Lideranças decretam fim do armistício do PMDB catarinense - Política - A Notícia

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Upiara Boschi26/06/2017 | 18h24Atualizada em 26/06/2017 | 20h06

Lideranças decretam fim do armistício do PMDB catarinense

Tropa de farpas entre Eduardo Pinho Moreira, Mauro Mariani e Dário Berger reabre disputa pela candidatura ao governo ano que vem e dá fim ao período de paz selado após a morte de Luiz Henrique em 2015

Juntos somos mais fortes. Essa é a frase do bordão que o PMDB catarinense adotou nos últimos anos. Curiosamente, depois da morte do cacique Luiz Henrique da Silveira (PMDB) em maio de 2015, um improvável armistício entre as principais lideranças do partido no Estado foi colocado em prática. Gestos de conciliação foram praticados e as brigas, se não acabaram, deixaram de acontecer em praça pública.

A proximidade da definição sobre a candidatura do partido ao governo do Estado parece ter colocado fim ao armistício. Nos últimos dias, Mauro Mariani, Eduardo Pinho Moreira e Dário Berger utilizaram o mesmo espaço, entrevistas na coluna do colega Moacir Pereira, para trocar farpas e retomar a época em que eles mediam forças em público à espera da intervenção decisória do hoje ausente Luiz Henrique.

Em 2015, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira ouviu o conselho de LHS em seu último encontro: "és o pau da barraca, para de brigar". Desistiu de mais um confronto contra o deputado federal Mauro Mariani, que insistia em ter a presidência estadual do partido como forma de se colocar no tabuleiro sucessório. Desde 2010, Mariani e o hoje senador Dário Berger enfrentavam o poder do vice nas disputas internas do partido. Foram derrotados nas disputas pela presidência estadual, na prévia Moreira/Dário de 2010 e na votação pela continuidade do apoio ao governador Raimundo Colombo (PSD) em 2014. Venceram ao emplacar a candidatura de Dário ao Senado, enterrando a articulação para que o PP tivesse a vaga.

O armistício serviu para solidificar o discurso da candidatura própria do PMDB em 2018, mas em algum momento teria de ser levantado. A geografia interna do partido mais uma vez deve opor os grupos ligados a Moreira e a Mariani/Dário. Desta vez, o cenário parece diferente dos tempos em que o vice era considerado o pau da barraca peemedebista. Mariani tem o apoio fechado de praticamente toda a bancada federal, o endosso público de Dário e abre espaços entre os deputados estaduais - antigo bunker de Moreira.

Talvez venha daí o tom que o vice-governador tem usado. Em diversas entrevistas e notas de coluna, insinua que pode abrir mão de assumir o governo do Estado quando Colombo renunciar para concorrer a senador. Na entrelinhas, a pressão para que o pessedista aceite antecipar a saída do cargo de abril para janeiro, dando a Moreira tempo e tinta na caneta para se viabilizar candidato a governador. Em abril, o jogo estará jogado. O nome do prefeito Udo Döhler também tem sido usado diversas vezes por ele como opção - composição que dependeria de uma antecipação da prévia, como Dário teve direito quando era prefeito de Florianópolis e temia renunciar por nada.

Semana passada, Moreira esteve na Assembleia e conversou com os deputados do partido. Disse que poderia ser candidato ao governo, ao Senado, a deputado ou até completar o mandato e voltar para casa em Criciúma. Ouviu a pergunta "o que você quer?" e não deu uma resposta clara. Talvez ainda dependa da resposta de Colombo para poder dar essa resposta.


 
 
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