Chapecoense é o símbolo do poder econômico e político do Oeste de SC  - Política - A Notícia

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Moacir Pereira29/11/2016 | 20h01Atualizada em 29/11/2016 | 20h09

Chapecoense é o símbolo do poder econômico e político do Oeste de SC 

É bem administrada, tem uma gestão moderna comandada por dedicados empresários, paga salários em dia, tem até dinheiro aplicado

Chapecoense é o símbolo do poder econômico e político do Oeste de SC  Cristiano Estrela/Agencia RBS
Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

A tragédia aérea que vitimou a equipe da Chapecoense, quase toda sua diretoria e duas dezenas de profissionais de imprensa, enlutou Santa Catarina e comoveu o mundo inteiro. O sentimento de grande pesar e profunda consternação que motivou milhares de mensagens no Brasil e no exterior representa uma tocante reação humana pela dimensão da tragédia. Mas há um diferencial a envolver este pesadelo que se abateu sobre o esporte catarinense.

A Chapecoense não é apenas mais um clube de futebol que, embora jovem, vem numa trajetória extraordinária de conquistas históricas, todas elas dentro do campo, cujo maior feito seria a disputa e tão sonhada conquista da Taça Sul-Americana, em Medellín.

O clube é a representação real da pujança econômica e política de Chapecó e do Oeste catarinense. Conseguiu unir a um só tempo os empresários, os políticos, os jovens, adultos, trabalhadores, homens e mulheres, sobretudo as crianças, numa torcida empolgada que animava o Verde e Branco para os grandes desafios. Conquistou o coração do Oeste e depois, nos campeonatos sul-americanos, de toda Santa Catarina, pela jornada espetacular. Um clube de pequeno município enfrentando e derrotando, um a um, grandes times do continente.

A história do futebol em Chapecó se vincula ao processo de colonização da região promovido por migrantes gaúchos. Os novos moradores e seus descendentes, principalmente no século passado, usavam bombacha, tomavam chimarrão como hoje, tinham no "Correio do Povo" o jornal mais lido da região e torciam pelo Grêmio e pelo Internacional. Nos dias de Grenal, a cidade parava nos postos de combustíveis, bares e restaurantes, nas residências, em empolgados grupos de torcedores. O futebol catarinense estava sempre em plano secundário. Nos últimos anos, a Chapecoense conquistou as preferências dos torcedores. E, na medida em que avançava no campeonato estadual, na Copa do Brasil e na Sul-Americana, a paixão pelo clube consolidou-se de forma definitiva.

A Chapecoense se distingui dos concorrentes estaduais e nacionais. É bem administrada, tem uma gestão moderna comandada por dedicados empresários, paga salários em dia, tem até dinheiro aplicado. Seus dirigentes praticam e projetam a imagem de honestidade e de caráter, formando com os jogadores uma grande família.

Os jogos da Chapecoense se transformaram nos momentos de maior alegria, de entusiásticas comemorações de amplos segmentos da sociedade oestina. Tudo com espírito desportivo, ordem e disciplina, exemplos maiúsculos para as torcidas do Rio e São Paulo, frequentemente envolvidas em atos de violência e confrontos criminosos.Por tudo isso e muito mais, virou o símbolo da unidade e da força de Chapecó. 

Solidariedade
Para um mundo envolvido em guerras irracionais, com milhares de mortes estúpidas, outro contingente de refugiados buscando desesperados um porto seguro para viver, atos de corrupção provocando desânimo geral, o futuro cada vez mais imprevisível, a tragédia com a Chapecoense provoca uma reflexão sobre o valor da vida humana.

Têm sido realmente tocantes as manifestações de solidariedade de todas as partes do mundo. Em cada mensagem, o remetente fala como se tivesse perdido um ente querido na tragédia da Colômbia.

Esta catástrofe cancelou eventos, suspendeu atividades em várias cidades catarinenses, alterou agendas e mexeu com todo mundo. A noticia se referia a um acidente no exterior, distante dos centros de Santa Catarina e do Brasil. E, no entanto, repercutiu intensamente no Brasil e no mundo, como se entre as vítimas estivesse um amigo querido. 

Reflexão
O sentimento de vazio, o gosto amargo da notícia e a tristeza das mortes soam na mente como perdas irreparáveis, interrompendo de forma brusca sonhos acalentados durante anos, jovens que viam em Medellín novas perspectivas profissionais e dirigentes que ali encontrariam gratificantes gestos de reconhecimento pelo esforço do longo voluntariado.

No meio de tanta dor e sofrimento para milhares de familiares e amigos das vítimas e de torcedores, sobressai-se a indispensável reflexão sobre o viver o dia a dia, a importância da convivência fraterna, do respeito aos semelhantes e da conscientização de que disputas mesquinhas e conflitos de qualquer natureza de nada valem diante do inesperado da morte.

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