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Política11/11/2017 | 10h00Atualizada em 12/11/2017 | 16h35

Os caminhos da aliança que mudou a política de SC

PMDB, PSD e PSDB debatem candidaturas próprias ou manutenção da coligação criada em 2006

Os caminhos da aliança que mudou a política de SC Arte / Diário Catarinense/Diário Catarinense
Foto: Arte / Diário Catarinense / Diário Catarinense

Diz a lenda que a mais bem sucedida aliança da política catarinense contemporânea nasceu em uma viagem de carro de Florianópolis a Joinville em 2006, às vésperas da definição das candidaturas. Teria sido no trajeto que o governador Luiz Henrique da Silveira e o ex-prefeito lageano Raimundo Colombo acertaram os termos da até então improvável coligação entre PMDB e PFL. Poucos dias depois, o PSDB se somaria ao projeto, completando uma formação que se mostrou imbatível nas urnas: a tríplice aliança.

Passados 11 anos da carona que tirou os pefelistas (hoje abrigados no PSD) da órbita do PP de Esperidião Amin e criou a composição política que até hoje governa o Estado, Colombo caminha para o fim do seu segundo mandato como governador e Luiz Henrique, morto em 2015, não está presente para articular a continuidade da aliança. Cenário que encaminha o fim da histórica composição.

Pré-candidatos a governador e presidentes estaduais de seus partidos, Gelson Merisio (PSD) e Mauro Mariani (PMDB) operam pelo fim da coalizão, enquanto o PSDB afirma que terá candidato – o senador Paulo Bauer e o prefeito blumenauense Napoleão Bernardes são os nomes mais citados. De todos, Merisio é o mais enfático sobre o que chama de "fim de ciclo".

– Eu não tenho certeza de quem serão meus aliados, mas tenho certeza de que o adversário será o PMDB – diz o deputado estadual.

Mariani não rejeita a aliança, mas tem dito que ainda é cedo para tratar de composições. Em 2014, no entanto, ele foi contra manter a aliança que reelegeu Colombo e é visto internamente como um entrave à coligação. Sobre o tema, ele diz acreditar na continuidade da coalizão, com "serenidade, paciência e espírito público".

Entre os tucanos, o sentimento é de que chegou a vez do partido liderar o bloco. O PSDB apoiou Luiz Henrique em 2002 e 2006 e estava na primeira eleição de Colombo, em 2010. Na última disputa, lançou Bauer ao governo para garantir palanque a Aécio Neves (PSDB), candidato a presidente. O partido voltou a participar do governo estadual apenas no início de 2017, quando os deputados estaduais Leonel Pavan e Vicente Caropreso passaram a integrar o secretariado.

– O PSD já foi grato ao PMDB, que já foi grato ao PSD. Falta a gratidão deles com o PSDB. A decisão de termos candidato a governador não tem mais volta – diz o deputado estadual Marcos Vieira, presidente do PSDB-SC.

Nas três siglas há quem
acredite na composição

Mesmo com os partidos encaminhando projetos próprios, nas três siglas há quem acredite na manutenção da aliança – e trabalhe por isso. A volta do ex-deputado estadual Júlio Garcia à política partidária após sua aposentadoria como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, na última segunda-feira, é vista como um alento. Quando presidente da Assembleia, Garcia foi um dos articuladores da aproximação entre o PFL e o PMDB.

– As chances melhoraram muito. O paciente voltou a respirar. E o remédio é o Udo Döhler – afirma um peemedebista, em referência à possibilidade do prefeito joinvilense entrar no jogo sucessório.

No final de outubro, uma comitiva de seis prefeitos peemedebistas do Sul do Estado, liderados por Murialdo Gastaldon, de Içara, foi a Joinville encontrar Döhler para estimular sua candidatura. O joinvilense tem sido cuidadoso ao falar do tema, especialmente depois de Mariani ter recebido o apoio oficial do vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB).

No PSD também há defensores da composição e o nome de Döhler é visto com simpatia. O próprio Colombo estaria no grupo. A aliança deixaria o cenário para sua eleição ao Senado mais tranquila. Nesse arranjo, a vaga de vice-governador e a segunda candidatura a senador poderiam ser cedidas aos tucanos. Para isso é preciso convencer Mariani a abrir mão da candidatura, o que ele vem rejeitando com veemência.

Se a fórmula original da tríplice aliança não for consumada, outra pode estar em gestação. Em seu projeto, Gelson Merisio conta com o apoio do PP – definido na convenção do partido – e sonha em trazer os tucanos em troca de suporte à candidatura presidencial.

– Precisamos respeitar o tempo. O PSDB tem um pré-candidato bem posicionado, que disputou a última eleição, e tem também um projeto nacional – diz.

A outra opção seria o apoio dos pessedistas a Paulo Bauer, com Merisio abrindo mão da candidatura. Nesse caso, o PSD indicaria o vice, que poderia ser ele ou o deputado federal João Rodrigues.

Histórico da tríplice aliança

2006
PMDB, PSDB e PFL tinham pré-candidatos ao governo. O governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e o senador Leonel Pavan (PSDB) postulavam o cargo, e o PFL apostava no prefeito lageano Raimundo Colombo como um nome de oposição. Sem o apoio do PP do ex-governador Esperidião Amin ao projeto, os pefelistas aceitaram o convite de Luiz Henrique para indicar o candidato ao Senado. Isolado, Pavan aceitou ser o vice na chapa. Estava formada a tríplice aliança e todos foram eleitos.

2010
O compromisso de LHS para unir os três partidos era de que eles teriam condições de preparar suas candidaturas em 2010. Aos nomes de Colombo e Pavan, somou-se como pré-candidato o ex-vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB). Em março, o tucano assumiu o governo com a renúncia de LHS para concorrer ao Senado e o DEM (novo nome do PFL) deixou o governo para fortalecer Colombo. Depois de vencer Dário Berger na prévia do PMDB, Pinho Moreira abriu mão de concorrer e tornou-se vice de Colombo. A cúpula nacional do PSDB forçou Pavan a desistir da disputa para garantir o apoio à candidatura presidencial de José Serra (PSDB). Colombo e Pinho Moreira foram eleitos, com LHS e Paulo Bauer (PSDB) no Senado.

2014
O cenário nacional desfez a tríplice aliança. Aliado à presidente Dilma Rousseff (PT), o governador Raimundo Colombo (agora no PSD) abriu mão dos tucanos e tentou substituí-los pelo PP na chapa. A resistência do PMDB impediu a composição. A chapa Colombo/Pinho Moreira venceu o tucano Paulo Bauer em primeiro turno e o PMDB conquistou uma vaga no Senado com Dário Berger. No início de 2017, Colombo trouxe o PSDB de volta para o secretariado e tem afirmado que pretende apoiar Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência.

Chapas especuladas para 2018

- Tríplice aliança com os partidos originais

Udo Döhler (PMDB), governador
Napoleão Bernardes (PSDB), vice-governador
Raimundo Colombo (PSD), senador
Paulo Bauer (PSDB), senador

- Tríplices alianças alternativas

Gelson Merisio (PSD), governador
Angela Amin (PP), vice-governadora
Raimundo Colombo (PSD), senador
Paulo Bauer (PSDB), senador

Paulo Bauer (PSDB), governador
João Rodrigues (PSD), vice-governador
Raimundo Colombo (PSD), senador
Esperidião Amin (PP), senador

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