"Eu quero mudar o que está errado", diz Jean Kuhlmann, candidato à prefeitura de Blumenau - Política - A Notícia

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Eleições 201619/10/2016 | 05h45Atualizada em 19/10/2016 | 11h04

"Eu quero mudar o que está errado", diz Jean Kuhlmann, candidato à prefeitura de Blumenau

Derrotado no segundo turno em 2012, deputado garante que está mais maduro e preparado desta vez

"Eu quero mudar o que está errado", diz Jean Kuhlmann, candidato à prefeitura de Blumenau Leo Munhoz/Agencia RBS
Jean disputa prefeitura de Blumenau pela segunda vez Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Jean Kuhlmann (PSD) tenta pela segunda vez ser prefeito de Blumenau em um segundo turno que repete o cenário de 2012, quando disputou com o atual prefeito Napoleão Bernardes (PSDB). Garante que está mais maduro e mais preparado desta vez. Nesta entrevista, destaca que vai mostrar suas diferenças em relação ao atual governo e despenca fortes críticas a ações do adversário Napoleão. A vitória do candidato significaria a retomada da era de João Paulo Kleinübing ao poder na maior cidade do Vale.

QUEM É
Jean Jacson Kuhlmann, 41 anos, disputa pela segunda vez a prefeitura de Blumenau. A primeira vez, em 2012, perdeu no segundo turno. Representa o retorno do PSD do ex-prefeito João Paulo Kleinübing à prefeitura. Diz que nos últimos quatro anos adquiriu maturidade, e isso o faz mais preparado para ser eleito em 2016. Foi o segundo vereador mais votado em Blumenau, em 2000, e reeleito vereador em 2004. Foi eleito deputado estadual em 2006 e reeleito em 2010. Após a derrota na corrida à prefeitura em 2012, no segundo turno, para Napoleão Bernardes (PSDB), Jean foi novamente eleito deputado estadual em 2014. O vice na chapa em 2016 é Alexandre José (PRB) e a coligação é a "Blumenau Merece Mais Partidos", composta por PSD, PRB, PSL, PR, PSC, PROS e PPS.

Por que o senhor tem feito uma campanha sem muitas promessas?
Estou sendo realista e verdadeiro. Eu acho que as pessoas precisam escolher se a cidade continua do jeito que está ou muda. Mas a mudança não ocorre com promessas que não serão cumpridas. Estou focando naquilo que eu entendo que podemos fazer. Na última eleição foram prometidas muitas coisas para as pessoas e infelizmente não saíram do papel. Um exemplo: demolir o edifício América para fazer a ponte, não aconteceu. Estamos há três anos e meio com o dinheiro parado e à disposição para fazer a ponte do Centro e a obra não sai do papel. O valor ainda não foi perdido porque a prefeitura paga a taxa de permanência. Há três anos e meio o dinheiro está à disposição para fazer o terminal da Água Verde, na Itoupava Central, e não sai do papel. Então, assumo como compromisso fazer aquilo que já tem dinheiro garantido.

Um dos principais temas da campanha de 2012 foi a construção de uma nova ponte no centro de Blumenau. Enquanto o senhor defendia um traçado já aprovado pelo BID, Napoleão apresentou um projeto diferente. O senhor pretende manter qual traçado?
Eu vou manter aquilo que foi aprovado e aconselhado pelos técnicos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), não pelos políticos. Seja a ponte do Centro ou os terminais de ônibus que a prefeitura não desapropriou. Meu compromisso é desapropriar os terrenos para que possa ser usado o dinheiro que está parado há três anos e meio. Depois eu vou montar uma equipe técnica na Secretaria de Planejamento para fazer os projetos de mobilidade que a cidade precisa. Finalizar o projeto da ligação Velha-Garcia. O atual prefeito prometeu fazer a obra, mas nem o projeto terminou. O que estou prometendo é fazer o projeto, para saber por onde a obra irá passar, quanto mais ou menos ela vai custar, quais as licenças ambientais necessárias. Também vou fazer o projeto do binário das ruas Amazonas e Hermann Huscher. Vou buscar recursos para essas obras em Brasília e em Florianópolis. Mas eu não estou prometendo a execução de uma obra que eu ainda não tenho dinheiro. Quero ser muito realista nesta campanha. E, fora isso, tenho algumas propostas de mudança na forma de trabalho. 

