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05/05/2011 | 08h31

Fechado maior desmanche de carros já encontrado em Joinville

Quadrilha furtava veículos no Paraná e juntava as peças no Comasa

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Fechado maior desmanche de carros já encontrado em Joinville Salmo Duarte/Agencia RBS
Galpão esrtava repleto de peças removidas de carros Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Uma operação conjunta entre a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santa Catarina e a Polícia Civil do Paraná, realizada na manhã da última quarta-feira, resultou no fechamento de um dos maiores desmanches de carros roubados já descobertos em Joinville. Segundo as polícias, os carros eram roubados por encomenda em Curitiba, na região dos bairros Água Verde e Rebouças. O 2º Distrito da Polícia Civil paranaense estava registrando pelo menos um roubo por dia na região.

De Curitiba, conforme as polícias, o grupo transportava parte dos veículos para a loja Autopeças Box 2, na rua Ponte Serrada, no bairro Comasa, zona Leste de Joinville. Foram encontrados ontem cerca de 60 carros desmontados. Sete homens que estavam trabalhando na loja foram presos em flagrante, suspeitos de receptação e formação de quadrilha. Um deles, preso com o irmão, foi apontado à polícia como o chefe do esquema por um ladrão de carros detido no Paraná nesta semana.

Segundo policiais concluíram ao vasculhar a loja, o desmanche funcionava como uma verdadeira “linha de desmontagem”, que recebia, em média, um carro roubado por dia. Na garagem, havia veículos que estavam começando a ser desmanchados. Nos cômodos seguintes, as peças iam sendo removidas e se acumulavam até o teto. Perto da entrada principal, havia peças em prateleiras, prontas para a comercialização, separadas por tipo e marca.

Peças com numeração do chassi, como os vidros das portas, eram eliminadas. O restante do material era vendido para outras autopeças. No momento da prisão, os sete homens estavam abastecendo um caminhão recém-estacionado em frente à loja. Agora, a Polícia Civil investiga o destino das peças, que eram revendidas em lojas de peças de Joinville e de cidades vizinhas.

Durante uma vistoria a outra loja de autopeças considerada suspeita, na rua Santo Augostinho, no bairro Fátima, a polícia encontrou peças que podem ter sido adquiridas com a quadrilha. Segundo o delegado do Deic, Alexandre de Oliveira, há fortes indícios de que o material é proveniente do desmache. As peças e um notebook serão submetidos à perícia. O dono do estabelecimento alega que o material teria sido vendido como se fosse de carros envolvidos em acidentes de trânsito. Ele não foi detido.

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Esquema foi entregue por rapaz preso

As polícias começaram a atuar em conjunto depois que, na noite de segunda-feira, Daniel de Carlos Castro, de 19 anos, foi preso em flagrante em Curitiba. Ele havia roubado um Peugeot 307, abandonado na fuga. Horas mais tarde, voltou para buscar o carro e acabou preso.

— Ele é de São Paulo, mas relatou que a quadrilha atuava em Curitiba e encaminhava as peças para a loja em Joinville — conta o investigador da Polícia Civil paranaense Thales Kuroski.

Conforme o investigador, Castro contou à polícia que os carros eram trazidos a Joinville por três homens que estariam entre os presos na cidade. Os ladrões que atuavam em Curitiba recebiam instruções do líder do desmanche, que indicava os carros em que teria interesse no momento. Com as informações repassadas por Castro, o Deic de Santa Catarina e membros da Polícia Civil paranaense começaram a espreitar a loja no Comassa na terça. As prisões ocorreram por volta das 8h30 de quarta.

Na loja de Joinville, havia pelo menos dois carros roubados em Curitiba na semana passada. No decorrer do inquérito, a polícia paranaense deve cruzar dados das peças apreendidas com registros de roubos e latrocínios para tentar identificar os carros. Três paulistas que ajudariam Castro a roubar os carros continuam foragidos no Paraná. Eles foram identificados apenas como “Neguinho”, Rogério e André.


Carros seriam encomendados

Segundo os investigadores, o apontado como responsável pelo desmanche descoberto em Joinville, Fabiano Bastos, teria admitido que pagava R$ 2,5 mil por veículo.

— Cerca de cinco carros por semana eram roubados no bairro Água Verde e Rebouças e levados para serem desmanchados — diz o delegado da Polícia Civil paranaense, Robson Cezar da Silva Barreto.

Além de aproveitar as partes desmontadas dos carros para a venda na própria loja, ele é suspeito de revender conjuntos de peças para outros estabelecimentos em Joinville. O irmão de Fabiano, Luciano Bastos, também foi preso e encaminhado ao Presídio Regional. Além dos irmãos, Osmar Cardoso, Rafael Rodrigues Estuarte, Jairo Batista, Salomão Oliveira Marques e Jean Paulo Soares acabaram detidos.

A reportagem de “AN” tentou conversar com os suspeitos enquanto a ocorrência estava em andamento, mas nenhum deles esclareceu as acusações ou informou se tinha advogado.

Bastos foi condenado a três anos de prisão pelo crime de formação de quadrilha, em 2007. Ele era acusado de participar de um esquema de arrombamentos a caixas eletrônicos. Na época, alegou que trabalhava como fresador e não tinha envolvimento com o grupo de “caixeiros”. Mas o juiz o condenou por entender que Bastos não teria condições de comprar uma caminhonete e outros bens apreendidos.

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