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Superação14/02/2014 | 16h23

Surfe com o DC: as sensações de uma pessoa com deficiência visual sobre a prancha

Sidnei Pavesi aceitou o convite de surfar com a prancha do Diário Catarinense

Surfe com o DC: as sensações de uma pessoa com deficiência visual sobre a prancha Guto Kuerten/Agencia RBS
Sidnei Pavesi, deficiente visual, aceitou o desafio de surfar na Praia do Atalaia Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

Imagine-se de olhos fechados. Sinta a água, o vento, as ondas. Agora se concentre e pense na liberdade de poder andar sobre as ondas como se fosse Jesus Cristo. Assim, Sidnei Pavesi explica a sensação de surfar na Praia da Atalaia, em Itajaí, com a prancha do DC. Para ele, o limite não existe. Sidnei é cego desde os 14 anos.

Ele aceitou com prazer o desafio de surfar mesmo após um ano longe do mar. O fisioterapeuta formado na Univali em Itajaí tem 36 anos e coleciona aventuras radicais. Já fez rapel, escalada, surfe. Em breve, ele fará paraquedismo.


Sidnei quando conseguiu subir na prancha
Foto: Guto Kuerten/Agência RBS


Sidnei trabalha na Secretaria de Assistência Social em Brusque. Numa manhã ensolarada na Praia da Atalaia pegou a prancha e começou a passar a parafina. Recebeu as primeiras orientações do professor Ney Machado, da Escolinha de Surfe Amigos da Atalaia.

Assista o surfe com Sidnei:

Sem pegar onda há mais de um ano, o preparo físico não era mais o ideal. Sua direção no mar vinha do professor que segura seu braço e descrevia como estavam as ondas. Foram aproximadamente 15 tentativas. Duas resultaram em momentos especiais. Na sexta, Sidnei ficou por mais de 10 segundos em pé. Todos foram ao delírio na praia.

- Não acredito que ele seja cego - disse a turista paulista Maria Rosa Sampaio, 34 anos, que viu Sidnei surfando.

Sidnei Pavesi nasceu com 10% da visão. Aos 14 anos, ficou completamente cego. Nada disso impediu que participasse do projeto Surfe com o DC. Sidnei entrou no mar observado por todos na areia. A ansiedade e o nervosismo atrapalharam nas primeiras ondas. Não conseguia ficar em pé. Não desistiu mesmo cansado. Depois de três tentativas, a euforia tomou conta da praia e do surfista. Ficou em pé e levou todos ao delírio.

Saiu da água para descansar e receber mais orientações do professor. Mais calmo ficou em pé em mais duas ondas. O estilo e o tempo na onda não passam de detalhes.

- O surf como outras modalidades veio com o interesse em quebrar barreiras. Quero mostrar à sociedade que o deficiente visual pode fazer qualquer coisa. Se tenho limites ainda os desconheço. Quero apenas aproveitar e curtir cada momento - disse Sidnei.

Para o professor de surfe Ney Machado (na foto com Sidnei), a experiência foi única.

- Ele é dedicado, focado e esforçado. Ganhei o dia. Foi gratificante ver ele fazer algo diferente e tamanha força de vontade.

Veja outro vídeo do Sidnei surfando. A produção é do Jornal de Santa Catarina:

DIÁRIO CATARINENSE

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