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Moscou21/10/2018 | 12h49

Rússia considera passo perigoso a retirada dos EUA de tratado nuclear

AFP
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A Rússia considera um "passo perigoso" o anúncio do presidente americano Donald Trump de deixar de cumprir o tratado sobre armas nucleares de alcance intermediário assinado durante a Guerra Fria entre a União Soviética e os Estados Unidos.

O último dirigente da União Soviética (URSS), Mikhail Gorbachev, que assinou o tratado de desarmamento INF (Intermediate Nuclear Forces Treaty) em 1987, denunciou uma "falta de sabedoria" do presidente Trump pediu "a todos que defendem um mundo sem armas nucleares" que convençam Washington a não avançar com o anunciado e "preservar a vida na Terra".

Trump anunciou no sábado que Washington contemplava deixar de cumprir o tratado INF, assinado por Ronald Reegan.

"Seria um passo muito perigoso que, tenho certeza disso, não será compreendido pela comunidade internacional e, inclusive, vai gerar sérias condenações", afirmou o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Riabkov.

A Alemanha lamentou a saída dos Estados Unidos do tratado, que chamou de "importante componente do controle de armamento". "As consequências da decisão americana serão discutidas entre os membros da Otan", disse o porta-voz do governo, Ulrike Demmer.

Trump acusa a Rússia de violar o tratado "há muitos anos" e anunciou que os Estados Unidos começarão a desenvolver estas armas.

Riabkov rebateu as acusações e disse que Moscou repeita o texto de "maneira estrita". "Fomos pacientes durante anos ante as flagrantes violações do tratado pelos Estados Unidos", afirmou.

O vice-ministro acusou Washington de atuar de modo "torpe" e de abandonar unilateralmente acordos internacionais. Se o governo dos Estados Unidos continuar assim, "então não teremos outra opção que adotar medidas de represália, inclusive que envolvam tecnologia militar", completou, sem entrar em detalhes.

O conselheiro da Casa Branca para Segurança Nacional, John Bolton, desembarcou neste domingo em Moscou.

"Esperamos que nos explique de maneira substancial e clara o que os Estados Unidos pensam fazer", disse Riabkov.

Bolton deve se reunir nos próximos dias com o chanceler russo Serguei Lavrov para preparar um eventual encontro entre Trump e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, o próprio Bolton teria pressionado Trump a anunciar a saída do tratado INF. Também estaria bloqueando qualquer negociação para prorrogar o tratado New Start sobre mísseis estratégicos, que expira em 2021.

O governo Trump critica a instalação por Moscou do sistema de mísseis 9M729, cujo alcance, segundo Washington, supera 500 km, violando assim o texto do INF.

O tratado, que suprime o uso de toda uma série de mísseis com alcance entre 500 e 5.000 km, encerrou uma crise iniciada nos anos 1980 pela instalação dos SS-20 soviéticos com ogivas nucleares, que apontavam para capitais ocidentais.

Moscou respondeu as acusações americanas com outras acusações. Riabkov citou uma "chantagem" e uma fonte do ministério das Relações Exteriores afirmou que Washington "vem se aproximando desta etapa há vários anos, deliberadamente destruindo a base deste acordo passo a passo".

A medida americana poderia ser motivada por uma suposta ameaça da China. Pequim não faz parte do acordo INF e pode desenvolver sem obstáculos armas nucleares de alcance intermediário.

* AFP

 

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