Gravação que pode comprometer delação da JBS inclui citação ao governador Raimundo Colombo - Política - A Notícia

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Lava-Jato05/09/2017 | 17h42Atualizada em 05/09/2017 | 21h02

Gravação que pode comprometer delação da JBS inclui citação ao governador Raimundo Colombo

Executivo lamentou ter que incluir governador catarinense e Beto Richa (PSDB-PR) no acordo que seria fechado com PGR: "coitadinhos"

A gravação que pode comprometer o acordo de delação premiada dos executivos da JBS inclui uma citação ao governador Raimundo Colombo (PSD). No diálogo com Joesley Batista, um dos donos da holding J&F, o ex-diretor de relações internacionais do grupo, Ricardo Saud, lamentou a inclusão do catarinense entre os políticos citados por receberem propinas da empresa.

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Na conversa de quatro horas, Joesley e Saud traçam as estratégias para o acordo de delação de forma informal, em meio a outros assuntos. No trecho que cita Colombo, o ex-executivo diz que "questão é ter que jogar esses amigos tudo no fogo. Os governador (sic), coitadinhos". Em seguida cita os pagamentos supostamente feitos ao catarinense e ao governador Beto Richa (PSDB), do Paraná. 

No que seria o caso de Colombo, Saud diz ter feito a entrega de dinheiro ao ex-secretário da Fazenda, Antonio Gavazzoni (PSD), nome também citado por Joesley. Pelo diálogo, teriam sido diversos encontros no Rio de Janeiro, com pagamento feito em um supermercado — a versão contrasta com a da delação celebrada posteriormente, quando Saud afirma que o ex-secretário ou um intermediário teriam recebido os recursos em Florianópolis.

— Lá no Rio. Eu fui lá umas quatro vezes e o Florisvaldo umas três - disse, em referência a Florisvaldo Caetano de Oliveira, que foi conselheiro fiscal da JBS entre 2007 e 2016 — diz Saud a Joesley na gravação divulgada nesta segunda-feira.

Desde que o conteúdo da delação foi divulgado, em maio, o governador Raimundo Colombo nega ter recebidos recursos além dos R$ 8 milhões declarados à Justiça Eleitoral e a diz que não houve pedido de contrapartida pela JBS. Presente a um evento em Imbituba na tarde desta terça-feira, Colombo refutou relação de amizade com executivos da JBS e reafirmou sua posição.

— Não assisti (a gravação), eu estava viajando. Mas o que posso falar de forma clara, verdadeira, absolutamente sincera é que a JBS fez uma doação para o diretório nacional do partido, que transferiu para o diretório estadual. Dentro da lei, com absoluto critério. Nada é além disso, eu garanto a vocês. Isso está ficando claro pelo comportamento das próprias pessoas. Não coloquem a gente nessa vala comum porque isso a gente não merece, não é justo — disse o governador.

Gavazzoni também ja havia negado ter recebido dinheiro da JBS na época da divulgação das delações. Nesta segunda-feira, questionou a seriedade das falas dos delatores.

— Essas gravações escancaram a falta de seriedade com que foram produzidas essas delações. São dois criminosos misturando nomes e casos, enlameando nomes e reputações. Deveriam estar presos — afirmou.

Ao jornal paranaense Gazeta do Povo, o PSDB-PR disse que o governador Beto Richa "jamais fez captação de recursos para campanhas eleitorais" e que a campanha dele à reeleição em 2014 recebeu duas doações oficiais da JBS, uma de R$ 1 milhão e a outra de R$ 1 mil, ambas declaradas na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral. Procurado anteriormente, Richa havia dito que o partido se manifestaria.

A citação a Colombo e Richa está no final da conversa que durou quatro horas. No trecho, Joesley e Saud falam da intenção de preservar nas delações os supermercados e compradores que teriam participado das transações, além de "uns quatro ou cinco amigos", mas ressaltam que "não tem jeito de contar a história sem os caras (...) mais fortes".

A delação premiada dos executivos da JBS foi concretizada em maio. Ao Ministério Público Federal, dentro do acordo, Saud relatou que a empresa contribuiu com R$ 10 milhões para a campanha do governador Raimundo Colombo à reeleição em 2014 — parte de forma oficial e parte através de caixa 2. A JSB teria interesse na venda da estatal Casan, dentro do projeto de abrir uma empresa na área de saneamento.

No acordo, os executivos JBS afirmaram ter pago propinas a 1.829 políticos eleitos em todas as esferas da República e apresentaram gravações com o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador mineiro Aécio Neves (PSDB). O caso sofreu uma reviravolta na segunda-feira, quando o procurador-geral Rodrigo Janot anunciou que o acordo será revisado por causa da descoberta da conversa gravada entre Joesley e Saud. O áudio era parte de uma série de quatro gravações no anexo referente ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo Janot, essa gravação traz indícios "muito graves" de crimes e tem potencial para anular o acordo — embora não a validade das provas apresentadas.

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