Governo ainda calcula impacto de mudanças na reforma da Previdência, diz Meirelles - Política - A Notícia

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Expectativa03/05/2017 | 15h52Atualizada em 03/05/2017 | 15h53

Governo ainda calcula impacto de mudanças na reforma da Previdência, diz Meirelles

Ministro da Fazenda afirmou que alterações no projeto já reduziram em 24% o efeito fiscal da reforma em um período de 10 anos

Governo ainda calcula impacto de mudanças na reforma da Previdência, diz Meirelles Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Estadão Conteúdo
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O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse, nesta quarta-feira, que a equipe econômica ainda irá calcular o impacto das últimas concessões feitas pelo deputado Arthur de Oliveira Maia (PPS-BA) no relatório da reforma da Previdência com relação à economia projetada para os próximos anos. Ele lembrou que, até agora, as mudanças no projeto feitas na Câmara dos Deputados já reduziram em 24% o efeito fiscal da reforma em um período de 10 anos.

— Essa economia de 76% que restou do projeto original ainda está dentro do que prevíamos, dentro de um processo normal de negociação com o Congresso, que acreditamos que está indo bem. O importante é que o ajuste fiscal seja substancial e a nossa equipe está calculando os efeitos dessas novas concessões — disse o ministro ao deixar um evento sobre liberdade de imprensa, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Distrito Federal

Segundo ele, a expectativa é de que os efeitos se mantenham dentro dessa margem de 30% dos impactos da proposta original.

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Meirelles repetiu esperar que a votação da reforma ocorra no plenário da Câmara ainda em maio, mas disse que um eventual atraso de algumas semanas na votação não prejudica a medida formulada para ter efeito durante décadas: 

— Mas, quanto mais cedo se votar, melhor pela influência sobre as expectativas dos agentes financeiros e pensando na recuperação da economia.

Após dizer em apresentação que a economia brasileira já cresceu no primeiro trimestre de 2017, Meirelles adiantou que esse ritmo de alta foi de 3% anualizado nos três primeiros meses do ano. Questionado se a equipe econômica já estuda alterar a projeção de alta do PIB este ano — que atualmente está em 0,5% — o ministro disse que é preciso esperar evidências mais sólidas de uma expansão maior da atividade para se fazer uma nova estimativa, mas confirmou que o viés da atual projeção é de alta.

Ele lembrou que, no último trimestre deste ano, a projeção da Fazenda é de um crescimento de 2,7% ante o último trimestre de 2016. 

— A projeção de 0,5% no ano é a média anual. Mas na ponta já estaremos crescendo a 2,7%. Isso que é importante. Temos um crescimento de 3% no primeiro trimestre, esperamos uma acomodação no segundo trimestre e chegaremos a esse crescimento no fim do ano — disse.

Eleição

Meirelles foi questionado se a recuperação da economia este ano o alçaria à condição de presidenciável nas eleições de 2018. 

— No momento, estou focado na economia — limitou-se a responder.

Transparência

Durante o fórum, o ministro disse que uma das posturas que a atual equipe econômica tem adotado desde que o governo Michel Temer começou é a transparência na apresentação de dados da economia para favorecer a retomada da confiança por consumidores e empresários.

— Existe uma correlação muito clara entre o nível da confiança e o crescimento da economia e do emprego. E a confiança foi muito erodida pelas incertezas sobre os dados econômicos, sobre a real situação das contas públicas. Foi se perdendo a segurança sobre a trajetória da dívida pública. Isso levou ao aumento do risco Brasil e da inflação — relatou.

O ministro disse que a combinação entre recessão profunda, com desemprego e inflação elevados, não é uma situação comum. De acordo com ele, isso ocorreu devido a uma postura defensiva do setor produtivo frente às incertezas sobre a sustentabilidade das contas públicas brasileiras. 

— A falta de transparência e de acesso a informação gera um comportamento defensivo — resumiu.

Segundo ele, a partir do momento em que a nova equipe econômica assumiu o governo, começou a passar aos jornalistas informações mais transparentes, como a projeção de um déficit de R$ 170,5 bilhões no ano passado. 

— Quando a informação correta foi divulgada, alguns temeram que a confiança iria cair, mas ela subiu, justamente pela transparência — afirmou.

Meirelles destacou que a imprensa cumpriu o seu papel ao questionar o tamanho do déficit e considerou importante esse debate. O ministro destacou ainda a importância de se assegurar a liberdade de imprensa para a recuperação da atividade no Brasil. 

— Existe uma correlação relevante entre nível de renda e bem-estar social de um país com o seu nível de liberdade de imprensa. Isso tem uma relação de causa e efeito com o maior crescimento da economia de um país — afirmou.

Lava-Jato

Ainda durante o encontro, Meirelles afirmou que as investigações conduzidas pela Operação Lava-Jato fortalecem as instituições brasileiras e, consequentemente, aumentam a confiança na economia do país.

— Minha opinião é que, apesar de gerar uma preocupação no curto prazo, as investigações aumentam o grau de confiança nas instituições e que a Justiça irá prevalecer. Aumenta a confiança que as contas públicas serão bem gerenciadas — assinalou.

Para o ministro, uma imprensa livre e uma Justiça independente aumentam o grau de confiança no país. Questionado pelo público do evento sobre o grau de interferência do governo Temer sobre a liberdade de imprensa, Meirelles disse não ter conhecimento sobre esse tipo de ocorrência.

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*Estadão Conteúdo

 
 

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