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Deliberação01/06/2017 | 10h26Atualizada em 01/06/2017 | 10h26

Bancada do PSDB pede saída do governo Temer

Proposta vem dos "cabeças pretas", ala mais jovem da bancada na Câmara, mas também tem apoio de deputados mais experientes

Bancada do PSDB pede saída do governo Temer Gustavo Lima / Câmara dos Deputados/Câmara dos Deputados
Deputado Daniel Coelho (PSDB-PE) apoia que deliberação do partido ocorra na próxima terça-feira Foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados / Câmara dos Deputados
Estadão Conteúdo
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Parlamentares do PSDB na Câmara dos Deputados pressionam a cúpula da legenda para decidir na próxima terça-feira (6), primeiro dia do julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a saída do partido da base aliada. 

A proposta vem dos "cabeças pretas", ala mais jovem da bancada, mas também tem o apoio de deputados mais experientes, que avaliam não haver mais condição de a legenda continuar apoiando o governo, independentemente do resultado final do julgamento do TSE. A ideia é que o PSDB não espere a decisão da Corte para se posicionar.

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De acordo com cálculos de tucanos, dos 46 deputados do partido, 27 são a favor de a legenda abandonar a base aliada de Temer e 12 estariam indecisos. Outros sete são contrários.

Os deputados que rejeitam a permanência no governo articulam uma votação na bancada para tratar do tema logo após a leitura do parecer do ministro Herman Benjamin, relator da ação na corte eleitoral. O grupo quer também buscar o apoio de senadores — cinco dos 11 teriam sinalizado ser a favor da saída. Além da votação, eles pressionam para que os ministros tucanos entreguem seus cargos.

A avaliação nessa ala é de que Temer está em uma situação de "equilíbrio instável" e que o voto do relator seria suficiente para deixar a base, em uma tentativa de evitar mais desgaste nas eleições de 2018.

— No momento em que o partido decidir deliberar, sou a favor de entregar os cargos, mas manter a agenda de reformas — defendeu o deputado Daniel Coelho (PSDB-PE), um dos "cabeças pretas" que apoiam a deliberação na terça-feira. — Não podemos estar junto de um grupo que não busca o esclarecimentos dos fatos — disse.

O líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (SP), evitou falar em números, mas confirmou que a bancada tucana está dividida em três grupos.

O primeiro é formado por aqueles que defendem desembarque imediato do governo Temer. O segundo quer que os quatro ministros do PSDB entreguem os cargos e que a legenda continue apoiando as principais medidas econômicas propostas pelo governo. O terceiro é composto por tucanos que desejam ficar no governo.

Tripoli afirmou que a bancada vai "monitorar" o cenário político. 

— Vamos fazer reuniões de bancadas nestes dias. Se vamos tomar alguma decisão pelo desembarque, não posso dizer agora. Mas não faremos nada sem informar antes o presidente Tasso Jereissati, que tem sido muito correto conosco — afirmou o líder do PSDB.

Área de influência do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o diretório estadual do PSDB paulista também discute o desembarque do governo Temer. O órgão marcou para a próxima segunda-feira (5), véspera do início do julgamento sobre a cassação da chapa Dilma-Temer, uma reunião ampliada que deve terminar com um pedido para que o partido deixe cargos e entregue ministérios.

Essa pelo menos é a expectativa do deputado estadual Pedro Tobias, presidente da legenda. 

— Não podemos empurrar essa situação indefinidamente. O baixo clero precisa ser consultado — disse.

O encontro começou a ser articulado após os caciques do PSDB nacional sinalizarem que podem procrastinar uma decisão sobre a permanência no governo federal ou mesmo permanecer ao lado de Temer até que ele esgote as possibilidades de recursos no TSE e também no Supremo Tribunal Federal (STF).

Além da executiva do partido em São Paulo, Tobias também convocou todos os deputados federais, estaduais, senadores e prefeitos do PSDB do Estado para debater a situação do governo Temer. A ideia é criar uma "panela de pressão".

Na semana passada, os tucanos paulistas se reuniram no diretório e a tendência era pedir a renúncia de Temer, mas Alckmin, em sintonia com a cúpula tucana, barrou a iniciativa. Outro ponto da pauta será a situação do senador afastado Aécio Neves (MG) no partido.

A reportagem apurou que Tobias e outros dirigentes defendem a expulsão dele do PSDB. Hoje, Aécio é presidente licenciado do partido, comandado por Tasso Jereissati. O senador afastado nega que tenha cometido crimes

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