Parlamentares catarinenses são cautelosos quanto ao futuro do país após denúncia contra Temer - Política - A Notícia

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Política18/05/2017 | 11h25Atualizada em 18/05/2017 | 21h31

Parlamentares catarinenses são cautelosos quanto ao futuro do país após denúncia contra Temer

Reportagem do DC ouviu bancada de SC na manhã desta quinta

Parlamentares catarinenses são cautelosos quanto ao futuro do país após denúncia contra Temer DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Denúncia contra Temer levou manifestantes para a frente do Palácio do Planalto Foto: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO CONTEÚDO

A manhã é extremamente agitada em Brasília. A maior parte dos senadores e deputados federais catarinenses participa de reuniões e avaliações do futuro do país e dos partidos depois da divulgação do jornal O Globo da prévia da delação de Joesley Batista, presidente da JBS, divulgada no começo da noite desta quarta-feira. Os representantes de Santa Catarina no Congresso Nacional ouvidos pela reportagem do DC divergem sobre o futuro de Michel Temer (PMDB) e da presidência do país, mas adotam cautela em suas falas.

AO VIVO: Acompanhe o dia de repercussão em Brasília

Os integrantes dos PSDB estiveram durante toda a manhã em reunião para avaliação do futuro do partido diante da operação desta quinta-feira deflagrada pela Polícia Federal (PF), em que o principal alvo foi o presidente nacional tucano, Aécio Neves. O senador Paulo Bauer (PSDB) tinha uma reunião marcada com Temer. No entanto, o presidente cancelou toda sua agenda desta quinta.

Veja abaixo a posição de cada deputado federal e senador sobre a situação atual de Temer e do futuro do país:

Carmen Zanotto (PPS)
Em Brasília, a deputada mostrou preocupação com a situação política do país. A caminho de uma reunião com membros do PPS nesta manhã, Carmen defendeu que, se comprovadas os áudios de Temer, a melhor saída seria o presidente Temer renunciar o cargo e o presidente do Senado, Rodrigo Maia, assumir interinamente.
 — Acho que, se comprovando tudo isso, a saída seria a renúncia de Temer e eleições indiretas. É uma saída, mas as eleições diretas ficou muito forte ontem à noite, quando houve o pedido de impeachment. O ideal seria diretas, mas ainda é muito cedo e gente não sabe o que vai acontecer. Eu não posso dizer o que é melhor nesse momento, Temos que avaliar — contou.

Celso Maldaner (PMDB)
O governista Celso Maldaner admite que é preciso cortar na própria carne. Integrante do mesmo partido do presidente Michel Temer, ele cogita até mesmo a renúncia caso os áudios confirmem o teor das delações previamente divulgadas.
— Eu vejo uma situação muito ruim para o país. Eu não quero antecipar nada, mas se aconteceu mesmo, eu defendo transparência. Acho que, se realmente os áudios existirem, a melhor saída seria a renúncia nesse momento. Eu não gosto de me antecipar, mas eu não vejo o Congresso Nacional em condições morais de escolher um novo presidente do país. A gente tem que aguardar e ver como tudo vai ficar.

Cesar Souza (PSD)
O telefone de contato do deputado estava desligado.

Décio Lima (PT)
Uma das lideranças da oposição na Câmara, o deputado Décio Lima defendeu a renúncia do presidente Temer. Segundo ele, os partidos contrários ao atual governo passaram a noite tentando reunir quórum para conseguir iniciar uma reunião na Comissão de Constituição e Justiça nesta manhã. A intenção do grupo é colocar a discussão das Diretas Já em pauta.
— A melhor saída não, a única saída é o presidente Temer renunciar. O Brasil tem que resolver a crise com o seu povo por meio da democracia. É a única forma. Não vejo eleições indiretas possível. A gente está aqui em Brasília para defender as eleições diretas.

Esperidião Amin (PP)
O deputado Esperidião Amin avalia que essa é uma crise sem precedentes. Entretanto, não quis "dar conselhos" sobre o que o presidente Temer deve fazer. Por outro lado, entende que, se confirmadas as gravações, o presidente Temer cometeu dois crimes gravíssimos, de obstrução da Justiça e corrupção ativa. Na avaliação do deputado, o TSE já deveria ter julgado o processo da chapa Dilma-Temer:
— Não tem cabimento o TSE está há dois anos e meio analisando esse caso. Se o TSE tivesse decidido antes, teríamos uma eleição direta.
Amin, inclusive, é relator da PEC que possibilita a realização de eleições diretas ainda em 2017. Pelo atual dispositivo, se o presidente Temer renunciar ou for cassado, neste ano somente seriam feitas eleições indiretas.
— Acho que qualquer hipótese de permanência do cargo depende da capacidade de governar, e este governo depende, fundamentalmente, de reformas estruturais. Certamente, depois disso não haverá condição de aprovar reforma nenhuma.

