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México03/12/2018 | 17h29

López Obrador começa governo com comissão investigativa de Ayotzinapa

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O novo presidente de México, Andrés Manuel López Obrador, lançou nesta segunda-feira (3) a sua "transformação" do país com coletivas de imprensa matinais e a instalação de uma comissão investigativa para esclarecer o famoso caso dos 43 estudantes desaparecidos em 2014, conhecido como Ayotzinapa.

O esquerdista, amplamente conhecido por suas iniciais como AMLO, prometeu uma ruptura com o passado e deu início a uma nova investigação de um caso que é um dos pontos mais obscuros do governo de seu antecessor, Enrique Peña Nieto.

"Com a assinatura deste acordo iniciamos o processo de busca dos jovens de Ayotzinapa. Esse foi o nosso compromisso e estamos começando a cumprir com a nossa palavra", disse López Obrador após assinar o decreto de criação da comissão.

"Espero que logo saibamos a verdade, que a justiça seja feita e se torne um exemplo para que nunca mais violem os direitos humanos em nosso país", acrescentou.

Segundo a hipótese da Promotoria sob o governo de Peña Nieto, os 43 estudantes da escola de Ayotzinapa para professores rurais estavam em Iguala, no estado de Guerrero (sul), apoderando-se de ônibus para suas mobilizações políticas quando foram baleados e detidos por pistoleiros e policiais locais.

Os agentes corruptos os teriam entregado a narcotraficantes, que teriam assassinado-os para depois incinerar seus corpos e jogar as cinzas em um rio.

Entretanto, o governo de Peña Nieto foi criticado pelo ombudsman do México - que o acusou de divulgar informação falsa ou parcial do caso -, pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ONU e por outras organizações de direitos humanos.

A nova comissão será composta formalmente em 30 dias úteis e será integrada pelos pais dos estudantes e membros do governo, assim como especialistas e técnicos profissionais.

Retomará as investigações e recomendações emitidas pelo ombudsman e por outros organismos, segundo informou o subsecretário de Direitos Humanos, Alejandro Encinas.

"Todo o governo irá ajudar neste objetivo e asseguro a vocês que não haverá impunidade, nem neste caso tão tristo nem em nenhum outro", acrescentou López Obrador.

- Coletiva matinal -

Mais cedo, o governo de López Obrador rompeu com o estilo mais distante da administração anterior ao anunciar reuniões diárias com o gabinete de segurança, seguidas de coletivas de imprensa.

"De segunda a sexta, às seis da manhã, como fizemos hoje, vamos nos reunir com os integrantes do gabinete de segurança pública porque este é o tema que mais preocupa os mexicanos", disse AMLO durante a entrevista coletiva, similar às que mantinha quando era prefeito da Cidade do México (2000-2005).

As entrevistas coletivas abertas quase não existiam durante o governo de Peña Nieto, que poucas vezes aceitou perguntas da imprensa.

O México se viu fortemente atingido pela violência ligada ao narcotráfico desde que o governo de Felipe Calderón (2006-2012) mobilizou o Exército na luta contra o crime organizado.

López Obrador declarou no sábado que manterá o Exército nas tarefas de segurança e criará uma guarda nacional que será coordenada pelos militares, o que gerou críticas de defensores dos direitos humanos, que afirmam que a participação das Forças Armadas agrava a violência.

O novo chefe de Estado acrescentou que seu governo começou sem problemas, em uma entrevista coletiva na qual também abordou temas de migração e o cancelamento da construção do novo aeroporto da Cidade do México.

* AFP

 

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