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Ancara17/10/2018 | 18h59

Trump nega acobertamento de EUA a sauditas por jornalista desaparecido

AFP
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O presidente americano, Donald Trump, negou nesta quarta-feira (17) tentar "encobrir" sua aliada, a Arábia Saudita, no caso de Jamal Khashoggi e disse esperar saber da verdade nesta semana sobre o que aconteceu com o jornalista supostamente assassinado na Turquia por agentes enviados por Riad.

"Não, (não estou encobrindo) nada, eu só quero averiguar o que está acontecendo", disse Trump a jornalistas na Casa Branca. "Não estou encobrindo" os sauditas de nada, insistiu.

O presidente informou que receberá um "relatório completo" do secretário de Estado, Mike Pompeo, no retorno de suas reuniões com autoridades turcas e sauditas, e que então saberá a verdade.

"Provavelmente vamos saber algo até o final da semana", disse Trump.

Trump fez estes comentários logo após a publicação pela imprensa turca de revelações segundo as quais o jornalista foi torturado e assassinado por agentes sauditas no consulado de seu país em Istambul no dia 2 de outubro.

O jornal Yeni Safak relata ter tido acesso a gravações de áudio e informa que Khashoggi foi torturado durante um interrogatório e que os agentes sauditas cortaram seus dedos, antes de "decapitar" a vítima.

Segundo estas informações, os assassinos sauditas seriam agentes ligados ao príncipe herdeiro Mohamed Bin Salman, conhecido como MBS, um poderoso membro da família real saudita e ator-chave nos esforços por uma maior aproximação do reino com a Casa Branca.

O governo americano parece dar o benefício da dúvida à sua aliada, insistindo na vontade de Riad de realizar sua própria investigação.

Na terça-feira, em uma entrevista à agência americana AP, Trump pediu que se aplique o princípio da presunção da inocência para a Arábia Saudita.

O desaparecimento de Khashoggi, um cidadão saudita residente nos Estados Unidos durante o último ano, e crítico de MBS, pode ter colocado fim às aspirações do príncipe herdeiro de modernizar o rosto da Arábia Saudita.

Também aumentou as pressões sobre a Casa Branca para que revise seus laços com um aliado de décadas, ambos rivais do Irã, inimigo regional de Riad desde a Revolução Islâmica de 1979.

Depois de advertir com um "castigo severo" caso Riad seja responsável pelo desaparecimento de Khashoggi, Trump voltou atrás em suas intenções de punir o reino saudita, que elogia como um importante aliado no Oriente Médio e comprador histórico de armas americanas.

"Precisamos da Arábia Saudita para a luta contra o terrorismo, para tudo que acontece no Irã e outros lugares", disse nesta quarta-feira em uma entrevista à Fox Business.

Após se reunir com dirigentes sauditas em Riad na véspera, Pompeo encontrou nesta quarta em Ancara com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que evitou até agora incriminar diretamente a Arábia Saudita no caso.

Pompeo se negou a dizer se Khashoggi estava vivo ou morto. "Não quero falar de nenhum dado". Ele deixou a capital turca sem falar com a imprensa.

- Membros do entorno do príncipe -

Um dos homens identificados pelas autoridades turcas como agente enviado a Istambul faz parte do entorno de Bin Salman, afirmou na terça-feira o jornal New York Times.

De acordo com o NYT, que publicou várias fotos, Maher Abdulaziz Mutreb acompanhou o príncipe em sua viagem aos Estados Unidos em março, assim como a Madri e Paris um mês depois.

O New York Times menciona mais três suspeitos vinculados por testemunhas e outras fontes aos serviços de segurança do príncipe.

Um quinto homem, identificado como Salah Al Tubaigy, ocupou cargos de alta responsabilidade no ministério saudita do Interior e na área médica, completou o jornal, ao afirmar que "uma personalidade deste nível só pode ser comandada por uma autoridade saudita de alta patente".

O NYT afirma, ainda, ter confirmado que "ao menos nove dos 15 (suspeitos) trabalharam para os serviços sauditas de segurança, o exército ou outros ministérios".

O Washington Post afirmou que 11 dos 15 suspeitos mencionados pelas autoridades turcas estão vinculados aos serviços de segurança sauditas.

Para o New York Times, o fato de que os suspeitos têm relação com o governo e vários deles com o príncipe herdeiro "poderia tornar muito mais difícil absolvê-lo de qualquer responsabilidade" no desaparecimento do jornalista.

A imprensa americana informou na segunda-feira que a Arábia Saudita cogitava reconhecer a morte do jornalista durante um interrogatório no consulado. Mas até agora nada foi divulgado a respeito.

* AFP

 

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