"O PSD abrir mão da candidatura e apoiar o PMDB (em 2018) é o mínimo que se espera", diz Mauro Mariani - Política - A Notícia

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Política31/10/2016 | 19h39Atualizada em 31/10/2016 | 22h03

"O PSD abrir mão da candidatura e apoiar o PMDB (em 2018) é o mínimo que se espera", diz Mauro Mariani

Presidente estadual do partido alerta para o fato de que os desdobramentos da Lava-Jato podem influir na escolha do candidato

"O PSD abrir mão da candidatura e apoiar o PMDB (em 2018) é o mínimo que se espera", diz Mauro Mariani Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
Foto: Maryanna Oliveira / Câmara dos Deputados

Após o saldo positivo das eleições municipais, onde conseguiu eleger o prefeito nas duas das três principais cidades do Estado, o presidente estadual do PMDB, Mauro Mariani, reafirma a colocação de candidato próprio ao governo do Estado em 2018. Ele critica a posição do PSD de colocar novamente candidatura própria e não apoiar o PMDB, revertendo as parcerias das coligações que elegeram Raimundo Colombo em 2010 e 2014.  Confira abaixo a entrevista:

Em Joinville e Florianópolis os resultados foram um pouco diferentes das pesquisas. Em Joinville, mostrava pouca distância entre os dois candidatos. Em Florianópolis, menos. O que o senhor achou disso?

Na verdade, o resultado foi muito semelhante a nossos levantamentos internos. Tínhamos convicção da vitória em Joinville. Udo é vender água para o deserto diante do momento que o Brasil vive. Ele é um empresário que se doa e que tem uma história no empresariado. Ele teve austeridade para enfrentar o momento que a cidade vive e por isso não ganhou no primeiro turno. Mas eu tinha a convicção de que ele sairia vitorioso do primeiro turno. Em Florianópolis, o Gean é um obstinado. Ele trabalhou cada candidatura, seja a vereador, prefeito, construiu pessoalmente, cuidou uma a uma dessas candidaturas. Ele trabalhou anos para isso. Era o projeto de vida dele. Claro que eu, pessoalmente, tinha uma preocupação com Florianópolis sobre para onde iriam migrar os votos da esquerda. Temos que reconhecer que aqui esses fatos possuem um percentual maior. Eu falava sempre nas reuniões internas que a minha preocupação era muito maior na Capital, em que pese as pesquisas darem uma diferença maior para o Gean. Nós temos que admitir que aqui, no mínimo, a esquerda tem 15% dos votos. Quando o Gean fez a opção de ter o PSDB como vice e não a Angela Albino (PCdoB), começou a criar a migração total dos votos da esquerda para o outro lado. Soma-se a isso o PMDB ter sido o partido que, de certa forma, usufruiu da queda da Dilma, então formou um caldo que empurrou o voto da esquerda para a Angela Amin. E isso fez diferença. Muitas pessoas votaram contra o PMDB. 

Como o PMDB se organiza a partir de agora para a eleição de 2018?

O PMDB já está organizado. Estamos mobilizados o tempo todo. A construção desse resultado foi muito por conta da preparação. Nós caminhamos o Estado por várias vezes, motivamos os candidatos. Eu fiz 60 mil quilômetros em quatro meses. Visitando, andando, animando e incentivando as candidaturas. A decisão de ter um nome próprio para o governo do Estado já estava tomada antes mesmo do resultado eleitoral, até por conta da história do PMDB. Nós sempre tivemos candidato ao governo. Com exceção das duas últimas eleições, quando apoiamos o governador Raimundo Colombo. A reeleição já teve uma grande e calorosa discussão interna. Foi por detalhe, quarenta e poucos por cento dos votos contra a coligação com Colombo. Eu mesmo capitaneei a dissidência que queria a candidatura própria já em 2014 e em 2010.

E como fica agora essa relação com o PSD?

Respeitosa. Infelizmente, em muitos momentos, fomos desrespeitados por lideranças do PSD. Dentro do governo mesmo. Por várias vezes o presidente estadual do PSD dizendo que não quer o PMDB, que não queria o PMDB na aliança. Ora, se nós servíamos para dar três vitórias ao Raimundo Colombo... O elegemos senador da República, depois duas vezes governador... Merecemos no mínimo respeito. O PSD abrir mão da sua candidatura e apoiar o PMDB é o mínimo que se espera. Mas nós não vamos ficar reféns dessa situação. Nós vamos construir a nossa candidatura, com eles de parceiro ou não.

Como fica o clima no governo diante dessa situação?

Isso é outro problema. Nós vamos discutir isso. Eu sou o presidente estadual do partido, tem uma parte do PMDB que faz parte do governo. Uma pequena parte do PMDB, na verdade. Tem que se olhar dessa forma. O PMDB é um partido muito grande. Nós temos agora 101 prefeituras e 240 mil filiados. Não podemos ser reféns de meia dúzia de cargos. Aliás, é contra essa política que nós lutamos o tempo todo. Eu acho que tem que haver respeito. Se tiver respeito no relacionamento é uma situação, mas se continuarmos sendo agredidos como estamos sendo, nós vamos reagir. Não tenha dúvida disso. 

Quem é o candidato a governador pelo PMDB?

O candidato naturalmente vai aparecer. Nós temos vários nomes. Vai ter o candidato no momento oportuno. O processo político está demonstrando isso. Será que a delação da Odebrecht vai chegar a Santa Catarina? Daqui a pouco pega a turma toda aqui e isso altera substancialmente o quadro. A militância fala que sou candidato, mas eu vou segurando o freio. Não vamos contaminar a eleição de 2016 com a de 2018. Nosso foco era 2016 e foi acertado. Quem tentou antecipar 2018 saiu derrotado da eleição. Fomos exitosos nisso. Agora, com 2018, faremos da mesma forma. Mas pode anotar: nós não teremos disputa no PMDB. Vai ser um processo natural. Hoje nós temos instrumentos que podem nos ajudar. Temos pesquisas quantitativas e qualitativas. Eu fiz 13 pesquisas nas principais cidades do Estado em fevereiro deste ano para entender o que passava na cabeça do cidadão catarinense. 

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ean Loureiro

 
 

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