Cinco mil centro-americanos deixam capital mexicana em direção aos EUA - A Notícia

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México10/11/2018 | 21h21

Cinco mil centro-americanos deixam capital mexicana em direção aos EUA

AFP
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Após horas de caminhada, milhares de centro-americanos chegaram neste sábado em caravana ao central estado de Querétaro, depois de deixar a capital do México, decididos a alcançar seu destino final nos Estados Unidos.

Cerca de 10 horas depois de deixarem a Cidade do México, cerca de 2.000 migrantes já haviam conseguido chegar a Querétaro, um próspero estado caracterizado por seu alto desenvolvimento industrial, onde as autoridades locais determinaram que eles fossem alojados nos corredores exteriores do estádio de futebol La Corregidora.

É esperado que mais 3.000 que também retomaram a caminhado de um abrigo na Cidade do México, viajando primeiro em vagões de metrô - disponibilizados especialmente pela prefeitura capital - e depois em veículos ou a pé, cheguem a Querétaro nas próximas horas.

Com cobertores e sacos plásticos, os migrantes improvisam abrigos para tentar amenizar as fortes correntes de ar frio que afetam os que sofrem de doenças respiratórias. Alguns deles, especialmente crianças, têm febre.

Outros tomam banho como podem nos banheiros do estádio; enquanto a maioria, exausta, tenta descansar nos colchenetes carregados por todo o caminho.

Para fazer a viagem "tive que andar um bom trecho e pegamos um ônibus que nos cobrou cerca de 100 pesos (cerca de US$ 5)" por 150 km, disse à AFP Hector Torres, um pai de família hondurenho.

"A verdade é que os transportadores e motoristas de táxi estão se aproveitando de nós, os imigrantes sem dinheiro", acrescentou.

Cansaço e frustração

A caravana partiu em 13 de outubro da hondurenha San Pedro Sula e já percorreu mais de 1.500 km. Dias mais tarde, uniram-se a ela pelo menos outras duas caravanas, desafiando as ameaças do presidente americano, Donald Trump, que as classifica como "invasão" e ordenou a mobilização de milhares de soldados para reforçar sua fronteira com o México e impedir sua passagem.

Entre espirros e tosse, os migrantes levantaram o acampamento, no qual pernoitaram por seis noites em um parque esportivo na Cidade do México.

Com crianças tomando mamadeira nos braços, ou no carrinho, e outros pequenos andando de pijamas, os centro-americanos exaustos começaram sua jornada para o norte, mesmo na escuridão da noite.

Carlos, um mexicano que não quis dar mais detalhes sobre sua identidade e que se juntou à caravana no estado de Oaxaca, no sul do país, disse que à medida que a caravana se move para o norte, o tratamento vai ficando mais hostil.

"Em Chiapas, fronteira com a Guatemala, a resposta foi imediata, as pessoas lá eram solidárias. Em Oaxaca, aconteceu o mesmo. Mas as coisas mudaram em Veracruz, na Cidade do México, e agora em Querétaro", lamentou.

Na capital mexicana, o acampamento deixou de ser "um campo de refugiados para virar um circo, uma exposição, um zoológico para assistir todas as pessoas que estavam lá. Depois, as falsas promessas de que eles dariam ônibus, mas eles não deram", contou no acampamento do estádio, cobrindo a garganta com um lenço verde.

Vamos em frente

Ao deixar a Cidade do México, o grupo de migrantes tomou as laterais de uma estrada larga de alta velocidade que atravessa cidade na direção da estrada para Querétaro.

Na moderna rodovia, caminhões de carga, caminhonetes e caminhões particulares pararam para levá-los. Alguns viajavam apertados nos carros, outros sentaram no porta-malas.

"Obrigado México!", "Vamos em frente!", gritavam para os pedestres, enquanto acenavam com as mãos.

Os demais seguiram a viagem a pé ou pegaram ônibus do transporte público.

"Quando você quer algo, um risco é necessário e não importa o que possa acontecer. Que Deus nos proteja e proteja", disse Lucas Rocha, um hondurenho de 31 anos que tenta chegar à fronteira pela segunda vez.

Grupos de ativistas acompanham a caravana. "É muito triste, mas eles estão cheios de esperança, então nós, como mexicanos, os ajudamos em sua viagem que é muito longa", disse Angelica Eugenio, ativista religiosa de 41 anos, enquanto oferece água, atum e biscoitos

* AFP

 

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