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Estocolmo02/10/2018 | 10h04

Trio vence Nobel de Física por pesquisas com laser

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O americano Arthur Ashkin, o francês Gérard Mourou e a canadense Donnna Strickland são os vencedores do Prêmio Nobel de Física de 2018 por suas pesquisas sobre o laser, que permitiram desenvolver ferramentas utilizadas na indústria e na medicina.

Ashkin ficará com metade do prêmio de 1,01 milhão de dólares, enquanto Mourou e Strickland dividirão a outra metade, anunciou o júri do prêmio em Estocolmo.

Suas descobertas "revolucionaram a física do laser e os instrumentos de precisão avançada que abrem campos inexplorados de pesquisa e uma variedade de aplicações industriais e médicas", anunciou a Real Academia de Ciências de Estocolmo.

Ashkin, de 96 anos, a pessoa mais velha a receber um Nobel, foi premiado pela invenção da "pinça óptica", um instrumento que permite manipular organismos extremamente pequenos, como células, partículas, ou vírus.

Em 1987, ele conseguiu manipular, sem danificar e conservando em meio estéril, bactérias vivas. Desde então, as pinças ópticas são usadas em laboratórios para estudar os micro-organismos, mas também em tecnologias de ponta para o controle de microbombas, ou micromotores.

Mourou, 74 anos, e sua aluna Strickland, nascida em 1959 e apenas a terceira mulher premiada com o Nobel de Física, foram premiados em conjunto pelo desenvolvimento da técnica de amplificação do laser, chamada "Chirped Pulse Amplification (CPA)", que "gera os pulsos de laser mais curtos e mais intensos já criados pela humanidade".

Além de sua contribuição para a física do vácuo, ou dos buracos negros, esta técnica é utilizada na cirurgia oftalmológica.

Pouco depois do anúncio, Strickland, professora da Universidade de Rochester, Estados Unidos, afirmou que estava honrada com o prêmio, que apenas duas mulheres haviam recebido até agora nesta categoria desde 1901.

"Pensei que seria mais fácil premiar as mulheres físicas, (...) Espero que, com o tempo, as coisas aconteçam de modo mais rápido", disse.

Marie Curie, que em 1911 recebeu o prêmio de Química, venceu ao lado do marido Pierre em 1903 o Nobel de Física. Maria Goeppert Mayer venceu o prêmio em 1963.

Os três premiados de Física em 2018 são os vencedores de número 207, 208 e 209 desde a criação do prêmio.

A Academia Real estima que o pequeno número de mulheres premiadas nas áreas científicas se deve, em primeiro lugar, ao fato de que, por muito tempo, os laboratórios foram fechados a elas.

"É uma pequena porcentagem" de laureadas, reconheceu nesta terça-feira o secretário-geral da Academia, Göran Hansson.

"Mas estamos adotando medidas para encorajar mais indicações de mulheres, porque tememos deixar passar" boas candidatas, ressaltou.

O diretor do Laboratório de Óptica Aplicada (LOA) e professor da École Polytechnique, Gérard Mourou, dedicou 40 anos de sua carreira aos lasers, encontrando aplicações técnicas, ou médicas, especialmente na cirurgia oftalmológica, mas também na arqueologia.

Pai do conceito de "Extreme Light", Mourou ajudou na criação do Instituto de Luz Extrema (ILE) e do laser civil Apollon de Paris-Saclay (Essonne), que deve fornecer cinco petawatts, ou seja, 1/35º da energia solar recebida pela Terra. A longo prazo, deve dobrar sua potência.

Outros lasers estão em construção na Infraestrutura Europeia ELI (Extreme Light Infrastructure), da qual Gerard Mourou é o iniciador, na Hungria, na Romênia e na República Tcheca, que deve exceder a capacidade da Apollo.

No futuro, os pesquisadores esperam por múltiplas aplicações, como o tratamento de resíduos nucleares (reduzindo sua duração de radioatividade), imagens médicas, tratamento de tumores e limpeza de áreas cheias de detritos.

A edição do Nobel deste ano começou na segunda-feira com a categoria Medicina. O americano James P. Allison e o japonês Tasuku Honjo foram premiados por suas pesquisas sobre a capacidade do corpo de se defender contra o câncer.

Na quarta-feira, será anunciado o Nobel de Química, e o de Economia, na próxima segunda. Na sexta, será revelado em Oslo o vencedor do Nobel da Paz.

Pela primeira vez desde 1949, o anúncio do Nobel de Literatura será adiado por um ano pela Academia Sueca. A instituição enfrenta um escândalo vinculado ao movimento #MeToo, com divisões internas e a renúncia de vários membros, o que impede seu funcionamento normal.

* AFP

 

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