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Paris21/06/2018 | 00h26

Oxfam denuncia desigualdades no setor agroalimentar

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O sistema alimentar mundial apresenta disparidades cada vez mais escandalosas, pelas quais os agricultores e os produtores ganham cada vez menos há 20 anos, enquanto que a grande distribuição acumula lucros, denunciou a ONG Oxfam em um estudo internacional publicado nesta quinta-feira.

Os supermercados "cresceram até controlar as distintas ligações das redes de produção alimentar", considera a ONG, que denuncia a "constante pressão" sofrida pelos produtores "para reduzir os preços mantendo padrões de qualidade constantes".

Segundo um cálculo da ONG, as oito primeiras grandes superfícies do mundo cotadas na Bolsa registraram cerca de 1 trilhão de dólares em vendas em 2016 e quase 22 bilhões de lucros.

"Nesse ano, em vez de reinvestir os lucros em seus fornecedores, recompensaram seus acionistas com mais de 15 bilhões de dólares em dividendos", revela o estudo internacional intitulado "A hora da mudança: Acabar com o sofrimento das pessoas nas redes de abastecimento dos supermercados".

O poder de negociação dos supermercados faz baixar continuamente os preços e exacerba o risco de violações de direitos humanos e dos direitos trabalhistas: precarização sem limites, crianças no mercado de trabalho ou assédio são muito frequentes no setor agrícola e de alimentos, ressalta a Oxfam.

- Queda do suco de laranja -

Entre meados dos anos 1990 e meados dos anos 2010, o preço do suco de laranja produzido no Brasil caiu 70% e o da vagem colhida no Quênia, 74%, destaca o relatório.

"Esta tendência contribuiu para que a renda dos lavradores e pequenos produtores agrícolas apenas supere seus custos de produção", e cada vez mais agricultores são forçados a abandonar suas terras e a aceitar trabalhos precários nas grandes plantações, segundo a Oxfam.

Em nível mundial, o estudo ilustra as crescentes disparidades na divisão da renda envolvendo doze produtos, desde abacates produzidos no Peru a tomates do Marrocos, passando por bananas do Equador, atum em conserva da Tailândia, suco de laranja do Brasil e camarões do Vietnã.

A média de 8,8% recebida pelos produtores entre 1996 e 1998 sobre o preço final desta cesta de produtos caiu para 6,15% em 2015, segundo o estudo.

Ao mesmo tempo, os grandes distribuidores viram sua parcela subir de 43,5% para 48,3% no mesmo período.

O relatório destaca que somente na União Europeia, dez supermercados são responsáveis por mais da metade da totalidade das vendas de alimentos no varejo.

A Walmart, maior rede de grande distribuição do mundo, que pertence majoritariamente à família mais rica dos Estados Unidos, registrou em 2016 receitas de 486 bilhões de dólares, ou seja, mais do que o PIB de países como Noruega e Nigéria, segundo a ONG.

O crescimento de empresas varejistas como Aldi e Lidl, e a compra da Whole Foods em 2017 pela Amazon fazem temer "um novo período de maior redução de custos" e que se acelere "a competição em detrimento das legislações sociais em ambientais que regem as cadeias de produção".

Mas a Oxfam considera que é "perfeitamente possível" que os "agricultores e empregados ganhem um salário mínimo vital", um "salário digno".

Com "investimentos mínimos" seria possível promover um maior equilíbrio na divisão da renda, conclui o estudo, que defende o estabelecimento de preços mínimos para os produtos agrícolas básicos.

* AFP

 

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