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Washington04/10/2018 | 15h14

Relatório do FBI exime indicado de Trump à Suprema Corte, dizem republicanos

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Nada foi encontrado na nova investigação do FBI sobre Brett Kavanaugh, o indicado de Donald Trump à Suprema Corte dos Estados Unidos, que corrobore as acusações de agressão sexual contra ele, declarou nesta quinta-feira (4) um influente membro do Senado, onde avança o processo de confirmação.

O senador Chuck Grassley, presidente da Comissão Judicial do Senado, disse que já é hora de votar a indicação de Kavanaugh para este cargo vitalício, embora os líderes da oposição democrata tenham considerado a investigação do FBI "incompleta" e "limitada".

"Essa investigação não encontrou indícios de má conduta (...) Não há nada nisto que já não saibamos", disse Grassley em comunicado.

A pedido dos democratas e do senador republicano Jeff Flake, fundamental para uma votação que se anuncia apertada, o FBI recebeu, na sexta-feira passada, uma semana para investigar as denúncias da professora da Califórnia Christine Blasey Ford de que Kavanaugh tentou estuprá-la quando eram adolescentes.

"Essas acusações não corroboradas têm sido negadas de maneira inequívoca e reiterada pelo juiz Kavanaugh, e nem a Comissão Judicial nem o FBI conseguiram localizar outras pessoas que pudessem embasar qualquer uma delas", assinalou Grassley.

- 'É hora de votar' -

"É hora de votar", disse Grassley, anunciando seu voto pela confirmação de Kavanaugh, um conservador de 53 anos.

Uma primeira votação de procedimento está programada para sexta-feira no plenário do Senado, antes da votação final prevista para o fim de semana na Câmara alta, onde os republicanos têm uma maioria apertada (51-49). Além de Flake, as republicanas Susan Collins e Lisa Murkowski estão indecisas.

A Casa Branca entregou na noite de quarta-feira ao Senado os resultados da investigação suplementar do FBI sobre Kavanaugh e assinalou que não encontrou nada que confirmasse as acusações contra o atual juiz de apelação.

Os republicanos, que controlam o Congresso e a Casa Branca, apontam a Kavanaugh para, nas próximas décadas, inclinar para o lado conservador as sentenças da Suprema Corte, instituição que regula assuntos sensíveis na sociedade americana.

Trump indicou Kavanaugh em substituição ao juiz Anthony Kennedy, que era o voto de desempate em um tribunal agora dividido igualmente entre quatro juízes conservadores e quatro progressistas.

- 'Incompleta e limitada' -

De sua conta no Twitter, Trump afirmou que o relatório do FBI reivindicava o seu candidato e se mostrou otimista sobre as possibilidades dos republicanos nas legislativas de novembro, na qual o governo pode perder o controle da Câmara de Representantes e o Senado poderia estar em jogo.

"O tratamento severo e injusto ao juiz Brett Kavanaugh está tendo um impacto incrível nos eleitores", disse Trump. "As PESSOAS entendem muito mais do que os políticos".

"O mais importante é que esta grande vida não pode ser arruinada por democratas mesquinhos e desprezíveis e por acusações completamente não confirmadas", disse Trump sobre seu candidato.

Enquanto isso, os democratas consideraram que a investigação do FBI foi muito restrita.

A principal democrata do Comitê Judicial do Senado, Dianne Feinstein, disse que ainda não havia tido acesso a todo o relatório, mas que, pelo que tinha visto, parecia insuficiente deixar de lado as preocupações sobre Kavanaugh.

"Parece ser o produto de uma investigação incompleta que, talvez, tenha sido limitada pela Casa Branca", assinalou a jornalistas no Capitólio.

"Tivemos muitos receios de que este fosse um processo muito limitado", acrescentou o líder da minoria do Senado, Chuck Schumer. "Esses temores se cumpriram".

- Polarização -

A indicação de Kavanaugh é feita em um clima de forte polarização política em Washington.

Centenas de ativistas contrários à confirmação do juiz na Suprema Corte se posicionaram nesta quinta-feira em Washington, anunciou a ACLU, importante associação americana de defesa das liberdades.

No New York Times, mais de mil professores de Direito assinaram um editorial pedindo ao Senado que votasse contra a confirmação de Kavanaugh.

Blasey Ford declarou na semana passada que Kavanaugh a agrediu sexualmente em uma festa no início da década de 1980.

Acompanhado por milhões de pessoas ao vivo pela televisão, seu depoimento comoveu boa parte dos americanos, enquanto outros denunciaram uma declaração tardia para prejudicar a confirmação do juiz.

Kavanaugh negou com veemência esta acusação e outras de má conduta sexual feitas por mais duas mulheres, entre elas Deborah Ramirez, que acusa Kavanaugh de ter mostrado a ela suas partes íntimas durante uma festa na Universidade de Yale.

Os advogados de Blasey Ford lamentaram que ela não tenha sido ouvida na investigação.

* AFP

 

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