Upiara Boschi: Colombo sinaliza aperto de cinto para 2017 e manda recados a aliados sobre 2018 - Política - A Notícia

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Análise11/11/2016 | 20h22Atualizada em 11/11/2016 | 20h25

Upiara Boschi: Colombo sinaliza aperto de cinto para 2017 e manda recados a aliados sobre 2018

Upiara Boschi: Colombo sinaliza aperto de cinto para 2017 e manda recados a aliados sobre 2018 Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Colombo entre o PMDB do secretário João Mattos, da Administração, e o PSD do secretário Nelson Serpa, da Casa Civil Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS
upiara boschi
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Raimundo Colombo nem tentava disfarçar a sensação de alívio no encontro com jornalistas na manhã de ontem na Casa d¿ Agronômica. Ao anunciar a data dos pagamentos dos últimos dois salários e da segunda parcela do 13º, ele praticamente encerrava um ano que por mais de uma vez citou como o mais difícil de sua carreira política. Fechar as contas, uma obrigação, virou tarefa heróica na crise que o país vive e que tem levado diversos Estados a parcelamentos e atrasos salariais.

Das conversas que tem tido com o ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, Colombo projeta leve melhora da arrecadação apenas no segundo semestre do ano que vem. O que significa a manutenção do aperto nos cintos e das possíveis reformas. Embora se alardeie uma economia de R$ 42 milhões por ano, a extinção das obsoletas Codesc, Cohab e Bescor servem mais para manter viva a agenda de reformas na máquina do Estado do que para aliviar o caixa.

 Símbolos importam, ainda mais em política, mas falta margem para mudanças realmente de impacto como foi a reforma da previdência estadual no final do ano passado. Por isso, Colombo sabe que enxugará gelo em 2017 para chegar vivo a 2018. A única mudança expressiva em suas mãos está descartada - a privatização da Celesc, da Casan e da SCGás para criar um fundo previdenciário. Descartada não por contrariedade, mas por serem medidas consideradas drásticas demais para um governo que se encaminha para o fim.

Se para o ano que vem não há muito a fazer além de esperar que passem seus 365 dias, 2018 já está muito vivo no calendário político. Colombo esperou o fim dos anúncios e a conversa menos formal com os jornalistas para avaliar o cenário pós-eleição municipal e o jogo da própria sucessão. Dessa conversa saiu um gesto político importante, quando negou a existência de um acordo prévio apoiar o PMDB e garantiu que não vai trabalhar para impedir candidatura do PSD. Embora ele mesmo amenize o confronto entre os principais sócios da coalizão que comanda ao dizer que as definições devem acontecer apenas em junho de 2018, ele manda recados claros quando declara que não é justo pedir a ele que impeça os pessedistas - leia-se Gelson Merisio (PSD) - de construírem uma candidatura a governador. O primeiro é o de estender a mão ao correligionário após as derrotas eleitorais no segundo turno em confrontos com os peemedebistas. O segundo para o próprio PMDB e alguns peemedebistas que elevaram demais o tom de desforra após a vitória nas urnas. O deputado federal Mauro Mariani, por exemplo, que cobrou publicamente que os pessedistas apoiem um nome do partido em 2018.

No fundo, Colombo tenta se colocar como Luiz Henrique da Silveira (PMDB) antes das eleições de 2010 - as que levaram o lageano pela primeira vez ao governo estadual. Na época, o então governador peemedebista deu corda a Eduardo Pinho Moreira (PMDB), Leonel Pavan (PSDB) e o próprio Colombo, dizendo que quem chegasse em melhores condições seria o candidato da tríplice aliança. Todo mundo sabia que Colombo era o nome preferido de Luiz Henrique, o que não impediu o clima de confronto interno e a definição apenas nas últimas horas. Prevaleceu a questão nacional, com Pinho Moreira aceitando ser vice e Pavan abrindo mão de concorrer em nome do apoio ao presidenciável José Serra (PSDB). Talvez seja coincidência, mas Pinho Moreira e Colombo já manifestaram desejo de apoiar um tucano à presidência - o paulista Geraldo Alckmin - e o governador trabalha para trazer o PSDB para o secretariado. Claro que ainda falta descobrir uma coisa. Se em 2010 Colombo era o preferido de Luiz Henrique, quem é, hoje, o Colombo de Colombo? Um dos maiores mistérios da política catarinense é quem o governador deseja ver como sucessor.

 
 

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