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Moacir Pereira15/09/2017 | 02h15Atualizada em 15/09/2017 | 02h15

Prisão de reitor abala a UFSC

Os vice-reitores e diretores de centro se mobilizaram para preservar o funcionamento da instituição, mesmo sem o reitor e sua vice, que se encontra no México

Prisão de reitor abala a UFSC Cristiano Estrela/Diário Catarinense
Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Professores, servidores e alunos da Universidade Federal de Santa Catarina, como de resto toda a população, estão perplexos com a prisão do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo pela Polícia Federal, na execução da Operação Ouvidos Moucos.

Autorizados pela Justiça Federal, os agentes cumpriram mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em Florianópolis, Brasília e Itapema, tudo relacionado ao programa Universidade Aberta do Brasil, ensino a distância de formação de professores.

Fato inédito na história dos 57 anos da UFSC, a prisão se transformo no fato do dia e até mais impactante, pelas repercussões nacionais e até internacionais, do que a Operação Moeda Verde, realizada há mais de 10 anos.

A Polícia Federal investiga decisões do reitor de avocar processos administrativos que apuraram exatamente desvios de professores e servidores nos recursos da Capes para manutenção do projeto de ensino a distância.   Os assessores de Cancellier alegam que ele avocou os processos, em nome da autonomia universitária, para que as denúncias fossem apuradas pelos órgãos de auditoria da própria UFSC.  As investigações eram presididas por Rodolfo Hickel do Prado, da Advocacia-Geral da União em Florianópolis e representando a Controladoria-Geral da União na UFSC. A Reitoria alega que ele foi nomeado na gestão da reitora Roselane Neckel e tinha uma atuação partidária e ideológica que prejudicava a atual gestão.

De acordo com a Reitoria, a Capes já não transferia recursos desde 2016, quando a UFSC passou a bancar o programa com recursos próprios.

Os vice-reitores e diretores de centro se mobilizaram para preservar o funcionamento da instituição, mesmo sem o reitor e sua vice, que se encontra no México. O objetivo é evitar mais prejuízos à universidade.

Defesa
O chefe de gabinete do reitor Luiz Carlos Cancellier, professor Áureo Moraes, confirma que processos administrativos foram avocados efetivamente pela Reitoria porque possuíam irregularidades. O reitor invocou a legislação que garante autonomia universitária para estes procedimentos. E questionava o caráter ideológico do Controlador-Geral da União, Ricardo Hickel do Prado, indicado pela gestão anterior.

Os nomes
A delegada Érika Marena, que preside o inquérito sobre desvio de verbas no programa "Universidade Aberta do Brasil",  da UFSC, é autora do nome "Lava-Jato", a maior operação contra a corrupção da historia brasileira e mundial. Outras fases da investigação tiveram nomes muito apropriados, por sua conhecida criatividade intelectual.  A Operação Ouvidos Moucos indica que o principal investigado, o reitor Luiz Carlos Cancellier,  ficou surdo diante de denúncias de irregularidades no ensino a distância.

A proibição
Além do impacto estadual e nacional provocado pela prisão do reitor, a decisão da juíza Janaina Cassol Machado, da 1ª Vara da Justiça Federal de Florianópolis, decretou seu afastamento cautelar das funções públicas e a proibição de que ele e outros cinco presos venham a exercer qualquer outro cargo público. Mais grave: o reitor e os outros cinco detidos estão proibidos de entrar na UFSC e ter acesso a qualquer material do Universidade Aberta.

Reitores
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, estará em Santa Catarina no início de outubro.  Estará em Balneário Camboriú para proferir conferência no Fórum do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras no dia 2 de outubro. Durante o evento, que ocorrerá no campus da Univali em Balneário Camboriú,  será conferida a Comenda do Mérito Acadêmico das Universidades Brasileiras.

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