PT perde importância com resultado das eleições municipais, avalia Tarso Genro - Política - A Notícia

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Autocrítica03/11/2016 | 07h52Atualizada em 03/11/2016 | 07h52

PT perde importância com resultado das eleições municipais, avalia Tarso Genro

Ex-governador do Rio Grande do Sul defende que partido assuma responsabilidade por erros cometidos por dirigentes em nome da legenda e aponte os que se beneficiaram pessoalmente

PT perde importância com resultado das eleições municipais, avalia Tarso Genro Júlio Cordeiro/Agencia RBS
Foto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS
Estadão Conteúdo
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O PT perde importância política com o resultado das eleições municipais. A constatação é do ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, líder da Mensagem ao Partido, corrente que busca uma reformulação profunda do partido.

Tarso, ideólogo da tese de refundação do PT, lançada após o mensalão e revivida agora, disse que essa reformulação passa por uma mudança na hegemonia interna e autocrítica radical na qual o PT, por um lado, deve assumir a responsabilidade por erros cometidos por dirigentes em nome da legenda e, por outro, apontar os que se beneficiaram pessoalmente.

Segundo ele, se o atual grupo dirigente sonegar a autocrítica, o partido deve sofrer um racha, com a saída de vários líderes importantes.

O que levou à derrota do PT nas eleições municipais?
Como o PT estava no governo e tinha uma força política muito grande no país, foi atingido massivamente por este conjunto de forças que se organizou em torno da chamada luta contra a corrupção. Praticamente 80% dessa força negativa foi sobre o partido. Mas, se formos examinar por completo o que está acontecendo, é uma devastação de todo o sistema político e partidário que atingiu principalmente quem estava no poder.

Estamos vivendo o fim de um ciclo histórico?
Pode ter encerrado um período dentro de um ciclo ou pode ter encerrado um ciclo. Isso ainda não está decidido. A reação popular e da própria plutocracia estatal à PEC 241 (que estabelece um teto para os gastos do governo) é que vai dizer. Se a PEC 241 for aplicada na sua totalidade, acho que se encerrou um ciclo. Mas, se ela for negociada e flexibilizada ao longo do processo, pode ser apenas o fim de um período e pode ser que se resgate mais adiante a vontade de construir um estado social relativo e que mantenha o estatuto da política como meio fundamental para resolver as controvérsias.

O senhor disse que foi uma derrota de todos os que estavam no governo, mas o governador Geraldo Alckmin e o PSDB tiveram vitórias expressivas. O que explica esse sucesso?
Alckmin é a válvula de escape mais adequada para a centro-direita no Brasil. Não só porque ele tem uma importância extraordinária dentro do PSDB, como também porque os demais próceres tucanos, principalmente a ala "aecista", saíram muito machucados. Ele emerge, sim, com força neste processo.

Qual é o papel do PT nesta nova conjuntura política?
O PT perde muita importância política a partir destas eleições. Tenho sustentado a visão de que o PT, para se recuperar como sujeito político, que seja o novo condutor de reformas, tem que se articular para fora. Não é transformar o partido numa delegacia de polícia. O que temos que ver é quais foram os problemas organizativos, ideológicos e programáticos que nos levaram a ser tolerantes com este tipo de conduta.

O PT vai fazer isso?
Não sei. É isso precisamente que está em jogo hoje no partido. Há uma visão de uma nova frente política.

Isso passa pela reorganização do partido e da esquerda?
O partido tem que dizer como vai se organizar de dentro para fora e isso significa formatar uma nova visão de coalizão e uma nova visão de frente. Para mim, o exemplo mais adequado é a Frente Ampla do Uruguai. Uma organização atípica, plural, que pega desde o centro progressista até a esquerda democrática e apresentou um programa não só de partido, mas de movimentos, personalidades, organizações de base. Quando falo que tem que ser uma frente de esquerda, não quero dizer que seja uma frente esquerdista. Ela estaria à esquerda da coalizão que fizemos com o PMDB.

Quais seriam estas forças de centro democráticas e progressistas das quais o senhor fala?
Estão espalhadas em vários partidos. O centro no Brasil sempre foi uma relação de oportunidades no governo e não uma base programática. Não temos um partido de centro. Temos posições centristas que se somam para governar. Temos que procurar estas visões de centro e dar condições de que elas participem.

A renovação do PT passa por responsabilizar pessoalmente quem cometeu atos ilícitos?
Isso, evidentemente, deve ser uma decorrência. Porque o partido vai ter que separar. Sobre as pessoas que cometeram ilegalidades em proveito do partido, o partido vai ter que dizer: essas pessoas cometeram caixa 2 para o PT, o PT é responsável por este erro. Agora, quanto às pessoas que cometeram ilegalidades em proveito próprio, o partido não é responsável. Estas têm que ser evidentemente apontadas.

Existe o risco de uma ruptura profunda no PT?
Pode ocorrer. Isso não deve ser tratado com a forma de um ultimato. O que pode ocorrer é que, se a maioria partidária sonegar uma profunda discussão sobre os nossos problemas, certamente haverá uma dispersão, pessoas vão sair. Algumas dessas pessoas poderão ir para um novo partido, outras deverão se desligar e ficar na sociedade civil.

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