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Lampedusa02/10/2018 | 09h44

Lampedusa quer virar página cinco anos após tragédia dos migrantes

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Cinco anos depois da tragédia de Lampedusa, quando um naufrágio deixou 366 mortos, a ilha siciliana quer virar a página e se tornar um destino turístico, graças às suas praias e a seu mar cristalino.

O naufrágio ocorreu em 3 de outubro de 2013 ao amanhecer, quando uma embarcação que havia partido da Líbia para a costa europeia afundou na frente do litoral da Itália com pelo menos 550 imigrantes procedentes da Somália e da Eritreia. Destes, 366 morreram, e 155 sobreviveram.

As imagens de centenas de caixões em um hangar do aeroporto chocaram o mundo e estimularam operações para socorrer os milhares de migrantes que atravessavam o mar para fugir da guerra, ou em busca de uma vida melhor.

Apesar de as travessias terem-se multiplicado entre 2013 e 2017, a pequena ilha de Lampedusa, com 20 km2 e 6.100 habitantes, recebeu cada vez menos migrantes.

Resgatados mais ao sul, os migrantes costumam ser levados diretamente para os portos da Sicília e os poucos que chegam à ilha passam apenas alguns dias nos centros de alojamento.

Os habitantes aproveitaram esses últimos anos para construir hotéis, apartamentos para férias e restaurantes.

No fim da temporada, é difícil encontrar um lugar livre na areia na famosa Praia dos Coelhos, um local paradisíaco a apenas 600 metros de onde jazem os restos de um naufrágio.

"Por que ir às Maldivas quando você tem praias como esta aqui na Europa?", comenta Marzia Davoli, de 66 anos, uma aposentada de Reggio Emilia, centro do país.

- 'O mar mais belo do mundo' -

"Temos o mar mais belo do mundo, eu garanto", diz Natozi Gaspar, de 50 anos, que administra uma concessão perto da localidade com guarda-sóis e um quiosque.

Inaugurado em 2012, o novo aeroporto da ilha aumentou sua capacidade, de 86.000 pessoas, em 2014, para 128.000, em 2017. Nos primeiros oito meses do ano, o turismo aumentou 3,5%.

A ilha sofre, sobretudo, pelo desenvolvimento desordenado do setor e porque há turistas demais para o número de praias.

Situado entre duas colinas, o centro de recepção para migrantes foi fechado em março para receber reformas. Conta com 95 lugares, todos ocupados.

Este ano, a ilha recebeu mais de 2.500 migrantes, tunisianos em sua maioria.

Embora os moradores locais sejam conhecidos por sua solidariedade com os migrantes, a mentalidade mudou nos últimos anos.

Sinal dessa mudança foi a derrota nas eleições da lendária prefeita de Lampedusa, Giusi Nicolini, premiada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no início de 2017. Ela ficou em terceiro lugar nas eleições municipais do ano passado, vencidas por Salvatore Martello, prefeito de 1991 a 2001.

Martello é proprietário de um hotel no porto e presidente do consórcio de pescadores.

Contrária à imigração, a sigla de extrema direita Liga, liderada por Matteo Salvini, registrou um avanço notável, ao obter 6% dos votos, uma tendência confirmada com o êxito nas eleições legislativas de março (15%).

Em conversa com a AFP, Martello lamenta os roubos e as agressões cometidas pelos tunisianos.

"Você tem que fazer a distinção, porque, do contrário, as pessoas começam a dizer ah, viraram racistas'", diz o prefeito.

"Se, em vez de receber pessoas que fogem da guerra, Lampedusa receber delinquentes, o assunto se torna de ordem pública", afirma.

Essa mentalidade pesa sobre Amin, um tunisiano de 35 anos que desembarcou há alguns dias.

"Aqui, as pessoas são um pouco suspeitas. Me disseram que havia tunisianos que criaram problemas antes de nós. Se você vai à casa de alguém, tem que respeitá-la", frisou.

* AFP

 

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