Apenas oito em cada 100 prefeitos eleitos em SC são mulheres - Política - A Notícia

Versão mobile

Política07/10/2016 | 06h40Atualizada em 07/10/2016 | 06h40

Apenas oito em cada 100 prefeitos eleitos em SC são mulheres

Apesar de pequeno avanço em comparação com 2012, presença feminina ainda é tímida nos Executivos municipais do Estado

As eleições deste ano mantiveram a representatividade feminina em um patamar muito abaixo da presença masculina na política catarinense, levando em conta o número de políticos escolhidos para os mandatos que começam em janeiro de 2017. As mulheres terão o comando de 24 prefeituras — podendo chegar a 25 caso Angela Amin (PP) vença o segundo turno na Capital contra Gean Loureiro (PMDB) — o que representa aproximadamente 8,1% dos 292 prefeitos eleitos até agora. No segundo turno em Joinville e Blumenau só há homens na disputa. Em 2012, as lideranças femininas estavam presentes em 7,5% das prefeituras. Nas Câmaras municipais, elas ocuparão 390 das 2.898 cadeiras em disputa — mantendo os mesmos 13,4% das vagas totais já registrados há quatro anos.

Fatores não faltam, na análise de especialistas, para explicar porque a participação e eleição de mulheres continua sendo um desafio. Um dos principais é a falta de abertura nos partidos políticos, reflexo direto também de outra das principais dificuldades: a cultura política brasileira.

— As mulheres continuam não exercendo os principais cargos nos partidos. Há uma divisão de espaços do mundo público que põe os homens ocupando esses postos. E essa cultura tradicional arraigada se rompe a passos lentos, porque a candidatura da mulher também demanda muito afastamento da família e de modo geral ainda há apoio para o sucesso só dos homens na política — avalia a doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e mestre em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Lígia Helena Hahn Lüchmann.

Ela acrescenta ainda que a forte presença de mulheres — muitas vezes maior do que a dos homens —, em movimentos sociais e populares reforça que o interesse delas por política existe, mas que ele é filtrado e barrado em uma sociedade em que a ocupação de cargos de importância no setor público por parte dos homens é supervalorizada.

Nova e ampla reforma eleitoral seria a solução 

Para a mestre em Direito Eleitoral pela UFSC Aline Boschi, apenas uma nova e ampla reforma eleitoral feita pela Câmara dos Deputados poderia acelerar esse processo. Uma mudança mais rápida e drástica, por exemplo, seria um projeto de reserva de vagas para mulheres, e não de candidaturas.

— Existe a questão cultural do que seria o papel do homem e o papel da mulher e a legislação também se volta pouco para essa representatividade hoje. A lei determina que 30% dos candidatos sejam mulheres, mas boa parte vai para a lista só para preencher esse requisito, porque na verdade são candidaturas laranjas. Gente que nem queria se candidatar, que nem faz campanha — lamenta.

Fora uma ação do Legislativo, só o incentivo a uma participação cada vez mais efetiva é vista como solução para a disparidade entre homens e mulheres na política. Um dos passos para isso envolve a ampliação do debate dentro dos próprios partidos, porque as candidaturas são mediadas por eles. A busca de apoio financeiro, para uma melhor distribuição dos recursos, também é encarada como fundamental.

Alto Bela Vista é exemplo de igualdade de gênero

Os 2.026 eleitores da pequena Alto Bela Vista, no Oeste de Santa Catarina, deram às mulheres a maior vitória proporcional nas eleições do último domingo. A atual prefeita, Catia Tessmann Reichert (PSD) foi reeleita e das nove vagas na Câmara de Vereadores, quatro serão ocupadas por representantes femininas: Alice Schwambach Lemke (PMDB), Claudia Cristiane Petter Auler (PSD), Nadir Ohlweiler (PMDB) e Rosicler Terezinha Potrich Benincá (PSDB).

Reeleita com 50,7% dos votos, Catia destaca que a participação da mulher nas eleições é importante pela representatividade e também pela sensibilidade feminina na política. No caso dela, o interesse e o início na vida pública vieram por conta da família, que tem um histórico político.

— Como o município é pequeno e a gente nasceu, cresceu e viveu sempre aqui, os eleitores acreditam na pessoa, há muita proximidade. Eu tive o privilégio de todos me conhecerem e saberem de onde eu vim. Sei que as pessoas depositaram esse voto na pessoa que eu sou — avalia.

Maioria das prefeitas foram eleitas no Oeste e na Serra

Entre as sete capitais regionais de Santa Catarina, nenhuma mulher foi eleita para a prefeitura, sendo que uma delas — Angela Amin (PP) —, está no segundo turno em Florianópolis. Nos 20 maiores municípios do Estado, apenas São José elegeu uma mulher, com Adeliana Dal Pont, do PSD, reeleita com 44.312 votos.

Das cidades que elegeram prefeitas no Estado, 10 ficam no Oeste, cinco na Serra, quatro no Vale do Itajaí, duas no Litoral Norte, duas na Grande Florianópolis e uma no Norte catarinense.

Leia mais:

Confira todas as eleitas em Santa Catarina

Campanhas para prefeito das principais cidades de SC gastaram 72% menos que na eleição anterior

Presidentes dos principais partidos de SC avaliam novo mapa partidário do Estado

Confira os eleitos para prefeituras em todas as cidades de Santa Catarina

 
 

Siga A Notícia no Twitter

  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaHemosc de Joinville concentra a coleta de sangue no Norte até fevereiro https://t.co/2jdcNytUhPhá 1 horaRetweet
  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaPM divulga distribuição dos novos policiais militares de Santa Catarina https://t.co/kDVclFOQRchá 5 horas Retweet
  •  
A Notícia
Busca
clicRBS
Nova busca - outros