladoramente vitoriano. Encontrei-me no Ceisa Center com o ex-deputado Otávio Gilson dos Santos. Disse que iria visitar Victor Fontana em seu escritório no Edifício Ildefonso Linhares. Fiz questão de acompanhá-lo. E lá estava o sempre alegre Victor folheando documentos e transferindo tarefa à leal secretária.

Inteligente, amável, solícito, espirituoso, culto, elegante e generoso, tinha um jeito simples de dialogar com os amigos. Chamava-os carinhosamente  de "guri". E esmerava-se nos aconselhamentos.

Victor Fontana dignificou o gênero humano. Foi sempre um ser especial no trato com todas as gerações, raças e classes sociais. A Coroa Britânica costuma conferir aos ingleses que se destacam em todas as atividades o título de "Sir". Laurence Olivier, Elton John, Paul McCartney, Sean Connery, entre outros, são considerados "Cavaleiros de Honra".    

"Sir" Victor Fontana merecia integrar esta galeria.

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