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Istambul15/10/2018 | 12h24

Turquia inspeciona consultado saudita onde jornalista desapareceu

AFP
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As autoridades turcas inspecionam nesta segunda-feira o consulado da Arábia Saudita em Istambul no âmbito da investigação sobre o desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, que pode ter sido assassinado.

A operação, prevista para a acontecer à tarde na presença de autoridades sauditas, ocorreu após uma conversa por telefone entre o presidente turco Recep Tayyip Erdogan e o rei Salman da Arábia Saudita.

Jamal Khashoggi, um jornalista crítico do poder de Riad e colaborador, entre outros, do Washington Post, foi no dia 2 de outubro ao consulado saudita em Istambul para obter um documento necessário para seu futuro casamento.

Desde então, está desaparecido, e seu paradeiro é um mistério. Riad, que é suspeita de ter prendido, torturado e assassinado o jornalista, nega categoricamente qualquer envolvimento.

Erdogan pediu diversas vezes, sem sucesso, que as autoridades sauditas fornecessem imagens das câmeras de segurança para provar que Khashoggi deixou o consulado, como afirmam.

- "Consequências" -

A inspeção foi autorizada na semana passada, mas não aconteceu até agora por uma divergência sobre as modalidades, indicou a imprensa turca.

A Arábia Saudita afirma que o jornalista saiu do consulado, mas as autoridades turcas afirmam o contrário.

Algumas fontes acusam o governo saudita de enviar à Turquia uma unidade de agentes especiais para assassinar Khashoggi.

Nesta segunda-feira, o presidente americano Donald Trump citou a possibilidade de o jornalista saudita Jamal Khashoggi ter sido morto por "assassinos comuns".

Após receber uma "negativa muito, muito forte" do rei Salman sobre o envolvimento de Riad no desaparecimento do jornalista, Trump afirmou à imprensa na Casa Branca "que talvez deve ter sido obra de assassinos comuns. Quem sabe?".

Mais cedo, no Twitter, Trump informou que conversou com Salman e disse que enviaria o seu secretário de Estado, Mike Pompeu, para a Arábia Saudita.

"Acabo de falar com o rei de Arábia Saudita que nega ter alguma informação do que pode ter acontecido com seu cidadão saudita", escreveu o presidente americano.

O reino nega categoricamente qualquer envolvimento no desaparecimento do jornalista, um crítico do príncipe herdeiro Homamed Bin Salman e que vivia exilado nos Estados Unidos desde 2017 e colaborava com o jornal Washington Post.

O presidente americano, grande aliado da Arábia Saudita, citou pela primeira vez no final de semana a possibilidade de um envolvimento de Riad no caso e ameaçou o reino com um "castigo severo".

Contudo, deixou claro que não pretende comprometer os milhões de dólares em contratos militares bilaterais.

Larry Kudlow, conselheiro econômico de Trump, assegurou que "se os sauditas estiverem envolvidos, se Khashoggi tiver sido assassinado ou ferido, haverá consequências negativas, ele [Trump] agirá".

No domingo, a Arábia Saudita rejeitou qualquer ameaça de sanções ligadas ao desaparecimento do jornalista e ameaçou contra-atacar em caso de medidas hostis.

"O Reino afirma que rejeita qualquer ameaça ou tentativa de enfraquecê-lo, através de ameaças de sanções econômicas ou por pressão política", afirmou um funcionário que pediu anonimato, citado pela agência oficial SPA.

França, Grã-Bretanha e Alemanha cobraram uma "investigação séria e crível". "Defender a liberdade de expressão e a imprensa livre e assegurar a defesa dos jornalistas são primordiais", disseram em um comunicado comum os ministros das Relações Exteriores dos três países.

- Domingo negro para a Bolsa -

Nesta segunda-feira, a Bolsa de Valores saudita se recuperava depois de um domingo negro pelo caso Khashoggi.

O mercado de ações em Riad caiu drasticamente, registrando seu menor nível em três anos.

O caso Khashoggi parece ter arrefecido o entusiasmo que investidores mostraram até uma semana atrás pelos projetos econômicos faraônicos do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman.

O bilionário britânico Richard Branson anunciou a suspensão de vários projetos no reino.

Além disso, vários parceiros de renome anunciaram que não participarão do "Davos do deserto", a segunda edição da conferência "Future Investement Initiative", que será organizada em Riad entre os dias 23 e 25 de outubro.

Também retiraram seu apoio ao evento, que é altamente valorizado por Mohamed bin Salmán, meios de comunicação como o Financial Times, o New York Times e The Economist, bem como o CEO da Uber.

Do lado saudita, um poderoso empresário dos Emirados Árabes, Jalaf Al Habtoor, pediu aos países do Golfo e aos aliados de Riad que boicotem as empresas que se retirarem deste encontro.

* AFP

 

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