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México03/12/2018 | 15h52

Mexicanos tomam Los Pinos, a 'faraônica' casa presidencial que AMLO rejeitou

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Pela primeira vez em 83 anos, milhares de mexicanos percorrem e disfrutam os esplêndidos ambientes de Los Pinos, que foi, até sexta-feira, a residência presidencial, mas que o novo chefe de Estado de esquerda, Andrés Manuel López Obrador, decidiu não ocupar e converter em um espaço público.

Entre espanto e desconcerto, os primeiros visitantes caminham entre seus primorosos jardins, cheios da árvore que lhe dão o nome, e após os quais se revelam as luxuosos mansões que compõem o conjunto.

O caminho de pedras, chamado Calçada dos Presidentes por estar ladeado por solenes estátuas dos ex-presidentes que ali moraram, sugere a importância do local na história do país.

Após percorrer a casa Miguel Alemán, chamada assim pelo presidente que a mandou construir e que deslumbra por seu amplo salão de recepção e uma majestosa escadaria interior, Alejandra Barreto, de 50 anos, se mostra impressionada.

"É bastante ostentosa, nunca imaginei que existisse um lugar assim", diz Barreto sobre o imóvel que há algumas semanas era habitado pela família do ex-presidente Enrique Peña Nieto.

"Francamente, os espaços são enormes... e para uma só família?", questiona esta comerciante do estado de Puebla (centro), de visita na capital.

O percurso mostra primeiro os espaços de trabalho, como o gabinete presidencial, usado por Peña Nieto e seus antecessores, Felipe Calderón e Vicente Fox.

Já no segundo andar, está a recâmara presidencial, que inclui um quarto e um closet, de 30 a 40 metros quadrados cada um. Também há uma ampla sala de televisão.

- Residência 'faraônica' -

O porão, que segundo policiais militares que o vigiam era igualmente usado para entretenimento e trabalho, inclui um cinema particular, com 35 cadeiras reclináveis de couro, e uma sala chamada "O Bunker", com 20 lugares e cinco grandes telas. Foi implementada por Calderón, responsável por lançar uma polêmica ofensiva militar contra o crime no final de 2006.

"Para as reuniões mais importantes, para que não houvesse distração, eles se fechavam aqui", explica uma segurança.

De volta ao térreo, outra segurança afirma que a sala de jantar, que conta com uma mesa retangular para 28 pessoas, era usada cotidianamente pela família de Peña Nieto.

"É uma situação faraônica, é irreal para qualquer mexicano", afirma Gilberto Gutiérrez, de 30 anos e líder do Morena - partido de López Obrador - em Aguascalientes (norte).

Para Gutiérrez, estes luxos desvirtuam a ideia original do presidente Lázaro Cárdenas, que criou a residência em 1935 para se afastar da opulência do Castelo de Chapultepec, antiga residência presidencial, e hoje sede do Museu de História.

Os outros edifícios do complexos, batizados com nomes de ex-presidentes, abrigam principalmente escritórios.

E embora Fox e Calderón tenham optado por viver no imóvel chamado "Las Cabañas", adaptando a extravagante casa Alemán como local de trabalho, Peña Nieto decidiu restaurá-la como residência.

- Espaço para o povo -

Los Pinos "é um espaço que marca uma enorme distância com o resto da população e também a ostentação em que os políticos do país viveram", disse Hernán Gómez, analista político, que se somou à primeira onda de visitantes.

Com uma área de 56.000 metros quadrados, é 14 vezes maior que a Casa Branca, segundo dados oficiais, e a decisão de não ocupá-la se alinha com a política de "austeridade republicana" de López Obrador.

O presidente disse que reduzirá seu salário para menos da metade, venderá um luxuoso avião presidencial e ordenará a dissolução de sua pomposa guarda de segurança, composta por milhares de soldados.

Nem todos, no entanto, rejeitam o luxo de Los Pinos.

"É majestoso, todos os materiais são, por exemplo, as madeiras, são móveis muito finos e elegantes. É incrível que esta oportunidade esteja sendo dada à nação", afirma Zully Montiel, universitária de 20 anos.

A abertura, coincidindo com a posse de López Obrador, viu seus jardins ocupados por centenas de pessoas que comemoravam sua chegada ao poder, exibida em telões.

"É quebrar paradigmas de tudo o que vivamos no México a vida toda. Desde que me lembro, nunca havia sentido que o poder está nas mãos do povo", disse Ileana Ramírez, funcionária de 43 anos, depois de ver o discurso.

O futuro da residência, que recebeu cerca de 25.000 visitantes no sábado, e 60.000 no domingo, ainda não foi definido.

Por estar dentro da Floresta de Chapultepec, espaço que abriga museus, um zoológico, entre outras atrações, é provável que acabe se integrando nesse circuito.

"Pouco a pouco irá, com muito diálogo com os cidadãos, construindo sua própria vocação", disse Antonio Martínez, funcionário do Ministério da Cultura.

* AFP

 

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