Reforma política: o distritão é uma solução simples e equivocada - Política - A Notícia

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Upiara Boschi24/07/2017 | 03h01Atualizada em 24/07/2017 | 15h15

Reforma política: o distritão é uma solução simples e equivocada

Assunto entra na pauta do Congresso em agosto, quando os parlamentares retornam do recesso

Chama-se distritão a mais perigosa das mudanças propostas para a reforma do sistema político-eleitoral brasileiro. Seu maior perigo é justamente o apelo. No distritão a eleição para deputados federais, estaduais e vereadores deixa de ter qualquer fórmula e passa a ser feita pelo mais óbvio e compreensível critério: os mais votados se elegem. Diferentemente de todas as artimanhas boladas nos bastidores do Congresso Nacional para livrar a classe política do (mau) humor do eleitorado em 2018, esta pode contar com apoio popular. Eis o grande risco.

A cada eleição o atual sistema eleitoral é exatamente questionado nesse ponto. A maior parte dos eleitores entende como injusto que candidatos mais votados não sejam vitoriosos por terem menos votos em suas legendas. As justificativas de que o sistema fortalece os partidos em detrimento de personalismos surge aos ouvidos do mundo real como politicagem.

Há alguns meses, deputados federais e senadores tentaram emplacar na surdina o voto por lista fechada — aquele em que o eleitor tem acesso à lista de candidato dos partidos, já na ordem de quem se elege primeiro, e apenas pode votar na sigla que prefere. A reação foi rápida. Seria uma forma de caciques políticos se perpetuarem no poder manipulando as tais listas partidárias. Para a opinião pública, seria cassado o direito do eleitor de escolher seu candidato. A ideia foi para a lata do lixo por falta de apelo popular.

Na prática, o óbvio e compreensível distritão tem efeitos muito mais nocivos do que aqueles atribuídos à maquiavélica lista fechada. Em uma eleição em que simplesmente os mais votados se elegem, todos os candidatos a deputado precisariam ampliar seu perímetro de campanha – provavelmente, buscar votos em todo o Estado. Com isso, teríamos campanhas mais caras, eleitos ainda mais distantes dos eleitores. 

Outro efeito: os partidos lançariam menos candidatos, porque não seria mais necessário ter nomes de votação média para completar legenda. Menos candidatos, menos opção de escolha, menos surpresas. Reforma política virou um bordão, um slogan. Todos concordam que é necessária, mas cada um tem a sua. O maior problema para a formação de consensos é justamente a dificuldade de tornar compreensíveis os novos modelos. A facilidade de traduzir o distritão ao público será uma bênção para quem está no poder. Não é à toa que esse era o sistema que Michel Temer e Eduardo Cunha defendiam em 2015.

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