Atenção, Merisio e Mariani: os aliancistas estão chegando - Política - A Notícia

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Upiara Boschi25/11/2017 | 06h01Atualizada em 25/11/2017 | 06h01

Atenção, Merisio e Mariani: os aliancistas estão chegando

Eles são discretos e silenciosos. Moram bem longe do sentimento das bases partidárias. Escolhem com carinho a hora e o tempo de seu precioso trabalho. Os aliancistas estão chegando, estão chegando os aliancistas. 

Aliancistas — parodiando os alquimistas de Jorge Ben — são as lideranças que querem manter unida a coalizão entre PSD e PMDB que governa o Estado desde 2007 e que está ameaçada pelas pré-candidaturas de Gelson Merisio (PSD) e Mauro Mariani (PMDB) ao governo em 2018. 

O pessedista foi o primeiro a sentir os movimentos dessa ação mais ou menos orquestrada. Insuflado pelo ex-conselheiro Julio Garcia e com a bênção discreta do governador Raimundo Colombo (PSD), o deputado federal João Rodrigues foi colocado na sala como pré-candidato alternativo do PSD. Um entrave à estratégia principal de Merisio, a do fato consumado. Agora há disputa e nela Colombo poderá se colocar como árbitro, posição em que se sente mais confortável. 

Quem colocou Rodrigues na sala acha que é mais fácil convencê-lo a ceder a cabeça-de-chapa ao PMDB. Resta saber se ele é controlável — em 2014, quem usou Dário Berger (PMDB) como bode na sala para espantar o PP da aliança acabou precisando conviver com ele no Senado

O próximo alvo dos aliancistas é óbvio:  Mauro Mariani, outro empecilho à reedição da coalização governista. O nome dos sonhos de um consistente grupo de peemedebistas é o prefeito joinvilense Udo Döhler (PMDB). Mais por pragmatismo do que por peemedebismo, diga-se de passagem. O industrial que virou prefeito é visto como um nome mais palatável ao eleitorado em um momento de desgaste generalizado da classe política. Mais palatável também aos pessedistas, por ter um perfil menos partidário. 

Os operadores de desgaste de Merisio também entrarão em ação em relação a Mariani - seja insuflando, seja com bênçãos discretas. Pela necessidade de renunciar à prefeitura, Döhler tem um calendário com data final em abril. De Joinville, manda sinais de que está disposto a concorrer e até mesmo a disputa de prévias, descartada meses atrás, agora entra no horizonte. 

Para isso, o PMDB teria que antecipar suas escolha para março, dando ao joinvilense a possibilidade de encarar Mariani sem abandonar a prefeitura inutilmente em caso de derrota. O precedente existe: em 2010, o então presidente PMDB-SC e pré-candidato Eduardo Pinho Moreira aceitou o pedido de Dário Berger, ainda prefeito de Florianópolis, de realizar em março a prévia. Naquela época, Mariani apoiou Dário. Seria uma retribuição de gentileza, pode-se dizer. 

Pelo que construíram até aqui, Merisio e Mariani têm condições plenas de resistir à ação dos aliancistas e manter em pé suas candidaturas. Têm força nas bases e contam com o desgaste de uma aliança longeva, que já apresenta dificuldades de unificar discursos. São e serão cobrados por viabilidade eleitoral - desempenho em pesquisas, outros partidos já integrados ao projeto. Certo é que há um mês o cenário eleitoral de 2018 parecia prematuramente desenhado. Agora, ganhou incertezas que devem perdurar pelos próximos meses. 

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