Versão mobile

17/01/2009 | 16h58

Presos da Penitenciária Industrial de Joinville têm a oportunidade de estudar

Um passou no vestibular da UFSC e outros 20 se classificaram para cursos técnicos

Enviar para um amigo
Presos da Penitenciária Industrial de Joinville têm a oportunidade de estudar Rogerio da Silva/
Dos 356 internos, 130 cursam as séries do ensino fundamental e médio Foto: Rogerio da Silva
Os internos da Penitenciária Industrial de Joinville estão deixando de ser apenas uma estatística no sistema prisional de Santa Catarina. Atrás das grossas paredes de concreto, há mais do que guardas, grades e regras. Há também salas de aula, professores e livros. O resultado do empenho na formação intelectual dos presos acaba de aparecer: em 2008, 20 detentos prestaram vestibular na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Um deles passou.

Luciano Siqueira Machado, 37 anos, de Ivaiporã (PR), passou no curso de sistemas de informação. Apesar do feito de ser aprovado em uma federal, o calouro não vai assumir a vaga. Luciano está em regime fechado e não quer nem saber de ser transferido de presídio.

— Eu tinha a intenção de passar, mas não esperava. As duas primeiras horas depois de receber o resultado foram muito estranhas. Quero que o período em que vou ficar aqui seja o mais produtivo possível — afirma.

Para a gerente de saúde, ensino e promoção social da penitenciária, Jaqueline Fachini, os números são animadores.

— Quando os presos veem que seus colegas de cela estão passando, eles ficam animados com a perspectiva de poder estudar e mudar de vida. É aquela coisa: se ele consegue, por que não eu? — afirma.

Dos 356 internos, 130 cursam as séries do ensino fundamental e médio. Outros 32 fazem cursos profissionalizantes dentro da própria penitenciária. Em 2008, 23 detentos tentaram passar no Centro de Educação Profissional Dario Geraldo Salles (Cedup). Vinte conseguiram. Outro motivo para Luciano não ir para Florianópolis é a possibilidade de fazer o curso. Para um preso ser liberado para estudar, são necessários exames psicológicos, pedagógicos e comportamentais, além de autorização judicial.

Mas, assim mesmo, ele acha que a classificação já é uma conquista, que o permitirá tentar novas vagas quando conquistar o benefício do regime semiaberto. Para estudar, Luciano contou com a ajuda de amigos e parentes que enviaram provas antigas, exercícios e outros materiais pelos Correios. A família ainda não sabe do resultado.

— Já enviei uma carta para eles contando tudo — diz.

Caso comece a estudar em 2009, ele deve concluir a faculdade mais ou menos quando poderá entrar em regime aberto.

— Quero abrir uma empresa com o meu filho na área de tecnologia — projeta.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga A Notícia no Twitter

  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaSemana começa com sol entre nuvens em grande parte de SC e chuva no Oeste http://t.co/YtvJqXvfp5há 11 minutosRetweet
  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaConfira todos os resultados da rodada deste fim de semana do Brasileirão http://t.co/3PRJtmlQ6c #futebol #SerieAhá 11 horas Retweet
clicRBS
Nova busca - outros