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Eleições 201607/07/2016 | 07h01

Saiba como Joinville pode ser uma cidade com mais apelo turístico

Criação de espaços estruturados e aposta em uma marca que venda a cidade no plano turístico estão entre os desafios apontados por especialistas

Saiba como Joinville pode ser uma cidade com mais apelo turístico Rodrigo Philipps/Agencia RBS
Mirante do Boa Vista foi reinaugurado em março deste ano Foto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS

“Em Joinville não tem nada para fazer!” É provável que, em algum momento, você já tenha ouvido ou dito essa frase. Mas especialistas na área discordam. Para eles, Joinville tem um rico potencial. O que falta é fazer o morador viver a cidade. Este é um dos maiores desafios que o trade turístico aponta para que Joinville se desenvolva na área.

Para a presidente do Conselho Municipal de Turismo, Elaine Scalabrini, um dos pontos de partida para se construir uma cidade que atraia visitantes é fazer com que o morador se sinta parte do processo e entenda que é possível ter turismo em Joinville.

Para a professora da Univille e especialista em turismo de eventos Yoná da Silva Dalonso, o turismo está diretamente ligado ao desenvolvimento da qualidade de vida dos joinvilenses. A partir daí, a cidade se vende.

– Isso se consegue com campanhas, mas, principalmente, com a qualificação dos espaços. É preciso oferecer estruturas mínimas para que possa ser encarado como espaço de lazer. O (Parque) Zoobotânico e o Mirante (do Boa Vista) são exemplos. Ganharam estruturas e atraem centenas de visitantes nos fins de semana — destaca.

Após um ano de acesso restrito em razão de obras, o Zoobotânico reabriu em março de 2014. Ganhou uma trilha que percorre o entorno do parque e academia de ginástica ao ar livre. Há mais espaço para as aves e vendedores ambulantes regulamentados, além de pontos de acessibilidade e novos banheiros. O investimento total superou R$ 3,4 milhões.

O Mirante do Boa Vista reabriu em março deste ano após ficar seis anos e meio interditado. Tem 14,5 metros de altura em relação ao solo e uma área de 70 metros quadrados. A capacidade é para 40 pessoas, que podem observar toda a cidade e a baía da Babitonga. O investimento foi de R$ 3,6 milhões. O espaço aguarda a instalação de uma lanchonete e melhorias no estacionamento, já que não é possível subir de carro até o local.

A presidente do Convention & Visitors Bureau de Joinville e Região, Rosi Dedekind, concorda que a oferta de lazer com estrutura é primordial para o fortalecimento da imagem turística da cidade.

– Não é possível esperar que a demanda apareça para, então, fazer os ajustes. Tem de equipar e criar o espaço.

A presidente do Conselho Municipal de Turismo realizou uma pesquisa de doutorado em 2014 com o objetivo de identificar, junto aos moradores, a imagem turística de Joinville e a designação que melhor representa o município. Quatrocentos e noventa pessoas responderam  e 82,2% disseram que acreditam que o município possa receber mais turistas, embora tenham mostrado preocupação em relação às infraestruturas básicas e turísticas e divulgação.

– A gente precisa otimizar os espaços de lazer para a população. Historicamente, os moradores iam muito às recreativas das empresas. Só que hoje esses espaços não comportam mais as necessidades da cidade. Precisamos de mais parques com infraestrutura. Tem demanda para isso, tanto que a Expoville, o Zoobotânico e o Mirante estão sempre lotados – diz Elaine.

Para ir além do turismo interno, ela ressalta que há a necessidade de um olhar para o futuro.

– Se chegarem ônibus com turistas no Mirante, como é que os passageiros serão organizados para subirem até o local se o único veículo que pode ir até lá é do município e é (de tamanho) pequeno? Como seriam atendidos? – questiona.

Que Joinville ainda tem um longo caminho a percorrer, não há como negar, mas o diretor, presidente da Fundação Turística de Joinville, Raulino Esbiteskoski, ressalta que a Prefeitura está investindo em melhorias.


Dança é a aposta de marca

Ser a detentora de um dos maiores festivais de dança do mundo e sede da única escola do Teatro Bolshoi fora da Rússia rendeu a Joinville o título de capital da dança. A denominação já era usada de modo informal, mas foi oficializada neste ano pelo Senado, que aprovou o projeto de lei 88/2015. O texto, assinado pelo deputado Marco Tebaldi (PSDB), aguarda a sanção da Presidência da República.

Na prática, o que o trade turístico espera é que esse não seja somente mais um título a se somar aos outros que a cidade já tem. Ser a capital nacional da dança poderia render a Joinville mais espetáculos, cursos e workshops durante o ano e não apenas na época do Festival de Dança. Para a maior parte dos especialistas, a cidade precisa apostar em uma marca única, forte, que traga resultados efetivos para o desenvolvimento do turismo.

Ely Diniz, presidente do Instituto Festival de Dança, acredita que o título de capital nacional da dança legitima a condição de Joinville e que a profusão de títulos que a cidade detém – cidade das flores, das bicicletas ou dos príncipes – pouco colabora para o desenvolvimento do turismo local.

– Esse título tem todas as condições de ser não apenas um apelido dado por nós, catarinenses, mas se espalhar pelo País inteiro, em razão de que as bases são únicas. Nenhum outro município brasileiro tem uma escola de balé com a grandeza do Bolshoi e o maior festival de dança do mundo. A edição deste ano do Festival teve recorde de inscrição. Teremos, em um ano de crise financeira e política, 7.800 participantes – informa Diniz.

Mas o título não deve ser mantido apenas por essas duas atrações, ainda que sejam de peso e destaque consideráveis, observa o presidente do Instituto Festival de Dança. Para ele, é a hora de a cidade aproveitar o momento e desenvolver ações que façam Joinville se movimentar por meio da dança durante todo o ano, com a realização de cursos de aperfeiçoamento profissional, apresentações culturais e implantação de novos espaços e estruturas para espetáculos, entre outros.

Para Diniz, é preciso que as iniciativas pública e privada se unam para discutir o que cada uma pode fazer para aproveitar essa nova marca para incentivar o turismo.

– A cidade precisa aproveitar o que tem nas mãos e construir efetivamente uma marca cultural. Não basta colocar em um folheto que é a capital nacional da dança. É preciso pensar em um teatro adequado, em atrair espetáculos, em criar um museu interativo para a dança, por exemplo – ressalta.

Rosi Dedekind, do Convention & Visitors Bureau, discorda que a cidade precise apostar em uma marca única. Para ela, Joinville pode ser a cidade da dança, das flores e das bicicletas.


Confira aqui a reportagem especial sobre a área do turismo e lazer

Joinville Desafios do Futuro


Acompanhe as reportagens

Dia 30/6 — Cultura
Dia 7 de julho — Turismo e lazer
Dia 14 de julho — Segurança
Dia 21 de julho — Educação
Dia 28 de julho — Saúde
Dia 4 de agosto — Esporte
Dia 11 de agosto — Habitação
Dia 18 de agosto — Assistência Social
Dia 25 de agosto — Infraestrutura urbana
Dia 1º de setembro — Meio ambiente

 

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