Influência do Estado Novo no Norte catarinense é tema de pesquisa em Joinville - A Notícia

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18/02/2009 | 15h01

Influência do Estado Novo no Norte catarinense é tema de pesquisa em Joinville

Dissertação de mestrado de Giane de Souza vira livro

Influência do Estado Novo no Norte catarinense é tema de pesquisa em Joinville Reprodução/
Lançamento do livro será nesta quinta-feira na Estação da Memória Foto: Reprodução
Em 10 de março de 1940, no dia da visita do presidente Getúlio Vargas a Joinville, as indústrias da cidade amanheceram com as chaminés acesas e grande movimentação em seus pátios. Tudo para mostrar ao líder da nação como aqui era uma "cidade onde se trabalha". Quase 60 anos depois, o bordão virou título do livro da historiadora Giane Maria de Souza, a primeira publicação sobre a influência do Estado Novo no Norte catarinense, que será lançado nesta quinta na Estação da Memória.

O legado da Era Vargas, até hoje presente na cidade, virou objeto de pesquisa há cinco anos. Nascida nos arredores da Tupy, no bairro Boa Vista, Giane viveu a infância em meio aos funcionários que iam para o trabalho de bicicleta - era época de prosperidade, quando as fábricas ganhavam corpo em Joinville e empregavam mais da metade da população. Do interesse pela conduta de "amor ao emprego" do joinvilense, a autora tirou a inspiração para a pesquisa da dissertação de mestrado.

"Os governos mudam, porém, o Estado continua com sua função histórica de mediação entre o capital e trabalho", resume Giane. Entre os anos de 1937 e 1945, os sindicatos atuavam na propagação dos planos getulistas "educando" os trabalhadores a apoiar as políticas nacionalistas do seu presidente. Além do apego à língua alemã, herança dos imigrantes, os joinvilenses passaram por outros processo de doutrina para se adequarem ao modelo de país objetivado por Vargas.

Daí nasceu o vínculo entre o trabalho e a igreja, duas instituições respeitadas socialmente e com credibilidade junto ao povo. Na sede do Círculo Operário de Joinville, na rua Inácio Bastos, ocorriam as reuniões com os sindicatos para delinear as formas de apresentar os preceitos do Estado Novo aos seus filiados. Era a "difusão da pedagogia de aquiescência", como explica Giane.

A relação governo-sindicato era íntima e sem máscaras. Conforme explica a autora, o 1º Congresso dos Operários, em 1934, teve como homenageado Lindolfo Collor, que tempos depois viraria ministro do Trabalho de Getúlio Vargas. Até o hall do Círculo Operário, teoricamente um espaço de diálogo entre os trabalhadores, foi batizado de "Filinto Müller", como ode ao militar, um dos braços direitos do presidente.

O relato de Giane leva até a vinda de Getúlio Vargas, em 1940. Luiz Simão de Mira, telegrafista da Estação Ferroviária, lembra do fato. "Foi uma grande festa, o povo acenava para ele todo o tempo". Durante o período do Estado Novo, conta, qualquer menção a "greve" poderia provocar um grande problema e até "ser chamado para ir ao batalhão" para prestar esclarecimentos.

Apesar da onipotente sombra de Vargas, Luiz considera o presidente um dos maiores líderes da nação. "Os que vieram depois deveriam ter tido aula com ele", brinca. Para Giane, esse apego é herança de uma política quase ditatorial, mas que veio numa época de prosperarão. E que por isso merece esse resgate histórico.
 

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