Santa Catarina encerra 2015 com saldo negativo de empregos pela primeira vez em 12 anos - A Notícia

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Economia21/01/2016 | 14h44Atualizada em 21/01/2016 | 21h44

Santa Catarina encerra 2015 com saldo negativo de empregos pela primeira vez em 12 anos

Estado perdeu quase 60 mil vagas com carteira assinada no ano passado

Brasil perdeu 1,5 milhão de vagas em 2015, diz Ministério do Trabalho Sine/Divulgação

A grave crise econômica que assola o país mostrou um de seus lados mais perversos em 2015. Após doze anos seguidos de crescimento, o mercado de trabalho brasileiro perdeu 1,5 milhão de vagas no ano passado. E não foi diferente em Santa Catarina. No Estado, foram cortados 58.599 empregos, uma queda de 2,88%, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho.  Os números deixam Santa Catarina em oitavo lugar entre os que mais demitiram no país. Cenário totalmente oposto ao de 2014, quando o Estado liderou a criação de vagas, com quase 54 mil vagas geradas.

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Entre as cidades catarinenses, quem mais perdeu foi Joinville. Fortemente impactada pela queda na indústria de transformação, a maior cidade catarinense viu 10,3 mil empregos serem ceifados no ano passado, o que representa 17,3% do tombo catarinense. É quase o dobro de vagas fechadas em Blumenau, que perdeu 5,2 mil vagas de trabalho e aparece com o segundo pior saldo. São José é a terceira na lista (-3,7 mil), seguida de Jaraguá do Sul (-3,2 mil), Brusque (-2,9 mil), Itajaí (-2,8 mil) e Chapecó (-2,6 mil).  O melhor desempenho foi de Imbituba, com a criação de 285 postos de trabalho.

Indústria e comércio perdem mais

Quando é feito o recorte por setores econômicos, fica claro que os trabalhadores da indústria de transformação foram os mais prejudicados pela economia vacilante. Somente em Santa Catarina, foram 36,3 mil empregos a menos no setor. Comércio (-9,5 mil) e construção civil (-8,5 mil) fecham o ingrato pódio das demissões.

Para o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Glauco Côrte, o resultado do emprego reflete o atual quadro econômico do país.

— O desemprego é a face mais cruel da crise, pois atinge os trabalhadores e suas famílias. Esse resultado anulou todo o esforço de criação de vagas de 2013 e 2014 — diz.

Ainda segundo Côrte, os setores metal-mecânico e têxtil tiveram os piores índices da indústria, perdendo 11 mil empregos cada em 2015. O único a fechar o ano com saldo positivo foi a indústria alimentícia, com 2 mil vagas criadas.

Entre os comerciantes, o clima também é de pessimismo. Segundo Bruno Breithaupp, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio-SC), os principais fatores que levaram à queda em 2015 foram falta de confiança do consumidor, inflação crescente e alta dos juros.

— O aspecto político impacta.  Não vemos nenhuma discussão sobre temas essenciais como as reformas tributária e previdenciária. Além disso, o ajuste fiscal que vem sendo proposto não teve efeito prático nenhum — afirma Breithaupp.

Dezembro negro

Somente em dezembro, Santa Catarina cortou 34.971 postos de trabalho, o que representa quase 60% das perdas de todo ano. Segundo o Ministério do Trabalho, o número se explica por questões sazonais como entressafra agrícola, férias escolares, período de chuvas e término das festas no final do ano, que afetam quase todos os setores.

Na indústria, dezembro geralmente é marcado por demissões, principalmente com o fechamento de vagas temporárias abertas entre setembro e novembro para atender encomendas de fim de ano. Em 2015, esse quadro foi ainda pior, segundo Glauco Côrte.

— As festas de fim de ano não foram fortes e também vivemos um período de recessão aguda. Esses dois fatores ajudaram nos números negativos — conta.

No comércio, a criação de vagas temporárias também foi bastante reduzida. Enquanto nas temporadas anteriores esse tipo de contratação apresentou números expressivos — 22 mil em 2013/2014 e 8 mil em 2014/2015 — desta vez os temporários não devem passar de 2 mil em toda Santa Catarina.

Perspectivas ruins

Com os economistas prevendo outra queda no PIB  neste ano, indústria e comércio trabalham com perspectivas pessimistas quanto ao emprego em 2016. 

— A recessão deve ser ainda mais aguda neste primeiro semestre, pois vamos sentir os efeitos dessa queda na economia — diz Côrte.

Nem mesmo alguns bons índices de Santa Catarina  — o Estado tem a menor taxa de desocupação do país, segundo o IBGE — devem blindá-lo de novo tombo.

— Uma hora ou outra seríamos afetados. De fato,  nosso estado sempre teve uma condição privilegiada, mas vivemos no contexto do Brasil e não podemos nos blindar completamente disso — diz.

Números nacionais

Segundo o Caged, o Brasil fechou 1,54 milhão de  postos de trabalho em 2015, o que significa um recuo de 3,74% no número de empregos formais no país. O resultado é o pior da série histórico, iniciada em 2002. Assim como em SC, a indústria registrou a maior  queda, com  608,8 mil vagas  perdidas (-7,41% em relação a 2014). No extrativismo,  foram menos 14 mil postos (-6,3%). Na construção civil, o corte nos postos de emprego atingiu  416,9 mil trabalhadores .   


 

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