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Chicago03/10/2018 | 18h14

#MeToo: trabalhadoras americanas também querem fazer ouvir sua voz

AFP
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Suas vozes não têm tanto alcance quanto as das estrelas de Hollywood, mas, um ano após a deflagração do movimento #MeToo, nascido do escândalo Harvey Weinstein, as trabalhadoras americanas pobres também querem se fazer ouvir.

Mãe solteira de uma menina de três anos, Kim Lawson começou um segundo emprego, no ano passado, em uma loja do McDonald's em Kansas City, na tentativa de conseguir fechar as contas no fim do mês.

Não demorou muito tempo, conta a jovem de 25 anos, até que dois colegas de trabalho, entre eles um dos chefes, começassem a assediá-la sexualmente.

Um deles se esfregava nela com frequência. O outro multiplicava os comentários sugestivos sobre seu físico. Suas reclamações à gerência não deram em nada.

"Eu me sentia impotente", desabafa Kim Lawson na conversa com a AFP. "Eu tinha vergonha que isso estivesse acontecendo comigo", completou.

Suas acusações constam de uma ação apresentada em maio passado à Comissão americana sobre Igualdade de Oportunidades no Trabalho, junto com outras nove funcionárias do McDonald's.

Entre elas estão uma cozinheira de 36 anos que disse ter sido "apalpada no bumbum" várias vezes por um colega, assim como uma menor de 15 anos, que acusa um colega mais velho de tê-la assediado e feito "observações depreciativas e de cunho sexual".

"Ele dizia que gostava do meu peito, que era empinado", denunciou a adolescente na ação apresentada.

Com o objetivo de pressionar a gerência a tomar medidas contra essas práticas, funcionários e funcionárias do McDonald's foram às ruas em setembro, em 10 cidades americanas.

A mensagem dos manifestantes é que o gigante do fast-food não fez o suficiente para pôr fim à cultura de impunidade na empresa. Eles esperam que, com seus 235.000 funcionários ao redor do mundo, a empresa possa servir de exemplo na luta contra o assédio sexual no trabalho.

- Pequenas vitórias -

Em um estudo feito em 2016 pela Hart Research Associates, 40% dos funcionários do setor de fast-food diziam já ter sido vítimas de assédio. E os comportamentos inadequados não ficam apenas nessa área.

As mulheres que trabalham na construção civil, um setor muito masculino, passam por isso há décadas. As operárias de uma fábrica da Ford de Chicago também denunciaram em uma ação a cultura de assédio. Em dezembro, o fabricante americano de automóveis pediu desculpas e prometeu mudanças.

"Essas trabalhadoras não têm o poder das celebridades", lamenta Mary Joyce Carlson, advogada da "Fight for $15", uma campanha apoiada pelos sindicatos para aumentar os salários e proteger as trabalhadoras pobres.

"Elas são vulneráveis economicamente e são mais facilmente exploradas do que as mulheres de poder, ou as celebridades", acrescenta.

Um ano depois do início do movimento #MeToo, as trabalhadoras pobres obtiveram, de qualquer modo, algumas pequenas vitórias.

Cinco grandes redes americanas do setor de hotelaria aceitaram fornecer "botões de emergência" a sua equipe da limpeza. Algo que era pedido há muito tempo.

O fundo de proteção jurídica da organização Time's Up, que permite às trabalhadoras sem condições terem a assistência de um advogado, arrecadou 21 milhões de dólares desde sua criação em janeiro deste ano.

Cerca de 3.500 pessoas nos mais diversos setores recorreram a esse fundo até agora, e "os pedidos não diminuem", observa sua diretora, Sharyn Tejani.

"As pessoas sentem, com certeza, que elas podem falar mais", celebra ela.

- McDonald's se defende -

Esse recente movimento levou o McDonald's a se defender. A empresa garante que medidas contra o assédio já foram adotadas nos restaurantes e promete, em nota enviada à AFP, "novos treinamentos obrigatórios" para suas equipes.

"Levamos muito a sério a segurança e o bem-estar dos nossos empregados, e não toleramos qualquer tipo de assédio, ou de discriminação, em (nossos) restaurantes", garante a empresa.

O problema é que o McDonald's possui apenas 9% de suas lojas, e conta com suas franquias - mais de 34.000 ao redor do mundo - para seguir o exemplo.

Não é sempre o caso, como atesta Kim Lawson, a mãe solteira de Kansas City. Recentemente, ela contribuiu para organizar para funcionários de diferentes redes de fast-food uma sessão informativa e de treinamento sobre o assédio sexual no trabalho. Outras devem ser realizadas em 2019.

"É triste trabalharmos para essas empresas, e elas não se preocuparem, de fato, com a gente", denuncia a jovem. "Se fosse o caso, elas nos protegeriam", completa.

* AFP

 

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