Em que sentido?
Defendo a transformação da Guarda de Trânsito em uma Guarda Municipal, com os atuais agentes. Não estou prometendo que vou fazer concurso para novos agentes porque eu não sei se tenho dinheiro para isso. Quero dar a ela o papel de fazer guarda comunitária. Uma guarda em que vamos ter a cidade dividida em setores, onde cada setor vai ter dois guardas municipais de manhã e à tarde. Eles vão fazer ronda naquele setor, conversando com o comerciante, ajudando as crianças a atravessar a faixa. É uma mudança na forma da guarda atual. Isso não tem custo e me permite buscar recursos do governo federal para equipar essa guarda. Também quero mudar a lógica da criação de vagas em creche. Blumenau tem 5 mil crianças precisando de vagas. A atual lógica é você construir creches novas ou ampliar as existentes. Eu vou continuar fazendo isso. Mas, além disso, eu vou trabalhar com o auxílio-creche que vai me permitir comprar a vaga em organizações não governamentais. Outra ideia também é orientar, legalizar e criar creches domiciliares. A prefeitura atual está fazendo a licitação para o transporte coletivo, mas, primeiro, eu defendo que a empresa atual cumpra o contrato, seja na qualidade dos ônibus ou no cumprimento dos horários e linhas. E o novo edital não pode ser direcionado, como o Tribunal de Contas hoje diz que foi, apontando 30 irregularidades. A Piracicabana (empresa de ônibus) está envolvida num esquema federal de irregularidade com a empresa Logitrans, que também prestou serviço na cidade e que ajudou a fazer diferente. Não vou aceitar que o edital tenha vínculo com empresas denunciadas por irregularidades. O atual prefeito trouxe para Blumenau empresa com irregularidades. Isso é um caso sério.

O que o senhor teria feito diferente naquela crise do transporte coletivo?
Eu teria feito uma conversa com a Verde Vale e com a Rodovel, que não tinham nenhum problema antes da intervenção que a prefeitura fez para que elas assumissem de forma emergencial a parte da empresa Glória. Eu teria deixado o sistema na mão de empresas daqui. Eu não teria entregue o  serviço para uma empresa envolvida em escândalos.

Já conversou com outros candidatos que ficaram de fora do segundo turno para trazer ainda mais apoio à sua candidatura?
Não fizemos conversas partidárias com ninguém. Eu não quero ter compromisso com partidos políticos. Quero ter compromisso com a cidade.

Mas isso também é apoio.
Estou tomando uma decisão: não quero ter compromisso com partido político. Quero ter compromisso com a cidade. Todos aqueles que foram candidatos que não chegaram ao segundo turno, ou vereador, serão bem-vindos. Mas eu não quero ter compromisso partidário. Quem tem compromisso com 12 partidos é o outro candidato. É o que concorre à reeleição. Ele vai inchar a máquina da prefeitura. Eu quero reduzir a estrutura pública, quero juntar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico com a de Turismo. Quero fazer uma análise da compactação de outras secretarias. Um outro estudo que farei é se consigo juntar as secretarias de Obras e Serviços Urbanos. Isso é para enfrentar a crise que virá no ano que vem. O atual prefeito não vai fazer compactação de secretaria. Tem 12 partidos para atender. Quero ocupar 50% dos cargos comissionados com servidores efetivos.

O seu vice, Alexandre José (PRB), é popular, tem uma boa penetração nos bairros por ser jornalista de rádio e televisão. Acha que essa é uma das grandes diferenças da campanha passada, quando seu vice era o Cesar Botelho, um político tradicionalmente de bastidores?
O Alexandre conhece os problemas da cidade. Ele vive o dia a dia da população, o sofrimento que as pessoas têm. Isso pra mim é algo muito importante. Eu serei o prefeito, o gestor, mas ele vai me ajudar a entender melhor os problemas da população.

O plano é ele voltar para seu trabalho na rádio e na televisão depois da eleição, mas que sentido tem o vice se ele não vai trabalhar na prefeitura?
Ele vai estar no dia a dia. Ele vai na rádio apresentar o programa de manhã, vai ouvir o povo, acabou o programa da rádio, às 8h, ele vai para a prefeitura.

Mas ele vai ficar o dia todo na prefeitura mesmo sem receber salário?
O vice, seja qual for, não terá salário, vai trabalhar na rádio porque precisa se sustentar e pagar as contas. Depois ele vai para a prefeitura para atender. Ele quer fazer isso, ele gosta, que ser vice não para ganhar salário de secretário, mas para fazer aquilo que ele nunca teve a oportunidade de fazer: conseguir ajudar as pessoas a resolver o problema delas. Se você tem um vice-prefeito que não precisa do dinheiro público para sobreviver, ele vai fazer com dedicação, amor. Agora, se o vice depende do salário, ele tem que deixar de ser vice para cuidar apenas de uma secretaria. Aí eu perco a visão do todo.

