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"Desgaste"22/05/2017 | 23h56Atualizada em 23/05/2017 | 16h10

Delator diz que pagou para Dário Berger votar em Renan contra LHS para presidente do Senado

Peemedebista alagoano teria pedido para JBS ajudar campanha do catarinense em troca de comprometimento com eleição da mesa

Delator diz que pagou para Dário Berger votar em Renan contra LHS para presidente do Senado PMDB/Divulgação
Em 2015, Renan derrotou LHS pela presidência do Senado em eleição secreta. Dário declarou voto no catarinense Foto: PMDB / Divulgação

A delação do executivo da JBS Ricardo Saud na Operação Lava-Jato cita outros políticos e partidos de Santa Catarina em supostos repasses de  propina dissimulada para campanhas no Estado. Em trecho do depoimento gravado em vídeo à Procuradoria Geral da República (PGR), o senador Dário Berger (PMDB) é relacionado com o beneficiado de R$ 1 milhão, em 2014, que teria sido repassado pelo também senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

– O Dário Berger era candidato a senador por Santa Catarina, do PMDB, com chances reais de ganhar. Então, o Renan investiu nele R$ 1 milhão para comprometer o voto (para a presidência do Senado, cuja eleição seria realizada em fevereiro de 2015). Até foi um desgaste porque o falecido senador Luiz Henrique era o candidato do PMDB de Santa Catarina à presidência do Senado com o Renan. Houve um desgaste, e o Dário acabou votando no Renan por causa desse comprometimento – diz Saud no vídeo.

O valor de R$ 1 milhão citado por Saud faz parte de um total de R$ 9,91 milhões da JBS que teriam sido distribuídos para Renan, via PMDB nacional, na forma de propina dissimulada como doação oficial. O dinheiro foi distribuído para vários candidatos de diferentes partidos e Estados. Essa é a primeira vez que o nome de Dário aparece em delações premiadas da Lava-Jato.Além desse trecho, o senador peemedebista é citado em outros momentos nos anexos da Petição 7003 da PGR. Em uma planilha onde constam centenas de políticos, o valor ao lado do nome do catarinense é de R$ 500 mil. 

TSE tem registro deR$ 500 mil em doação

Na prestação de contas declarada no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dário recebeu três pagamentos da JBS nas eleições de 2014. O primeiro deles em 17 de setembro de 2014, por meio de Michel Temer (PMDB-SP), então candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff (PT), no valor de R$ 100 mil em cheque. Já em 22 de setembro daquele ano, Dário recebeu também em cheque, R$ 200 mil, via diretório nacional do PMDB. Dias antes de decidir nas urnas a vaga ao Senado, em 2 de outubro de 2014, Dário recebeu novo aporte de R$ 200 mil, novamente em cheque e por meio de Temer.

Porém, o trecho que relaciona o senador catarinense ao recebimento de R$ 500 mil não especifica se a quantia foi paga em espécie, cheque ou transferência bancária. A reportagem entrou em contato com o senador Dário Berger, mas ele estava com o telefone celular desligado. O advogado Nilton Macedo, que faz a defesa de Dário em processos existentes no Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), disse desconhecer a citação ao nome do cliente na delação premiada de Ricardo Saud, da JBS:

— Não tenho conhecimento, não. Mas é tudo muito esquisito. Essas operações estão se constituindo nisso: salta uma formiguinha aqui, daqui a pouco vira um formigueiro, e não se investigou a formiguinha.

Nesta terça-feira, o senador se manifestou por meio de nota oficial. Ele nega o recebimento de R$ 1 milhão e a suposta traição a Luiz Henrique na eleição à presidência do Senado.

Confira a íntegra da nota:

Preocupado com as notícias veiculadas a respeito de recursos financeiros que teriam sido recebidos na campanha eleitoral de 2014, para o Senado Federal, e ciente do compromisso com a verdade perante meus eleitores e a sociedade catarinense, afirmo:

1. Todos os recursos recebidos pelo Comitê Financeiro da minha campanha tiveram origens lícitas e assim estão registrados.

2. Relativamente ao suposto valor um milhão de reais noticiado pela imprensa com base em uma delação, dele não tenho conhecimento; não o recebi e tampouco jamais chegou ao Comitê Financeiro de minha campanha.

3. A falta de compromisso com a verdade chegou ao ponto de ter sido posta em dúvida minha amizade e lealdade para com o pranteado amigo, grande líder catarinense e brasileiro, senador Luiz Henrique da Silveira. Grave ofensa à minha pessoa e à amizade e fidelidade para com meu amigo.

4. É que, muito embora a votação para a eleição à Presidência do Senado tenha sido secreta, ficou comprovado, pela mídia nacional, que não apenas fui um dos protagonistas da campanha como honrei a amizade e votei em Luiz Henrique da Silveira,: "Os três Senadores do PMDB que apoiam Luiz Henrique são Waldemir Moka (PMDB – MS), Ricardo Ferraço (ES) e Dário Berger (SC)" (Valor Econômico, 30/01/2015).

5. Por estar com a consciência tranquila e confiante que esta verdade triunfará, continuo no exercício da missão que o povo catarinense me confiou.

Colaborou Upiara Boschi

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