Colombo e os chamados do Planalto - Política - A Notícia

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Upiara Boschi15/06/2017 | 06h02Atualizada em 15/06/2017 | 15h26

Colombo e os chamados do Planalto

Ao participar do jantar promovido por Michel Temer para os governadores, catarinense repete o gesto de dezembro de 2015 quando atendeu ao chamado da ex-presidente Dilma Rousseff

Muitas vezes a política opera em ciclos irônicos. Em 8 de dezembro de 2015, a então presidente Dilma Rousseff (PT) quis dar uma demonstração de força seis dias após Eduardo Cunha (PMDB-RJ) autorizar a abertura do processo que culminaria no impeachment. A presidente convocou os governadores para uma reunião em Brasília . O catarinense Raimundo Colombo (PSD) era um dos 16 presentes e até assinou, meio encabulado, um manifesto em defesa da continuidade de Dilma no cargo.

Colombo vai a jantar de Temer e defende continuidade do presidente até 2018

Na noite de segunda-feira, o presidente Michel Temer (PMDB) usou do mesmo expediente. Fragilizado após a famosa conversa gravada com o empresário Joesley Batista (JBS), salvo da cassação no Tribunal Superior Eleitoral por um manobra jurídica e batendo recordes de impopularidade, decidiu chamar os comandantes dos Estados. Dos 27 convidados, apareceram 14 governadores e quatro vices. Colombo estava lá, mais uma vez.

O governador catarinense tem algumas frases típicas que ajudam a entender seu comportamento político. Uma delas é conhecida do eleitor desde a campanha de 2010: "Briga política não constrói hospital, creche, estrada". É na mediação dos conflitos que Colombo gosta de operar, não no confronto. Nesse contexto deve ser entendida a lealdade a Dilma e a Temer em seus piores momentos.

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Quando ficou claro que a petista havia perdido as condições de governabilidade, o catarinense evitou a adesão ao impeachment defendendo a tese de eleições gerais - inclusive para o próprio cargo. Era abril de 2016, um mês antes do Senado aprovar o afastamento de Dilma. A partir de então, Colombo desembarcou da tese das eleições antecipadas e pediu que fosse dado um crédito a Michel Temer. Logo no início da gestão peemedebista foi viabilizado o acordo de renegociação das dívidas dos Estados, com benefícios para Santa Catarina, e o governador voltou de Brasília visivelmente satisfeito com a condução dada por Temer ao caso.

Há diferenças importantes nos dois casos, é claro. Havia na relação entre Colombo e Dilma certa admiração - expressada publicamente mesmo nos piores momentos. Da ligação que construíram, resultaram os cerca de R$ 9 bilhões em financiamentos viabilizados pelo Planalto e que se tornaram o Pacto Por Santa Catarina. Outras ações de cooperação entre os governos federal e estadual na época marcaram o discurso de Colombo em apoio a Dilma no segundo turno da eleição presidencial em 2014. A palavra "gratidão" encerrava todos os trechos do discurso.

A relação de Colombo com Temer sempre foi mais distante. O pessedista não guarda boas memórias da convivência no Congresso, quando deputado ou senador, com a atual cúpula do governo federal. Pragmático, mantém cordial relação política. Temperada, agora, por uma coincidência gerada pelas delações premiadas: ambos têm na JBS o inimigo público número um.  

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