Geovânia de Sá (PSDB)
A deputada Geovânia de Sá (PSDB) disse, via assessoria de imprensa, que se forem comprovadas as denúncias contra o presidente Michel Temer, ela é a favor da renúncia dele. A parlamentar defende ainda que seja cumprida a Constituição sobre a realização de eleições diretas ou indiretas. Caso a PEC que prevê eleições diretas seja aprovada, a deputada aceitará dessa forma.

João Paulo Kleinübing (PSD)
É mais um momento difícil para o Brasil. Quando a economia mostrava bons sinais e o emprego voltava a crescer, recebemos apreensivos essas notícias envolvendo o presidente da República, Michel Temer. Acredito que o presidente precisa, em primeiro lugar, explicar de forma convincente as alegações que foram apresentadas contra ele, demonstrando que ainda tem condições de conduzir o país. Caso contrário, sua permanência se tornará insustentável. Neste momento, precisamos de serenidade para enfrentarmos mais este desafio, onde ao meu ver, devemos seguir a Constituição. Não há caminho fora dela.

João Rodrigues (PSD)
O telefone de contato do deputado estava desligado.

Jorge Boeira (PP)
Para o deputado Jorge Boeira, a partir da divulgação dos áudios em que o presidente Michel Temer é flagrado por Joesley Batista, a renúncia é iminente. Se isso não ocorrer, o próximo caminho é o julgamento no Tribunal Suprior Eleitoral (TSE) da chapa Dilma-Temer, marcado para 6 de junho.
— O TSE é um tribunal técnico, mas tem um viés político e entende a conjuntura que estamos vivendo. O impeachment é um processo muito demorando, o Brasil ficaria sangrando por mais seis meses ou um ano. Precisamos buscar uma solução em menor espaço de tempo para que não sogramos mais.
Boeira acredita que não há tempo hábil para uma mudança na Constituição, o que obrigaria uma eleição indireta. O deputado acredita que o prosseguimento dos trabalhos em Brasília depende do resolvimento da situação do presidente Temer:
— Sinto que o Congresso vai parar enquanto não tiver uma posição sobre esse tema.

Jorginho Mello (PR)
O telefone de contato do deputado estava desligado.

Marco Tebaldi (PSDB)
O deputado Marco Tebaldi (PSDB) é cauteloso. Ele não quis se posicionar sobre qual é o caminho que o presidente Michel Temer deve seguir. Antes de tudo, o tucano disse que ainda é prematuro desenhar qualquer cenário. Somente em alguns dias, acredita o parlamentar, é que o país precisa tomar posição dentro da Constituição.
— Temos um calendário eleitoral com eleições marcadas (em 2018). Para uma eleição direta tem que ter uma emenda à constituição. Não posso falar sobre a renúncia porque é uma decisão muito pessoal. Seria o caminho mais rápido.
Tebaldi ainda comentou a operação da Polícia Federal desta quinta-feira, que focou no presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves.
— Não somos o PT, que passa a mão na cabeça. Se for comprovado que ele cometeu crime, tem que pagar. E isso é para todo mundo.

Mauro Mariani (PMDB)
Nesta manhã, o deputado foi procurado pela reportagem, no entanto o celular estava desligado. Ontem à noite, após a notícia das gravações envolvendo o presidente Michel Temer, o deputado disse que os desdobramentos devem acontecer ao longo desta quinta-feira.
— O fato é grave, uma pena para o Brasil. Parecia que o Brasil começava a engrenar, a economia começava a reagir. Isto é o mais triste na minha opinião.
Veja a entrevista com o deputado na noite ontem.

Pedro Uczai (PT)
O deputado destaca a crise profunda deflagrada pelas denúncias, por mexer com o presidente da República e o presidente do PSDB. Para ele, as revelações mostram "quem patrocinou a mudança e o rompimento com a Constituição" no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT)
— A saída da crise não é ele (Temer) continuar na presidência ou uma eleição indireta com um Congresso sem moral nenhuma. A saída é devolver ao povo brasileiro o direito de votar, votar diretamente no novo presidente. Eleição direta é a forma da sociedade se reencontrar — defende o petista. 

Rogério Peninha Mendonça (PMDB)
Celular dele estava desligado durante as tentativas de ligação da reportagem.

Ronaldo Benedet (PMDB)
Os celulares de Benedet estavam desligados ou não foram atendidos durante as tentativas.

Valdir Colatto (PMDB)
Celular do deputado estava com a assessoria dele, que prometeu retorno quando tivesse acesso ao parlamentar.

Senadores

Paulo Bauer (PSDB)
O senador Paulo Bauer não atendeu às ligações da reportagem. A assessoria de imprensa disse que ele está reunido com a bancada do partido em Brasília.

Dalirio Beber (PSDB)
O senador declarou, via assessoria, que "os interesses do país devem estar acima dos interesses políticos, individuais ou partidários. Se a maioria assim pensar, é possível que se firme um pacto para o bem da nação e dos brasileiros. Sempre dentro daquilo que rege a nossa Constituição e a democracia".

Dário Berger (PMDB)
A assessoria do senador foi procurada e pediu que a reportagem entrasse em contato durante a manhã. No entanto, ele não atendeu aos telefonemas.

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