Desde que perdeu a eleição em 2012, o senhor continuou como deputado. O que mudou neste período que pode contribuir com a função de prefeito se for eleito?
Ganhei muita experiência, muita maturidade, eu aprendi com a vida e com o tempo.

Que lição tirou daquela derrota?
Na verdade, não considero uma derrota. Foi um aprendizado. As pessoas escolhem alguém para governar e alguém para fiscalizar. Entenderam que aquele não era o momento de eu governar. E, independentemente daquele ou deste resultado de agora, eu já me considero vitorioso porque 63 mil pessoas já acreditaram em mim no primeiro turno. Na outra eleição, 54 mil pessoas acreditaram em mim.

Mas o senhor não está concorrendo para perder. Obviamente que o senhor quer vencer...
Não é concorrer para perder. Eu me sinto feliz hoje, eu sinto o carinho das pessoas, eu vejo as pessoas acreditando que podemos melhorar a cidade, e acho que isso é o mais importante. Claro que eu quero ganhar, mas já me sinto vitorioso de estar no segundo turno.

O vereador Jovino Cardoso está incluído no seu secretariado. Ele era vice-prefeito de seu adversário Napoleão Bernardes e hoje faz campanha para o senhor. O que o candidato acha disso?
O Jovino é vereador. Em nenhum momento discuti esse assunto com ele nem com ninguém.

O nome da sua coligação é Blumenau Merece Mais. O que o senhor acha que cidade merece mais?
Merece ter um ônibus melhor. O povo precisa ter esperança de conseguir vaga na creche. Precisa chegar no posto de saúde e ter um médico para atender, ter o remédio. Precisa que as obras que têm dinheiro garantido saiam do papel. Merece mais da gestão pública. É um povo merecedor.

O senhor critica tanto o último mandato de prefeito, mas, como deputado, tentou articular com a prefeitura, tentou ajudar?
Tudo que eu pude fazer para ajudar, eu fiz. Garanti os recursos para as desapropriações da Rua Humberto de Campos, da ponte do Badenfurt, do dique da Fortaleza. Trabalhamos pelo prolongamento da Via Expressa, recursos aos hospitais, nova escola da Itoupavazinha, em alguns casos o município falhou. Por exemplo, Badesc Juro Zero. O governador Raimundo Colombo colocou à disposição da prefeitura R$ 20 milhões deste programa. A prefeitura perdeu o dinheiro. Conseguiu recuperar, mas teve que fazer um financiamento, pagando quase R$ 9 milhões de juro. Tem coisa que a gente fez, mas a prefeitura não correspondeu.

O senhor era deputado, também tem compromisso com a cidade. Chegou a alertar o prefeito sobre isso?
A prefeitura foi alertada. O Badesc também alertou.

Todas as prefeituras vivem dificuldades financeiras e Blumenau não está em situação diferente. Sua aposta é buscar recursos com a União e com o Estado para garantir as ações em Blumenau? Acha que o Estado e a União terão dinheiro para atender todas as cidades de forma ideal, como os prefeitos querem?
Primeiro, você precisa ter uma mudança na gestão do município. A prefeitura não pode mais gastar dinheiro como gasta com juros. Não pode mais gastar dinheiro com aluguel de salas ociosas. Temos que reduzir a estrutura organizacional. Tem que fazer os projetos. Eu acompanhei uma audiência no Ministério das Cidades, o ex-prefeito Kleinübing agendou com Gilberto Kassab, e o ministro perguntou se a cidade já tinha plano de mobilidade urbana. O atual prefeito disse que ainda não tinha feito. Então não adianta ficar reclamando que não tem dinheiro se não faz o dever de casa. A prefeitura aumentou a receita este ano. Dinheiro tem. Não para fazer grandes obras, mas tem para fazer as pequenas ações.

Qual decisão foi acertada desta atual administração?
Abertura dos ambulatórios gerais até 24 horas era uma proposta que eu também tinha na campanha anterior. Eram sete, mas foram feitos três. Mas, nos que foram feitos, foi interessante. Quero dar continuidade. Eu amadureci muito e quero mudar o que está errado.

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